Analisando a biografia de Peter Criss, ex-baterista do Kiss

Capa de "Makeup To Breakup", a biografia do ex-baterista do Kiss, Peter Criss
Capa de “Makeup To Breakup”, a biografia do ex-baterista do Kiss, Peter Criss

Lançado em 2012 nos Estados Unidos e em 2013 no Brasil – pela editora Lafonte, o livro “Makeup To Breakup – Minha Vida Dentro e Fora do Kiss” trata-se de autobiografia do ex-baterista da formação original (e clássica) do Kiss, Peter Criss. A obra teve a co-autoria assinada por Larry “Ratso” Sloman e, obviamente, traz revelações do músico e os bastidores da banda que ajudou a formar com Gene Simmons, Paul Stanley e Ace Frehley.

Com 21 capítulos (fora a introdução, agradecimentos e epílogo) distribuídos em mais de 380 páginas, o livro já abre com o relato de Peter em que ele escreveu que inseriu o cano de sua Magnum .357 na boca em uma tarde de 17 de janeiro de 1994, na Califórnia, sob os escombros do grande terremoto de Narthridge, porém, desistiu da estúpida ideia de puxar o gatilho.

A obra segue contando a história de seu protagonista, George Peter John Criscoula nascido a 20 de dezembro de 1945, no Brooklyn, em Nova York, onde cresceu. Como todo jovem da época, isso nos anos 1950 e 1960, passou por diversos problemas comuns na região: envolvimento com gangues, dando e levando surras, se metendo com gente “barra-pesada” até encontrar na bateria uma motivação. Com apoio da família e na inspiração no ídolo Gene Kruppa, George mergulhou nas baquetas e tocou em tudo quanto é grupo.

Até que um dia pôs um anúncio na revista Rolling Stone com os dizeres: “Baterista disponível topa tudo”. E isso despertou interesse da dupla Gene Simmons e Paul Stanley. Estava a começar a história de uma das maiores bandas da história, o Kiss. Depois veio Ace Frehley e os quatro, juntos, deu liga e, após um início bastante difícil, o Kiss estourou e se tornou mundialmente conhecida por conta de seus espetáculos pirotécnicos, atuações teatrais inspiradas em Alice Cooper e as maquiagens estilo kabuki.

O estilo de tocar de Criss casou-se perfeitamente com o rock básico apresentado pelo Kiss. No entanto, as drogas e o álcool entraram em cena e a magia do quarteto foi se deteriorando e levou a saída do baterista ainda no final dos anos 1970 e, depois, de Ace. A saída do baterista foi motivada pelo abuso de drogas, além de sua instabilidade emocional e de um arruinado casamento.

Com a sua voz rouca característica, Peter também contribuiu com músicas que se tornaram clássicos na história do Kiss ao deixar para eternidade registros de sua voz em temas como “Black Diamond”, “Hard Luck Woman” e, claro, “Beth”, a sua maior obra autoral.

Após a sua saída do Kiss, a sua saúde financeira, nos anos seguintes foi de mal a pior – e que fique bem claro que ele não chegou a virar mendigo, como muitas teorias conspiratórias dizem por aí -, até que voltou para a reunião da formação original no fim da década de 1990, o que culminou na gravação de “Psycho Circus” e uma turnê mundial. Mas, o seu lado egocêntrico o fez sair novamente do Kiss. Peter Criss destaca um capítulo inteiro de sua fé e o companheirismo de sua atual mulher.

Para os fãs do Kiss, a obra é interessante, claro, mas, ao mesmo tempo, o livro mostra que Peter tentou passar a impressão de que ele foi a “vítima” das brigas entre os integrantes do grupo. O músico não poupa críticas aos ex-companheiros, insinuando, por exemplo, a sexualidade de Paul Stanley, que Gene Simmons é um “porco misógino” e dissimulado que só quer saber de dinheiro, e que Ace Frehley é um traidor e “porra-louca”. OK, está certo que Gene e Paul não são a madre Tereza de Calcutá, mas o pulso firme dos dois ajudaram a manter o Kiss na estrada há mais de 40 anos sem deixar o grupo cair no esquecimento.

Em “Makeup To Breakup” há muitas histórias engraçadas e curiosidades de bastidores sim, mas o abuso nas drogas – que foi sua fonte de alimentação por anos e que contribuiu drasticamente para sua decadência -, as séries de decisões erradas e o caos financeiro foram jogados por Peter Criss nas costas de Gene e Paul. Ou seja, no livro, usou a velha fórmula de perseguição, não assumiu os próprios erros, enfim, se fez no papel de vítima em toda a obra.

Vale a pena ler o livro sim, mas, só devemos tomar cuidado como verdade absoluta na obra, em especial em se tratando da parte relacionada ao Kiss, já que não tem como provar nada e que, além disso, só há um lado da história relatado.

A seguir, a ficha técnica do livro:

Livro: Makeup To Breakup – Minha Vida Dentro e Fora do Kiss
Autores: Peter Criss com Larry “Ratso” Sloman
Editora: Lafonte
Número de páginas: 384
Ano de lançamento: 2013 (versão em português)
Preço médio: R$ 35,00

Por Jorge Almeida

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