Avião com delegação da Chapecoense cai e deixa mais de 70 mortos

Luto: acidente aéreo com delegação da Chapecoense deixou mais de 70 mortos na Colômbia
Luto: acidente aéreo com delegação da Chapecoense deixou mais de 70 mortos na Colômbia

O Brasil amanheceu de luto nesta terça-feira (29). O avião que levava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, caiu a cerca de 30 quilômetros a cerca da cidade de onde a equipe brasileira enfrentaria o Atlético Nacional no primeiro jogo da final da Copa Sulamericana. A aeronave da companhia LaMia, que levava 77 pessoas – entre jogadores e comissão técnica da Chapecoense, jornalistas, convidados e tripulação – perdeu contato com a torre comando quando sobrevoava as cidades de La Ceja e Aberrojal, à 0h33 de Brasília, e a queda aconteceu à 1h15 no Cerro El Gordo matando 71 pessoas e deixando seis sobreviventes.

Os seis sobreviventes confirmados foram: o goleiro Follmann, o zagueiro Neto, o lateral Alan Ruschel, o jornalista Rafael Henzel e dois membros da tripulação, Ximena Suárez e Erwin Tumiri. O goleiro Danilo foi resgatado com vida, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no hospital para onde foi transferido. Todos os outros 71 corpos foram encontrados pela unidade de resgate local.

No trajeto entre o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, até Medellín, a Chapecoense fez dois voos. O primeiro saiu de São Paulo, às 16h de segunda-feira, com destino a Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia e, depois em um avião de menor porte (modelo conhecido como “Jumbolino”) com capacidade para 95 pessoas, da LaMia, com destino a Medellín. Vale reforçar que a logística planejada pela equipe catarinense era de pegar um voo fretado da empresa boliviana BoA diretamente para a Colômbia, mas a ANAC não liberou a operação porque, para esse tipo de deslocamento, a empresa aérea teria de ser de origem do país de embarque ou desembarque, ou seja, brasileira ou colombiana, e que havia voos comerciais no Brasil que faz essa rota.

Assim que as informações sobre o acidente começaram a ser veiculadas, houve grande comoção de todas as partes do Brasil e do mundo. Torcedores de todos os clubes brasileiros mostraram solidariedade à Chape ao postar mensagens nas redes sociais de luto, consolo e apoio aos familiares dos acidentados, aos torcedores do clube e à agremiação em si. A homenagem não ficou restrita apenas aos torcedores, personalidades do esporte do mundo inteiro, de outros segmentos e entidades esportivas também fizeram questão de deixar o seu tributo à Chapecoense e aos envolvidos na tragédia.

A Conmebol, entidade responsável pela organização da Copa Sulamericana, em uma decisão sensata, imediatamente suspendeu a final da competição. A CBF também já comunicou que o segundo jogo da final da Copa do Brasil entre Grêmio e Atlético Mineiro que seria realizada amanhã, em Porto Alegre, foi adiada, assim como a última rodada do Campeonato Brasileiro, que seria disputada no próximo domingo, dia 4 de dezembro. O Atlético Mineiro, que enfrentaria a Chape na rodada derradeira do BR-16, pediu a anulação da última partida.

As entidades esportivas decretam luto oficial. Inclusive, o presidente Michel Temer, por nota, enviou uma nota de pesar e decretou três dias de luto.

No Brasil, os fanáticos das principais equipes do País sugeriram a ideia de que, cada equipe cedesse um jogador por empréstimo para a Chapecoense se reestabelecer. Ideia que foi imediatamente acatada por muitos times, como Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Palmeiras, São Paulo, Atlético Paranaense, Vasco, Fluminense, Coritiba, Portuguesa e Santos. Há expectativa de que outras agremiações aderem à iniciativa. Inclusive, os clubes estão compartilhando um ofício para enviar à CBF solicitando permissão para ceder gratuitamente à Chape atletas por empréstimo (bancando o salário deles) e também propondo que o Verdão do Oeste se mantido na primeira divisão pelas próximas três temporadas, ou seja, caso a Chapecoense termine as edições seguintes do Brasileiro entre o 17º e 20º lugar, o 16º seria rebaixado em seu lugar. E, lá fora, Benfica, de Portugal; Libertad, do Paraguai; Racing, da Argentina; e o Real Madrid (com o time B) também se propuseram a emprestar atletas.

Outra forma de homenagem sugerida pelos torcedores foi a de que todas as equipes que disputam a Série A do Brasileiro jogassem a última partida do certame com a camisa da Chapecoense – os mandantes usariam o uniforme um e os visitantes utilizariam o uniforme dois. O campeão Palmeiras foi o primeiro que acatou a ideia. Mas aí dependerá da CBF e das demais equipes.

