Luto no rock: morre Kid Vinil aos 62 anos

O radialista, produtor, DJ e músico Kid Vinil, que morreu nesta sexta-feira. Foto: divulgação

O cantor e radialista Kid Vinil morreu na tarde desta sexta-feira (19) no Hospital Totalcor, em São Paulo, devido a uma parada cardíaca. Depois de ter ficado um mês em coma induzido por conta de uma parada cardiorrespiratória que teve após um show feito em um clube da cidade Conselheiro Lafaiete (MG). O músico tinha 62 anos.

Antônio Carlos Senefonte, nome de batismo de Kid Vinil, nasceu na cidade paulista de Cedral em 1955. Ganhou notoriedade nacional ao liderar o grupo Magazine na década de 1980, quando emplacou hits como a ‘urbanística’ “Sou Boy”, que foi considerada um “hino” para os (hoje quase extintos) office-boys, além da divertida romântico-adolescente “Tic Tic Nervoso”, e ainda a interpretação espetacular de “Comeu”, música de Caetano Veloso, e que teve a versão do Magazine como tema de abertura da novela “A Gata Comeu”, de 1985.

Contudo, antes da consagração no país, Kid Vinil já era conhecido no underground paulistano como um incentivador do movimento punk e da new wave em São Paulo, seja organizando e divulgando shows ou tocando músicas de bandas do gênero em seus programas, além disso, atuou como vocalista do grupo Verminose no início dos anos 1980.

Depois de suspender as atividades com o Magazine, Kid seguiu trabalhando como comunicador – radialista, jornalista, DJ e VJ em diversos programas de variadas emissoras de Rádio e TV, como Bandeirantes, Cultura e MTV, além das rádios Brasil 2000 e 89, a Rádio Rock. Sempre tocando preciosidades de sua vasta coleção de vinis e CD’s que, juntos, atingem a marca de 20 mil álbuns, além de divulgar novas bandas, principalmente as independentes.

Em 2000, voltou com o Magazine e, dois anos depois, lançou o álbum “Na Honestidade”, pela gravadora Trama. Porém, pouco tempo depois, encerrou as atividades do grupo e formou uma nova banda, a Kid Vinil Xperience, em 2005, que teve dois álbuns lançados: “Time Was” (2010), um disco de covers de músicas favoritas e obscuras, e “Vinil Ao Vivo” (2013), gravado no mesmo ano e lançado três anos depois, em Novo Horizonte, interior de São Paulo, com interpretações de todos os hits de sua carreira.

O incansável Kid Vinil também atuou como produtor. Pela Trama, produziu um disco da violeira Helena Meireles e também “Defeito de Fabricação” (1998), de Tom Zé, que foi eleito como um dos dez melhores álbuns daquele ano pelo New York Times.

Ainda, em 2008, ele lançou o álbum “Almanaque do Rock”, pela Ediouro Publicações, que relata a trajetória do rock desde os anos 1950 até os dias de hoje (aliás, é um ótimo livro, recomendo!). A obra tem os mesmos moldes dos almanaques dos anos 70, 80 e 90.

Em virtude de seu vasto conhecimento sobre o rock, Kid Vinil fez uma legião de fãs, que vai de gente como João Gordo e Thunderbird até a cartunista Laerte, e continuou fã de muita gente, formando assim inúmeros amigos. E, com seu carisma e humildade, sempre fazia questão de conversar e debater a respeito de rock, seja ensinando ou aprendendo. Sem contar o seu visual peculiar.

E, de tanto contribuir para o rock, Kid Vinil foi homenageado com a biografia “Kid Vinil – O Herói do Brasil”, de Ricardo Gozzi, lançado pelas Edições Ideal, lançado em 2015.

Muito obrigado, Kid, você faz parte da história do rock. Muita gente curte rock graças a você. E, o título da obra de Gozzi faz jus à sua pessoa: O Herói do Brasil.

Descanse em paz.

Por Jorge Almeida

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