The Doors: 50 anos de seu ‘debut’

Capa do primeiro disco dos Doors, que completou 50 anos de lançamento no último dia 4 de janeiro
Capa do primeiro disco dos Doors, que completou 50 anos de lançamento no último dia 4 de janeiro

No último dia 4 de janeiro, quarta-feira, o disco de estreia de uma das maiores bandas da história do rock completou 50 anos de seu lançamento. O álbum em questão é o autointitulado “The Doors”. Gravado na segunda metade de agosto de 1966 no Sunset Sound Records, em Hollywood, Califórnia, o play foi lançado pela Elektra e teve a produção assinada por Paul A. Rothchild.

Os Doors tiveram início quando Jim Morrison e Ray Manzarek estudavam na University of California (UCLA) e se encontraram por acaso. Na ocasião, Morrison disse a Manzarek que escrevia músicas e, a pedido do futuro parceiro de banda, cantou “Moonlight Driver”. Impressionado com a letra, Ray sugeriu a Jim para juntos formarem uma banda. Enquanto isso, John Densmore e Robby Krieger tocavam no The Psychedelic Rangers e conheciam Manzarek das aulas de ioga e meditação. Daí, entre uma ou outra troca de integrantes aqui e ali e, em meados de julho de 1965, o alinhamento do que viria a se tornar The Doors estava feito: Morrison, Manzarek, Krieger e Densmore. O nome da banda foi inspirado no título de um livro de Aldous Huxley chamado “The Doors Of Perception”.

Diferentemente da maioria das bandas de rock, os Doors não traziam um baixista nas apresentações ao vivo. Deste modo, Ray era quem tocava as seções de baixo com a sua mão esquerda no recém-inventado Fender Rhodes bass keybord, uma variação do conhecido piano elétrico Fender Rhodes, enquanto as partes correspondentes do teclado eram executados com a sua mão direita. Enquanto isso, nos trabalhos de estúdio, os Doors contavam com os serviços de diversos baixistas, como Jerry Scheff, Harvey Brooks, Lonnie Mack, Leroy Vinegar, entre outros.

A maioria das canções do grupo era composta pelos próprios integrantes, com Morrison ou Krieger a contribuírem com a letra e melodia inicial, enquanto Densmore e Manzarek apresentavam sugestões rítmicas e harmônicas ou até seções inteiras, como a introdução de Manzarek em “Light My Fire“, por exemplo.

No ano seguinte após a formação, os Doors tocava no clube The London Fog e, pouco tempo depois, no clássico Whisky A Go Go. E foi ali que em uma performance realizada em agosto que foram vistos pelo presidente da Elektra Records, Jac Holzman, acompanhado do produtor Paul. A. Rothchild. E, após a dupla da gravadora assistir mais uma apresentação dos Doors, a banda assinou um contrato com a Elektra em 18 de agosto. A partir de então uma longa e bem-sucedida parceria com o Rothchild na produção e Bruce Botnick na engenharia de som se iniciou.

Depois de gravarem o álbum em poucos dias e caírem na estrada, as apresentações do grupo ganharam reputação em função das performances polêmicas e a presença de palco, em especial de Jim Morrison. E um dos momentos mais controversos da história da banda ocorreu quando os censores da CBS exigiram que Morrison trocasse o verso “Girl, we couldn’t get much higher” por “Girl, we couldn’t get much better”, de “Light My Fire”, em uma apresentação no lendário Ed Sullivan Show que ocorreu no dia 17 de setembro de 1967. Porém, Morrison cantou com a letra original e, como o programa era transmitido ao vivo, a CBS não pôde fazer nada. “P da vida”, o apresentador se recusou a cumprimentar os integrantes da banda e nunca mais voltaram ao programa. Na época, uma aparição no Ed Sullivan era sinônimo de impulso para o sucesso. Ray afirmou que, embora o grupo tenha concordado com o produtor de antemão, eles não tinham qualquer intenção de mudar o verso. Dias depois, tocaram o novo single “People Are Strange” para o “DJ Murray The K’s TV Show”.

