Jethro Tull: 40 anos de “Songs From The Wood”

“Songs From The Wood”: álbum do Jethro Tull que completou 40 anos em 2017

No último dia 11 de fevereiro o álbum “Songs From The Wood”, do Jethro Tull, completou 40 anos de seu lançamento. Gravado entre setembro e novembro de 1976 no Morgan Studios, em Londres, o disco tem a produção assinada por Ian Anderson e foi lançado pela Chrysalis.

O play, que é o décimo trabalho de estúdio da banda britânica, ficou marcado pela nova direção musical do grupo, que se voltou para o folclore pagão britânico e a vida rural em um estilo de folk rock que combinava com instrumentos e melodias com batidas de hard rock e guitarras elétricas.

O material foi considerado o primeiro de uma trinca de álbuns de folk rock: “Songs From The Wood” (1977), “Heavy Horses” (1978) e “Stormwatch” (1979). Na capa do disco traz uma linha de título estendida: “Jethro Tull – with kitchen prose, gutter rhymes and divers – Songs from the Wood”, algo do tipo: “Jethro Tull – com prosa de cozinha, rimas de calha e mergulhadores – canções da madeira”. A faixa-título traz duas dessas frases em sua letra.

O disco foi gravado depois da turnê do trabalho anterior – “Too Old To Rock ‘N’ Roll, Too Young To Die!” (1976) e demonstrou o interesse de Ian Anderson mudar o estilo musical da banda, uma vez que ele estava se encontrando e produzindo músicas de folk rock, como Steeleye Span, para quem produziu o álbum “Now We Are Six” (1974). Em uma matéria da revista Guitar World, de 1999, Ian Anderson disse que após a turnê do disco anterior, voltou para a Inglaterra, se estabeleceu, casou e comprou uma casa. Isso lhe deu a oportunidade de avaliar e refletir sobre o significado cultural e histórico em fazer um trabalho dessa natureza.

Esse foi o primeiro álbum gravado com o tecladista David Palmer como membro oficial da banda e, com ele, a música do grupo ganhou mais complexidade e variedade, com mais instrumentos marcando presença nas canções e um som que deriva das inclinações clássicas de Palmer e a forte presença da guitarra de Martin Barre. Não é à toa que ambos são creditados pelo material contributivo para o álbum. Aliás, apenas em “Jack-In-The-Green” apresenta Ian Anderson creditado em todos os instrumentos.

Recheado com o imaginário da Grã-Bretanha medieval, especialmente nas letras de “Jack-In-The-Green”, “Cup Of Wonder” e “Ring Out, Solstice Bells”, arranjos ornamentais como em “Velvet Green” e “Fire At Midnight” ou o experimentalismo de “Pibrocj (Cap In Hand)”, onde a guitarra de Barre simula um instrumento de sopro, o disco tem uma parte de hard rock do álbum anterior, embora ainda tenha conservado algumas características de sons mais antigos do Jethro Tull. Além disso, Ian Anderson também teve como fonte de inspiração o livro “Folklore, Myths and Legends Of Britain”, que lhe foi dado pelo então manager do grupo, Jo Lustig, em 1976.

O termo descritivo “música folclórica” ​​foi descartado por Anderson e Barre como não relevante para o álbum. Folk tem uma forte conotação de cantores e compositores americanos que realizam músicas ativistas em cafés, enquanto “Songs From The Wood” foi composto e realizado como homenagem ao Reino Unido.

O disco recebeu comentários positivos da crítica, como na Rolling Stone que, na época, avaliou como “pode muito bem ter sido a melhor gravação do grupo”. Além disso, “Songs From The Wood” está na lista dos “100 maiores álbuns progressivos de todos os tempos” na posição 76, promovido pela revista Prog. Na mesma lista, ainda há mais três álbuns do Tull: “A Passion Play” (49º), “Acqualung” (43º) e “Thick As A Brick” (5º).

O álbum alcançou o oitavo lugar na parada da Billbord, o que fez dele o último da banda a entrar no top ten nos Estados Unidos. A faixa “The Whistler” foi a única música a classificar como single no território norte-americano, onde ocupou o 59º lugar no Billboard Hot 100, na primavera de 1977. Já na Dinamarca, o play ocupou o oitavo lugar, onde permaneceu por duas semanas. E nas paradas do Reino Unido, um honroso 13º lugar.

No último dia 17 de maio, houve o lançamento de um box com três CD’s e dois DVD’s com material inédito, remixado e gravações feitas ao vivo da época, além de um livreto com 96 páginas que inclui uma anotação “faixa-a-faixa” do álbum e suas gravações associadas feitas por Ian Anderson.

Trata-se de um grande disco do Jethro Tull, imperdível para os amantes de folk rock.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do álbum.

Álbum: Songs From The Wood
Intérprete: Jethro Tull
Lançamento: 11 de fevereiro de 1977
Gravadora: Chrysalis
Produtor: Ian Anderson

Ian Anderson: voz, flauta, bandolim, violão, pratos, assobios e todos os instrumentos em “Jack-In-The-Green
Martin Barre: guitarra e alaúde
John Evan: piano, órgão e sintetizador
David Palmer: piano, órgão de tubo portátil e sintetizadores
John Glascock: baixo e backing vocal
Barriemore Barlow: bateria, marimba, sinos, glockenspiel, nakers e tabor

1. Songs From The Wood (Anderson)
2. Jack-In-The Green (Anderson)
3. Cup Of Wonder (Anderson)
4. Hunting Girl (Anderson)
5. Ring Out, Solstice Bells (Anderson)
6. Velvet Green (Anderson)
7. The Whistler (Anderson)
8. Pibroch (Cap In Hand) (Anderson)
9. Fire At Midnight (Anderson)

Por Jorge Almeida

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Um comentário sobre “Jethro Tull: 40 anos de “Songs From The Wood”

  1. Talvez o unico disco do Jethro Tull que escutei inteiraço em toda a minha vida. Fora os trabalhos mais complexos, solos longos demais pra guitarra, bateria (interminaveis!!). Um detalhe: foi o album do Tull que definiu de vez o folclore pagão celta/driuda no som da banda! Letras que podiam estar em qualquer segmento mais obscuro do Heavy Metal! O Iron Maiden ja gravou um cover deles (Aqualung – 1971)!

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