No mundo, houve também homenagens à Chapecoense. Na Espanha, Real Madrid e Barcelona fizeram um minuto de silêncio antes de realizarem os treinamentos. Aliás, a equipe merengue foi além: enviou um ofício à FIFA para permitir que a entidade o autorize a enviar dinheiro e ceder jogadores de seu time B por empréstimo à Chapecoense. E Cristiano Ronaldo também ofereceu do seu próprio bolso um milhão a mais para ajudar.

Na Inglaterra, em Wembley, o arco do estádio foi iluminado com as cores da Chape. E, no Anfield Road, pela FA Cup, Liverpool e Leeds United fizeram um minuto de silêncio em sinal de luto, inclusive os torcedores, que estenderam uma faixa demonstrando solidariedade ao clube brasileiro.

Na América do Sul, mais homenagens. O Racing, da Argentina, informou que na próxima partida contra o Boca Juniors estampará na parte central de sua camisa, um patch com o símbolo da Chapecoense. E o Atlético Nacional, que seria o adversário da Chape na final da Sulamericana, em uma atitude muito nobre, enviou um ofício à Conmebol para que a entidade dê o título da competição para a equipe de Chapecó. A entidade sulamericana irá analisar o pedido e não descarta a possibilidade da Chape disputar a Libertadores de 2017.

Hoje, apesar de a sociedade brasileira se encontrar dividida por conta de ideologias políticas (direita x esquerda; conservadores x neoliberais; “coxinhas” x “petralhas”), se uniu na dor, na solidariedade e no luto pela maior tragédia envolvendo uma entidade esportiva na história. A rivalidade das torcidas também foi deixada de lado. De fato, tem coisas que só o futebol é capaz.

Essa tragédia que aconteceu com a Chapecoense nos fez remeter ao acidente que vitimaram os Mamonas Assassinas, em 1996, pois ambos trazem algumas coincidências: queda de avião durante a madrugada, envolveram jovens, ambos (banda e clube) estavam em pleno auge e comoveram o País.

A Chapecoense vivia um momento mágico em sua história. Clube relativamente jovem (tem apenas 43 anos de existência), o Verdão do Oeste conquistou cinco Campeonatos Catarinenses (1977, 1996, 2007, 2011 e 2016), um vice-campeonato da Série B do Campeonato Brasileiro (2013). Em 2009, disputou a Série D do campeonato nacional, subiu para a Série C no ano seguinte, onde permaneceu até 2012 quando subiu à Série B e, desde 2014, se mantém na Série A e, agora em 2016, chegou à inédita decisão sulamericana. Detalhe: todos esses acessos conquistados dentro de campo.

A carismática Chapecoense conseguiu a simpatia de todos os torcedores dos clubes da Série A que, inclusive, estavam na torcida pelo clube na Copa Sulamericana.

A seguir, a relação das pessoas que estiveram no voo do trágico acidente.

Jogadores da Chapecoense: Alan Ruschel, Ananias, Arthur Maia, Bruno Rangel, Canela, Cleber Santana, Danilo, Dener, Filipe Machado, Follmann, Gil, Gimenez, Josimar, Kempes, Lucas Gomes, Marcelo, Mateus Caramelo, Matheus Biteco, Neto, Sérgio Manoel, Tiaguinho e William Thiego.

Comissão técnica da Chapecoense: Caio Júnior, Duca, Pipe Grohs, Anderson Paixão, Anderson Martins, Dr. Marcio, Gobbato, Cocada, Serginho, Serginho, Adriano, Cleberson Silva, Maurinho, Cadu, Chinho di Domenico, Sandro Pallaoro, Cezinha e Giba.

Diretoria: Nilson Folle Júnior, Decio Burtet Filho, Edir de Marco, Ricardo Porto, Mauro dal Bello, Jandir Bordignon e Dávi Barela Dávi.

Convidado: Delfim Peixoto Filho.

Imprensa: Victorino Chermont, Rodrigo Gonçalves, Devair Paschoalon, Lilacio Júnior, Paulo Julio Clement, Mario Sergio Pontes de Paiva, Guilherme Marques, Ari Júnior, Guilherme Laars, Giovane Klein, Bruno Silva, Djalma Neto, André Podiacki, Laion Espindula, Rafael Henzel, Renan Agnolin, Fernando Schardong, Edson Ebeliny, Gelson Galiotto, Douglas Dorneles e Jacir Biavatti.

Tripulação: Miguel Quiroga, Ovar Goytia, Sisy Airas, Romel Vacaflores, Ximena Suarez, Alex Quispe, Gustavo Encina, Erwin Tumiri e Angel Lugo.

E, para finalizar, menciono a frase do jornalista Thiago Reis, de Belo Horizonte, que define perfeitamente a sensação deste que vos escreve: “Pra quem não gosta de futebol parece uma tragédia chocante. Mas nós que amamos o esporte parece que perdemos alguém da família. Dia horrível!” (sic).

Hoje o futebol não tem uma camisa, uma cor e um hino.

Que Deus os acolha em sua morada e que conforte os familiares e amigos dos que partiram.

#ForçaChape

Fonte: Globoesporte.com

Por Jorge Almeida

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