O disco abre com a clássico “Break On through (To The Other Side)“, com suas batidas que mescla jazz com bossa nova, seguida do repetitivo riff e, claro, o solo de teclado característico de Manzarek. Em que Jim Morrison cantarola para a juventude sair do “obla di obla dá” e ir para o “outro lado”, o “mais sombrio” e “da noite”. Em seguida aparece “Soul Kitchen” que traz o teclado inicial de Ray como um (excelente) cartão de visita. A guitarra de Krieger entra em sintonia com os teclados de Manzarek. O terceiro tema é hipnotizante “Crystal Ship“, que trata-se de uma suposta despedida de um amor de Jim Morrison, Mary Webelo. O Duran Duran fez uma versão em seu álbum de covers “Thank You” (1995). Na sequência, o play traz “Twentieth Century Fox“, que Morrison canta para uma mulher fashion e insensível. O nome da faixa é uma alusão à famosa companhia de cinema e televisão. A quinta faixa é “Alabama Song (Whiskey Bar)“, uma canção escrita por Bertlot Brecht e Kurt Weill composta em 1927 com elementos de blues e foxtrot. A versão original é cantada por Jenny Corless. Nela, Ray Manzarek toca marxophone. Além dos Doors, David Bowie também fez a sua versão. E, para encerrar o lado A do vinil, a música mais famosa do quarteto californiano: “Light My Fire“. O guitarrista Robby Krieger então compõe a melodia, a primeira estrofe e o refrão. Morrison gostou e compôs a segunda estrofe, bem mais sombria e fúnebre que a primeira e, juntos, eles finalizam a letra da música. O tecladista Ray Manzarek inventa então aquela introdução muito doida e aqueles solos eternos e a música ficou com mais de 6 minutos. O presidente da gravadora Jac Holzman disse então que se eles encurtassem a música ela seria com toda certeza um sucesso.

O lado B do LP abre com “Back Door Man“, outro cover gravado pela banda. Composta por Willie Dixon, a versão dos Doors é conduzida pelo teclado de Manzarek e, assim como “Alabama Song“, parece ser uma canção original feita por Jim Morrison e companhia. O termo “back door man“, no contexto, se refere à figura do amante (a pessoa que entra e sai pelas portas do fundo de uma casa), tema bem recorrente ao blues, mas que a partir dos anos 1960 a expressão também passou a ser encarada em duplo sentido ao referir-se a homem que pratica sexo anal. Posteriormente, o disco traz a simplória “I Looked At You“, que fala sobre cumplicidades, semelhanças e sintonias. Já “End Of The Night” aborda a obsessão ao falar sobre a noite. Outra com começo, meio e fim hipnotizantes. A penúltima faixa é “Take It As It Comes” que, embora seja simples, revela a personalidade de Morrison, que a escreveu após assistir uma palestra de Maharishi Mahesh Yogi, o famoso “guru dos Beatles”. A música ganhou uma versão “matadora” feita pelos Ramones em “Mondo Bizarro” (1992). E, para finalizar, a sombria e misteriosa “The End“, considerada a precursora do Jazz Fusion. A “quilométrica” música (que tem mais de 11 minutos) é cheia de significados, fala de vida e morte, enfim, uma forma épica de encerrar um grande disco. A tensa parte falada da música diz: “Pai?/ Sim, filho?/ Eu quero matar-te/ Mãe? Eu quero… foder-te“, com essa última linha falada quase toda inaudível.

Considerado um dos maiores trabalhos de estreia da história, “The Doors” está na lista dos “200 álbuns definitivos” no Rock And Roll Hall Of Fame e já vendeu mais de milhões de cópias apenas nos Estados Unidos.

Obrigatório.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: The Doors
Intérprete: The Doors
Lançamento: 4 de janeiro de 1967
Gravadora: Elektra
Produtor: Paul A. Rothchild

Jim Morrison: voz
Ray Manzarek: órgão, piano, teclados e marxophone em “Alabama Song (Whisky Bar)
Robby Krieger: guitarra e baixo em “Soul Kitchen” e “Back Door Man
Jonh Densmore: bateria

Larry Knechtel (não creditado): baixo em “Twentieth Century Fox”, “Light My Fire”, “I Looked At You” e “Take It As It Comes”

1. Break On Through (To The Other Side) (Morrison / Manzarek / Krieger / Densmore)
2. Soul Kitchen (Morrison / Manzarek / Krieger / Densmore)
3. The Crystal Ship (Morrison / Manzarek / Krieger / Densmore)
4. Twentieth Century Fox (Morrison / Manzarek / Krieger / Densmore)
5. Alabama Song (Whisky Bar) (Brecht / Weill)
6. Light My Fire (Morrison / Manzarek / Krieger / Densmore)
7. Back Door Man (Dixon)
8. I Look At You (Morrison / Manzarek / Krieger / Densmore)
9. End Of The Night (Morrison / Manzarek / Krieger / Densmore)
10. Take It As It Comes (Morrison / Manzarek / Krieger / Densmore)
11. The End (Morrison / Manzarek / Krieger / Densmore)

Por Jorge Almeida

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