Arnaldo Antunes: 20 anos de “O Silêncio”

Capa de "O Silêncio" (1996), o terceiro disco da carreira solo de Arnaldo Antunes
Capa de “O Silêncio” (1996), o terceiro disco da carreira solo de Arnaldo Antunes

Neste ano, o terceiro disco de estúdio de Arnaldo Antunes, “O Silêncio”, completa 20 anos de seu lançamento. Lançado pela BMG e produzido por Mitar Subotic, o play é caracterizado pelo pop-rock que marcou a sua ex-banda, os Titãs.

Quando os Titãs optaram seguir uma linha mais pesada ao gravar o pesado “Titanomaquia” (1993), com as letras escatológicas, o insatisfeito Arnaldo Antunes tirou o seu time de campo. Afinal, o que a banda na qual foi integrante por dez anos estava a produzir era uma coisa bem distante do que ele queria fazer. Logo, a solução foi a eminente carreira solo.

Em 1993, foi lançado o seu primeiro trabalho em uma nova fase: “Nome”. Com 23 faixas e uma sonoridade um pouco esquisita e letras inspiradas na poesia concreta, os velhos fãs dos Titãs não entenderam bem o propósito e acharam tudo muito estranho. O trabalho seguinte – “Ninguém” (1995) – embora seja um disco ainda mais difícil, já dava uma pinta de ser mais pop, como pode ser visto na canção “Alegria”, “Ninguém” e “Fora de Si”.

Mas foi no ano seguinte com o álbum “O Silêncio”, que Arnaldo Antunes foi transportado para uma sonoridade mais pop-rock que tinha um estilo mais próximo aos dos Titãs que, naquela época, estava em turnê como o bom “Domingo” (1995). Canções como “Macha Fêmeo” e “Que Te Quero” traduzem bem essa sonoridade.

Contudo, o grande trunfo do disco foi o fato de o ex-titã ter transitado por gêneros musicais diferenciados, como o reggae em “O Buraco”, o rockabilly em “Poder” e um rap-rock em “Inclassificáveis”, que tem a participação especial de Chico Science e que foi regravada por Ney Matogrosso. Outro destaque fica por conta da versão de “Juízo Final”, um clássico de Nelson Cavaquinho.

Aliás, o videoclipe de “Poder”, que tem a direção de Tadeu Jungle – que é co-autor da música -, embora seja mais curto do que a canção gravada, é muito bom e está recheado de gente ilustre que vão desde Paulo Miklos, Nando Reis, Sérgio Britto e Charles Gavin, seus ex-companheiros de Titãs a Jorge Ben Jor, e também gente como Rodolfo (ex-Raimundos), Frejat, André Abujamra, Samuel Rosa, entre outros.

A bem sucedida parceria com Carlinhos Brown se faz presente no disco através da faixa-título e a participação do instrumentista em “Desce (Versão 2)” e em “O Silêncio”.

Aliás, a formação do disco é composta por Arnaldo Antunes (voz), Edgard Scandurra (guitarra), Pedro Ito (bateria), Paulo Tatit (baixo) e Zaba Moreau (teclados e backing vocal).

O trabalho ainda tem mais duas versões de “O Silêncio”: uma remixada por Luis Paulo Serafin e produzida por Dudu Marote, e a versão acústica produzida por Arnaldo Antunes e banda.

O Silêncio” ainda não pode ser considerado o melhor trabalho de Arnaldo Antunes, mas, possivelmente, foi a partir dele que a carreira do ex-titã decolou e o disco é fundamental para quem quer iniciar os seus conhecimentos no universo “arnaldístico”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: O Silêncio
Intérprete: Arnaldo Antunes
Lançamento: 1996
Gravadora: BMG
Produtor: Mitar Subotic

Arnaldo Antunes: voz, sampler e programação de ritmo
Edgard Scandurra: guitarra, backing vocal, violão de aço e percussão em “Eva e Eu” e violão em “O Silêncio (versão acústica)
Pedro Ito: bateria, calimba em “Eva e Eu”, latas e chocalho em “Juízo Final” e percussão em “O Silêncio (versão acústica)
Paulo Tatit: baixo, violão em “E Estamos Conversados”, em “Desce (Versão 1)” e em “O Silêncio (versão acústica)” e violão de nylon em “Eva e Eu
Zaba Moreau: teclados, backing vocal e sampler em “O Silêncio

Chico Science: voz em “Inclassificáveis
Carlinhos Brown: djembê, tambor de couro, aderbaque e vocais em “O Silêncio”, cajón, caixa, matraca e agogô em “Desce (Versão 2)
Peter Price: percussão em “Que Te Quero
Arnaldo A. Nora Antunes: arranjo de cordas (sampler) em “Desce (Versão 1)
Mitar Subotic: sampler em “O Silêncio”, teclados em “Poder”, sanfona em “Eva e Eu”, programação de ritmo em “Macha Fêmeo”, “Inclassificáveis” e “O Buraco
Pedro Cortez: voz e guitarra adicionais em “O Silêncio (Remix Versão Brown)
Fabinho: viola em “O Silêncio (versão acústica)
Lua, Bel, João, Tati, Taís, Rosa, Celeste e Miguel: coro das crianças em “O Silêncio

1. O Silêncio (Arnaldo Antunes / Carlinhos Brown)
2. E Estamos Conversados (Paulo Tatit / Arnaldo Antunes)
3. Poder (Arnaldo Antunes / Tadeu Jungle)
4. Eva e Eu (Péricles Cavalcanti / Arnaldo Antunes)
5. Macha Fêmeo (Paulo Tatit / Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer)
6. Inclassificáveis (Arnaldo Antunes)
7. Que Te Quero (Edgard Scandurra / Peter Price / Arnaldo Antunes)
8. Desce (Versão 1) (Arnaldo Antunes)
9. Juízo Final (Nelson Cavaquinho / Élcio Soares)
10. O Que Swingnifica Isso? (Arnaldo Antunes)
11. O Buraco (Arnaldo Antunes)
12. Desce (Versão 2) (Arnaldo Antunes)
13. O Buraco do Espelho (Edgard Scandurra / Arnaldo Antunes)
14. O Silêncio (Remix Refrão Brown) (Arnaldo Antunes / Carlinhos Brown)
15. O Silêncio (versão acústica) (Arnaldo Antunes / Carlinhos Brown)

Por Jorge Almeida

 

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