Portugal: campeão da Eurocopa 2016

Jogadores portugueses comemoram a conquista histórica no gramado do Stade de France. Foto: Philippe Dasmazes/AFP
Jogadores portugueses comemoram a conquista histórica no gramado do Stade de France. Foto: Philippe Dasmazes/AFP

Com gol de Éder, aos quatro minutos do segundo tempo da prorrogação, Portugal derrotou a França por 1 a 0 neste domingo (10), no Stade de France, em Saint-Denis, e conquistou pela primeira vez em sua história a UEFA Euro. Os portugueses, além de encararem os favoritos franceses, ainda sofreram com a saída repentina de seu principal jogador, Cristiano Ronaldo, na metade do primeiro tempo após se machucar depois de uma entrada dura de Payet. A conquista foi o primeiro título de Portugal em competições oficiais de grande relevância. A conquista garantiu a Seleção das Quinas, a vaga para a próxima Copa das Confederações, que será disputada em 2017, na Rússia.

Os franceses entraram em campo favoritos pelo fato de jogarem em casa diante de seu torcedor e também que, tecnicamente, são melhores que o selecionado português. E, no primeiro tempo, quem criou a inaugurou a série de finalizações no jogo foi Portugal, com Nani, aos quatro minutos. Depois um lançamento longo, o camisa 17 dominou no peito e bateu da entrada da área, mas a bola passou por cima do travessão de Lloris. Em seguida, como já era de se esperar, os anfitriões pressionaram os lusos.

Para complicar de vez a situação de Portugal, aos sete minutos, Cristiano Ronaldo sofreu uma forte pancada no joelho de Payet. o gajo ficou no chão, sentiu muitas dores e saiu mancando para atendimento médico. A contusão de CR7 preocupou muito os portugueses. Enquanto os patrícios ficavam ansiosos para saberem se o seu principal jogador voltaria ou não a campo, entrou em ação a estrela do goleiro Rui Patrício. Aos nove, Payet levantou na área para Griesmann, que deu uma “casquinha” na bola e obrigou o guarda-redes lusitano a fazer uma grande defesa ao deu uma tapinha para escanteio. Na cobrança do corner, Giroud testou firme e o camisa 1 defendeu sem dar rebote.

Cristiano Ronaldo voltou a campo, mancando, mas bem marcado, pouco tocou na redonda. E, aos 16, desabou no gramado aos prantos. Tentou voltar, porém, só aguentou mais sete minutos e precisou ser substituído por Quaresma. Enquanto a incógnita sobre CR7 permanecia, os Bleus levaram perigo aos 21 com Sissoko, que soltou uma pancada, mas a esférica desviou na defesa e saiu pela linha de fundo. No lance seguinte, Adrien Silva aproveitou o corte parcial da zaga francesa e emendou de primeira, mas mandou direto pela linha de fundo.

Desfalcados de seu principal jogador, os aguerridos portugueses seguiram, na base da determinação, conter os eufóricos franceses. Aos 33, Payet dominou na esquerda e tocou para Sissoko. O camisa 18 deu um drible de corpo, girou para cima dos marcadores e arriscou, mas Rui Patrício espalmou e a zaga rasgou de qualquer maneira.

Com maior domínio no jogo, a França foi mais incisiva, especialmente com Sissoko, mas a determinação de Portugal impediu o ímpeto dos donos da casa no primeiro tempo. As duas esquipes tiveram chances, mas as mais agudas foram as dos franceses.

Na etapa complementar, a partida não mudou muito. A França foi mais perigosa e criou mais chances, todavia, Rui Patrício estava inspirado. O goleiro pegou um chute cruzado de Griezmann, aos 12. Na ocasião, Coman, que entrou no lugar de Payet, que foi vaiado pela torcida portuguesa, deu o passe para o camisa 7. A entrada de Coman foi justamente para forçar o segundo cartão amarelo de Cédric, uma vez que ele ficou encarregado de fazer jogadas individuais e tentar arrancar a expulsão do lateral português.

