Diretoria do Internacional apequenando o clube

Diretoria do Internacional não descarta a possibilidade de ir ao "tapetão" para evitar a queda à Série B dentro de campo
Diretoria do Internacional não descarta a possibilidade de ir ao “tapetão” para evitar a queda à Série B dentro de campo

E na pior semana da história do futebol, enquanto o mundo se mostrou solidário com a perda dos jogadores, comissão técnica, jornalistas e tripulação do voo que levava a Chapecoense para Medelín, o esporte mais amado do Brasil segue com a indefinição sobre a última rodada do Campeonato Brasileiro, o que é compreensível neste momento de luto.

Assim que aconteceu o fatídico acidente da madrugada da última terça-feira (29), a CBF imediatamente adiou o segundo jogo da final da Copa do Brasil entre Grêmio e Atlético Mineiro, que se enfrentariam no dia seguinte, na quarta-feira (30), na Arena do Grêmio, e, consequentemente, a última rodada do Campeonato Brasileiro, que seria disputada no domingo (4). A entidade decretou luto e afirmou que a rodada derradeira do campeonato nacional para o domingo seguinte (11), enquanto a data da segunda partida da decisão da Copa do Brasil segue indefinida.

Dessa forma, todos os clubes, desde o momento do acidente, prestaram homenagens à Chapecoense, prometeram ajudar o clube com empréstimos de jogadores e que, na última rodada, hão de fazer um tributo ao Verdão do Oeste – algumas equipes cogitam usar a camisa da Chape (o Palmeiras, por exemplo, conseguiu o aval de seus patrocinadores e do fornecedor de material esportivo – falta o “sim” da CBF), outros pretendem atuar com o uniforme com as cores do time catarinense e ainda tem os que preferem utilizar um patch com o distintivo da Chapecoense.

E, antes da tragédia com o avião da Chapecoense, o Brasil viu o Palmeiras ser campeão brasileiro com uma rodada de antecedência e também acompanhou o drama das equipes que lutam contra o rebaixamento – mais especificamente Sport, Vitória e Internacional.

Ao longo de sua história no Campeonato Brasileiro, desde 1971, o Internacional vive o seu pior momento na história da competição: luta pela permanência na Série A e está em uma situação delicadíssima. O Colorado é uma das cinco equipes que até hoje nunca haviam disputado a segunda divisão do futebol nacional – os outros quatro são Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo. Dono de três títulos e detentor de uma façanha inédita até hoje na história do Brasileirão – o único campeão invicto do campeonato, em 1979 -, o Internacional chegou a liderar o Campeonato Brasileiro de 2016 nas primeiras rodadas, mas constantes erros de planejamento, em grande parte de sua diretoria que demitiu três técnicos (Argel Fucks, Paulo Roberto Falcão e Celso Roth), se encontra na atual situação desesperadora. Para safar-se da degola, o Inter, com 42 pontos, precisa vencer o Fluminense e torcer contra uma vitória do Sport (com 44) diante do já rebaixado Figueirense. Ou, ainda, derrotar o Tricolor das Laranjeiras por uma boa margem de gols e que o Palmeiras vença o Vitória em Salvador, de preferência por um placar mais elástico já que o Colorado, em caso de vitória, chegará à atual pontuação do rubronegro baiano: 45 e, com a mesma pontuação, partiriam para os critérios de desempate: maior número de vitórias (os dois empatariam nesse quesito, 12 para cada) e, aí sim, o saldo de gols, que hoje deixa o Internacional com -6 e o Vitória com -1. Caso o Colorado vença e o Leão da Ilha empate, quem cairá será o Sport justamente pelo critério de saldo de gols.

Todavia, para desviar o foco de sua incompetência, a desesperada cartolagem do Inter está a apelar para meios que despertam a indignação do torcedor brasileiro, o “tapetão”. Na 36ª rodada, o Internacional perdeu para o Corinthians por 1 a 0, com gol de Marlone, que converteu uma cobrança de pênalti. Inconformado com a derrota, o diretor colorado Fernando Carvalho vociferou aos microfones atribuindo o insucesso de seu time à arbitragem. De fato, o pênalti foi polêmico, mas o diretor reclamou que, segundo o próprio, sempre que o Inter vai a São Paulo, em especial enfrentar o Corinthians, ele é “garfado”. Mas o que o cartola não comentou é que, ao longo de um campeonato em que a arbitragem prejudicou muitos times, sua equipe também fora beneficiada em algumas partidas. Logo, transferiu a responsabilidade para a arbitragem.

