Exposição “Doze Pinturas Negras” no MIS

O Museu da Imagem e do Som (MIS) promove até a próxima quinta-feira, 8 de setembro, a exposição “Doze Pinturas Negras”, um projeto audiovisual do espanhol Ángel Haro, que é uma dramatização da obra homônima de seu compatriota, Francisco de Goya (1746-1828).

Goya influenciou o movimento impressionista com trabalhos excepcionais como pintor da Corte Real Espanhola. As gravuras e Pinturas negras estão além do que diz sobre à técnica e a temática.

Além de apontarem o início do Surrealismo e Expressionismo do século XX, expõe o clima sociopolítico da Espanha de então ao explorar a psique e os conflitos internos e externos do país. Goya revelou alguns fatos que não faziam parte do discurso oficial espanhol, descobrindo, assim, novo uso para sua arte: a pintura enquanto forma de denúncia.

As Pinturas negras provocaram o regime político da época e, ao sobreviverem à Inquisição e se tornarem patrimônio cultural contemporâneo, representam um grito que não é facilmente emudecido. Nascidos da condição isolada do artista então surdo e vivendo em sua Quinta del Sordo, nos arredores de Madri, os conflitos internos de Goya não eram independentes das ocasiões políticas que o cercavam. Cinquenta anos após a partida de Goya para a França, em 1874, o barão Emile d’Erlanger, novo proprietário da Quinta del Sordo, comissionou o francês Jean Laurent para fotografar os murais que adornam várias das salas da propriedade. Essas fotografias serviram de guia para transferir os trabalhos para a tela possibilitando, assim, a restauração posteriormente feita por Salvador Martínez Cubells. Strappo, o processo de separação adotado por Cubells, é uma técnica agressiva que não garante a efetiva transferência de tinta e requer extensivo trabalho nas imagens. Isso significa que as obras que vemos hoje em Prado não são exatamente aquelas que Goya pintou nas paredes da Quinta del Sordo, pelo menos no que diz respeito à sua qualidade plástica.

O artista multimídia Ángel Haro partiu das fotografias de Laurent para reinterpretar as Pinturas negras, criando uma análise do gesto e do impulso físico presente nas obras. Em cada peça audiovisual o artista alude aos diversos métodos pictóricos empregados por Goya e traduz sua gestualidade em vários registros de movimento, luz, figurino e maquiagem. Todas as cenas foram captadas em alta resolução com câmeras HD 4K e utilizando sistema de chroma key.

SERVIÇO:
Exposição: Doze Pinturas Negras
Onde: Museu da Imagem e do Som (MIS) – Avenida Europa, 158 – Jardim Europa
Quando: até 08/09/2016; de terá a sábado, das 12h às 20h, domingos e feriados, das 11h às 19h
Quanto: entrada gratuita (1º andar)

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