Jethro Tull: 45 anos de “Thick As A Brick”

“Thick As A Brick”, do Jethro Tull, um dos álbuns mais marcantes do rock progressivo

No último dia 3 de março, o quinto álbum de estúdio do Jethro Tull, “Thick As A Brick” completou 45 anos de seu lançamento. Gravado durante o ano de 1971 no Morgan Studios, em Londres, o disco foi lançado pela Chrysalis (versão europeia) e foi produzido por Ian Anderson e Terry Ellis.

A letra do play é fundamentada em um poema escrito por um garoto fictício, “Gerald Bostock”, ou “Little Milton”. O álbum em LP transcorre ininterruptamente em ambos os lados, sendo de fato uma só canção. Para alguns críticos, “Thick As A Brick” foi o primeiro álbum de rock progressivo do Jethro Tull, contrastante com o trabalho anterior da banda, o clássico “Aqualung”.

Ian Anderson ficou impressionado com a reação dos críticos quanto a “Aqualung”, avaliado por alguns deles como “álbum conceitual”, um rótulo que o vocalista rejeitou firmemente. Em “Thick As A Brick”, a banda se preparou para criar uma obra que se integrava deliberadamente em torno de um conceito: um poema escrito por um precoce garoto inglês que fala sobre os desafios de envelhecer. Na época (e ainda hoje) muitos acreditaram que Gerald Bostock era uma pessoa real, e que o garoto fictício tenha sido o verdadeiro compositor das músicas, tendo sido considerado um gênio precoce. No entanto todo o álbum foi escrito pelo compositor Ian Anderson. Por trás disso, o álbum pretendia ser um resumo de todos os outros pretensos “álbuns conceituais”. A fórmula foi bem-sucedida, e “Thick As A Brick” alcançou o primeiro lugar entre os mais vendidos nos Estados Unidos.

O álbum tem uma variedade de temas musicais, mudanças de tempo de assinatura e turnos de tempo – todos os quais foram características da cena de rock progressivo. Embora o álbum acabado seja executado como uma peça contínua, ele é composto de um medley de músicas individuais que se executam umas nas outras, nenhuma das quais duram individualmente mais de um par de minutos.

O disco traz proeminentemente flauta, guitarra acústica e elétrica e órgão de Hammond, que tinha sido usado previamente, mas a instrumentação inclui o cravo, o xilofone, o tímpano, o violino, o alaúde, o trompete, o saxofone, e uma seção da corda.

A capa original do LP era uma paródia dos tabloides locais, trazendo notícias, contos, propagandas, etc. O falso jornal, com 12 páginas, teve de ser reduzido ou mesmo completamente suprimido quando do lançamento original na América Latina e Ásia devido aos custos de impressão. O lançamento em CD também comprometeu a arte da capa, reduzida para suportar o formato. Escrito por Ian, Jeffrey Hammond, e John Evan, o papel realmente levou mais tempo para produzir do que a música. Há um monte de trocadilhos internos, piadas inteligentemente ocultas, uma revisão surpreendentemente franca do álbum em si, e até mesmo uma pequena e travessa atividade de crianças conectadas aos pontos.

O “jornal”, datado de 7 de janeiro de 1972, também inclui as letras inteiras de “Thick As A Brick” (impresso na página 7), que é apresentado como um poema escrito por Bostock, cuja desqualificação de um concurso de poesia é o foco da história de primeira página. O jornal satírico foi fortemente abreviado para folhetos de CDs convencionais, mas a capa do CD de edição especial do 25º aniversário está mais próxima do original e a versão em caixa do 40º aniversário contém a maior parte do conteúdo do jornal original. A gravadora, Chrysalis Records, queixou-se de que a manga seria muito cara para produzir, mas Anderson contestava que, se um jornal real pudesse ser produzido, o mesmo poderia ser feito com a paródia de um.

O Jethro Tull não tinha a intenção de gravar uma única peça contínua, mas desenvolveu-se organicamente no estúdio, os caras criaram segmentos de músicas individuais e, em seguida, escreveram pequenas músicas para vinculá-las.

O processo teve início em dezembro 1971, no Morgan Studios, em Londres. Diferentemente dos trabalhos, onde Anderson geralmente escrevia canções com antecedência, apenas a seção inicial do álbum tinha sido elaborada quando a banda foi gravá-la. O restante do material foi reconstituído no estúdio. Como Anderson não tinha terminado de escrever tudo, ele se levantou cedo todas as manhãs para preparar material para o resto da banda para aprender naquele dia. As letras foram escritas primeiramente, com a música construída então para caber em torno delas. Anderson lembra que o álbum levou cerca de duas semanas para gravar e outros dois ou três para overdubs e mixagem.

Fãs de Monty Python, grupo de comédia britânico, o estilo de humor desse grupo os influenciaram nas letras e no conceito geral. Algumas partes do disco foram gravadas em uma única tomada.

O grupo apresentou todo o álbum na turnê de 1972. Aliás, a reputação que tiveram por conta dessa turnê ficou caracterizada como performances de teatro, o que causa estranheza muitas vezes. Para os padrões atuais, os concertos não eram lá grandes produções, mas para a época, Ian Anderson e sua turma eram bastante originais. Depois disso, Ian Anderson voltou a apresentar o álbum na íntegra em 2012. Em agosto de 2014, o vocalista lançou o álbum “Thick As A Brick – Live In Iceland”. O concerto foi gravado em Reykjavik, na Islândia, em 22 de junho de 2012, e apresenta “Thick As A Brick” e “Thick As A Brick 2” (esse lançado como álbum solo de Anderson), assim como o citado registro ao vivo.

Esse álbum é uma obra-prima do rock progressivo, tanto que ele pavimentou o caminho para o rock progressivo mais moderno. Não é à toa que TAAB é um dos discos favoritos de gente como Geddy Lee, do Ruch, e Steve Harris (sim, o próprio!), do Iron Maiden.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Trick As A Brick
Intérprete: Jethro Tull
Lançamento: 3 de março de 1972
Gravadora: Chrysalis (Europa); Reprise Records (EUA, Japão e Oceania)
Produtores: Ian Anderson e Terry Ellis

Ian Anderson: voz, guitarra acústica, flauta, violino, trompete e saxofone
Martin Barre: guitarra elétrica e alaúde
John Evan: órgão, piano e cravo
Jeffrey Hammond (creditado “Jeffrey Hammond-Hammond”): baixo e vocais
Barriemore Barlow: bateria, percussão, tímpano

David Palmer: arranjos orquestrais

Lado A:
1. Thick As A Brick (Part 1) (Bostock / Anderson)
Lado B:
1. Thick As A Brick (Part 2) (Bostock / Anderson)

Por Jorge Almeida

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