A diretoria do Internacional, no ato de seu desespero para fugir da queda à Série B, disse que entrará com ação no STJD contra o Vitória sobre uma suposta irregularidade na inscrição do atleta Vítor Ramos, que já foi apurado anteriormente no Campeonato Baiano e não foi encontrada nenhuma irregularidade. Ou seja, se fosse constada a irregularidade na inscrição, o Inter seria beneficiado com uma eventual perda de pontos da equipe baiana. E, além disso, Fernando Carvalho disse, em outras palavras, que seu clube tem o direito de recorrer ao “tapetão” porque perdeu um campeonato dessa forma (ele se refere ao polêmico Campeonato Brasileiro de 2005 vencido pelo Corinthians, que recuperou quatro pontos nas partidas remarcadas por conta da “máfia do apito”). Todavia, não comentou que o Inter fora beneficiado em 1999 com o caso Sandro Hiroshi. Na ocasião, o Colorado empatou com o São Paulo em 2 a 2 e o Tricolor tinha em seu elenco o jogador Sandro Hiroshi que foi inscrito irregularmente por apresentar falsidade ideológica em relação à sua idade. Com isso, o Internacional ganhou os pontos da partida. Outro beneficiado foi o Botafogo que, em campo, perdeu por 6 a 1 para o Tricolor paulista e ficou com três pontos. Dessa forma, graças a isso, as duas equipes foram isentas da queda. Sobrou para o Gama que entrou em ação na Justiça Comum pleiteando a sua permanência.

E, na terça-feira, dia da tragédia com a delegação da Chapecoense, Fernando Carvalho deu outra declaração infeliz que aumentou ainda mais a antipatia dos torcedores para com o seu clube. Ele comparou à tragédia na Colômbia à “tragédia pessoal” do Inter contra o rebaixamento. Logo, uma comparação imensamente descabida e desnecessária.

Além de Carvalho, outro dirigente que está angustiado com a atuação situação da metade vermelha do Rio Grande do Sul é o presidente Vitório Píffero que, aproveitando o momento de luto, pediu a suspensão da rodada porque “não tem mais clima”. Mas, ao ser questionado se aceitaria o Inter na Série B, o presidente disse “não estou abrindo mão de nada, estou colocando um sentimento. O campeonato estaria incompleto”. Para bom entendedor, isso significa que, caso não aconteça a última rodada, por conta do clima provocado pela morte dos jogadores da Chapecoense, o Internacional entrará com ação na Justiça para assegurar a sua permanência na Série A alegando que o campeonato estaria incompleto. Isso pode ter gerado um mal-estar entre os torcedores, dirigentes de outros times e jornalistas, que poderão interpretar esse posicionamento do presidente em solidariedade às vítimas do acidente aéreo na Colômbia como oportunista.

Em resumo, a diretoria do Internacional está fazendo de tudo para evitar o rebaixamento e querem isso a todo custo nem que seja recorrendo à famigerada virada de mesa. Isso tudo para ocultar a sua responsabilidade e incompetência que marcou o Internacional em todo o campeonato brasileiro. Tais atitudes têm causado indignação até de parte de seus torcedores.

Aí fica uma dica aos cartolas colorados: rebaixamento não significa morte, pode significar o despertar do gigante. Se cair, o Inter não será o primeiro e nem será o último grande a passar por isto. Muitos gigantes do futebol mundial também já amargaram a segunda divisão: Juventus, Bayern de Munique, Manchester United, Atlético de Madrid, River Plate, Corinthians, Palmeiras, Grêmio, entre outros tantos. E hoje estão aí mostrando que, mesmo em um momento conturbado de suas histórias, provaram que são grandes, souberam lidar com isso e deram a volta por cima.

Caros dirigentes, se o Internacional cair para a Série B, a sua grandeza não será reduzida. Pois um clube que tem um Mundial, duas Libertadores, uma Recopa, uma Copa Sulamericana, uma Copa do Brasil, três Brasileiros e dezenas de estaduais não deixará de ser grande. A sua imensidão só diminuirá se partir para medidas mesquinhas como essa de recorrer ao “tapetão” pela permanência. Pois, como o bom torcedor amante de futebol sabe, futebol se ganha dentro de campo.

E, para finalizar, reforço uma mensagem que o jornalista Milton Neves deixou nas redes sociais recentemente: “o Atlético Nacional trocou um título pela grandeza. O Internacional quer trocar a grandeza por uma vaga na Série A“.

Assino embaixo.

Por Jorge Almeida

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