Exposição “O Útero do Mundo” no MAM

"Sem Título", obra de feita com cristal, miçanga e lâminas de barbear, de Nazaré Pacheco. Foto: Jorge Almeida
“Sem Título”, obra de feita com cristal, miçanga e lâminas de barbear, de Nazaré Pacheco. Foto: Isis Naura

O Museu de Arte Moderna (MAM) está com a exposição “O Útero do Mundo” em cartaz até o próximo domingo, 18 de dezembro, e traz cerca de 280 obras de 120 artostas, entre pinturas, gravuras, desenhos, fotografias, performances e vídeos, que fazem elogio à loucura e trada da impulsividade humana.

Com curadoria de Veronica Stigger, as obras da exposição pertencem ao acervo do MAM e foram selecionadas em um universo de cinco mil trabalhos da coleção do museu. As obras escolhidas revelam um corpo que não respeita a anatomia e liberto de amarras biológicas e sociais. A aguçada seleção da curadora faz um elogio à loucura, ilustrando esse “corpo indomável” que, embora reprimido pela humanidade, manifesta-se no descontrole, na histeria e na impulsividade.

Na organização da exposição, Stigger recorreu a três conceitos tirados da obra da escritora Clarice Lispector para servirem de fios condutores que separam os trabalhos. São eles: “Grito ancestral”, “Montagem humana” e “Vida primária”.

O primeiro núcleo – “Grito ancestral” – apresentam obras que representam uma série de gritos. Pois, segundo a curadora, “o grito se contrapõe à ponderação e pode ser visto como indício de loucura”. Obras como os três autorretratos da série “Demônios, Espelhos e Máscaras Celetiais”, de Arthur Omar, e “Medusa Marinara”, colagem de Vik Muniz, sintetizam perfeitamente essa parte da mostra.

Já em “Montagem humana” são expostos corpos fragmentados, deformados, transformados e indefinidos, o que comprova a indomabilidade do mesmo, como pode ser visto nos desenhos de Ivald Granto, nas obras intituladas “Mulheres”, de Flavio de Carvalho e o uso da radiologia que permite conferir o interior do corpo humano com os trabalhos de Almir Mivignier e Daniel Senise.

E, em “Vida primária”, as formas de vida mais elementares, como flores, fungos e folhagens ganham vez. “Este tipo de vida desestabiliza a percepção que temos da própria vida porque, de certa maneira, deteriora as coisas do mundo ‘civilizado’”, explana Veronica. A vagina, porta de entrada e de saída do útero, é mostrada em diversos trabalhos como nas gravuras de Rosana Monnerat e de Alex Flemming, nas fotografias da série vulvas, de Paula Trope e na coleção de vulvas metálicas de Franklin Cassaro.

São exibidas, conjuntamente, obras de artistas celebrados como Lívio Abramo, Farnese de Andrade, Claudia Andujar, Flávio de Carvalho, Sandra Cinto, Antonio Dias, Hudinilson Jr., Almir Mavignier, Cildo Meireles, Vik Muniz, Mira Schendel, Tunga, Adriana Varejão e muitos outros, além de duas performances de autoria de Laura Lima.

Entre outros destaques está uma obra “Sem título” (foto), de Nazaré Pacheco, feita com cristal, miçanga e lâminas  de barbear; e também “Ofélia” (1994), um óleo sobre tela, de Dora Longo Bahia.

SERVIÇO:
Exposição: O Útero do Mundo
Onde: Museu de Arte Moderna (MAM) – Parque do Ibirapuera – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – portão 3
Quando: até 18/12/2016; de terça a domingo, das 10h às 18h
Quanto: R$ 6,00; R$ 3,00 (meia-entrada); entrada grátis aos domingos para o público em geral; crianças de até 10 anos e adultos com mais de 65 anos

Por Jorge Almeida

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