A França teve outra grande oportunidade aos 20. Pogba lançou Coman pela esquerda, que dominou e cruzou para a cabeça de Griezmann, mas o camisa 7 mandou pela linha de fundo. Sete minutos depois, Coman ganhou na dividida, rolou para Giroud, que invadiu a área pela esquerda e chutou forte para Rui Patrício mergulhar e salvar a pátria.

Os lusitanos também tiveram uma ótima ocasião no jogo. Aos 34, Nani cruzou da direita e, por pouco não enganou Lloris, que precisou dar uma tapa para o meio da área. Na sobra, Quaresma emendou um voleio para o goleiro francês fazer uma segura defesa. Pouco tempo depois, mais uma vez Rui Patrício entrou em ação. Sissoko avançou em velocidade pela direita, soltou a bomba e o arqueiro se esticou e salvou Portugal mais uma vez.

E o heroísmo lusitano não acabou por aqui. Nos minutos finais, os comandados de Didier Deschamps, por pouco, quase abriram o placar. Primeiro aos 44, quando Sagna cruzou pela direita e Gignac não conseguiu desviar a bola antes da intervenção de Rui Patrício. E o mesmo Gignac teve a “bola do jogo” quando recebeu a bola na grande área, fintou Pepe e finalizou rasteiro, mas a redonda caprichosamente explodiu na trave. E, assim, a decisão da Eurocopa foi para a prorrogação.

Nos 15 minutos iniciais do tempo extra, talvez, vencidos pelo cansaço, a partida ficou carregada e tensa ao longo do período. E quem dessa vez teve uma excepcional oportunidade foi Portugal, aos 13. Quaresma cobrou escanteio pela direita, Éder subiu para cabecear para Lloris, no reflexo, espalmar e a defesa cortar na sequência.

Acostumados a encarar a prorrogação (foram duas antes de chegar a decisão), Portugal demonstrara mais confiança no segundo tempo extra. Aos dois minutos, Raphael Guerreiro cobrou falta, a redonda viajou e bateu no travessão, no chão e não entrou. No entanto, o lance que originou a cobrança da falta, o árbitro inverteu a falta, uma vez que Éder tocou com a mão na bola, mas o juiz marcou falta de Koscielny no lance.

Mas o destino jogou a favor dos lusitanos. No minuto seguinte, Éder recebeu sozinho na interdiária: ele dominou, levou para o meio e bateu de fora da área no canto direito de Lloris, que não conseguiu evitar. Gol de Portugal.

Depois do tento, a França até tentou partir para cima, mas a disciplina e a eficiência marcação portuguesa prevaleceram e, dessa forma, conseguiram administrar o resultado até o fim. E, com Cristiano Ronaldo, de volta, mas no banco de reservas atuando praticamente como auxiliar técnico de Fernando Santos, finalmente, Portugal conseguiu o seu primeiro título de expressão.

Os franceses fizeram uma bela festa para a final da Eurocopa. Afinal, tinha tudo conspirando a seu favor: jogava em casa, tinha a torcida a seu favor, jogadores mais qualificados, mais descansados, uma vez que o adversário vinha de duas prorrogações e decisão por pênaltis ao longo da competição e, para aumentar ainda mais esse panorama favorável, Portugal perdera o seu principal jogador ainda na metade do primeiro tempo. No entanto, os comandados de Fernando Santos foram implacáveis na obediência tática e, na raça, conseguiram controlar os anfitriões. Tudo estava desenhado para que os portugueses esperassem os franceses irem para o ataque para buscar os contragolpes com o seu principal jogador. No entanto, apesar da perda lamentável de CR7, os lusitanos não se abalaram e conseguiram encarar os Bleus. Cristiano Ronaldo havia prometido que faria de tudo para ficar com a taça, mas, por conta de sua saída, o principal nome português na partida foi o goleiro Rui Patrício, que pegou tudo. E o predestinado Éder, que entrou no lugar do jovem Renato Sanches.

Essa Eurocopa serviu para quebrar alguns tabus: a Alemanha, que nunca havia eliminado a Itália em competições oficiais, avançou no confronto com a Squadra Azzura. Já os atuais tetracampeões mundiais, por sua vez, sempre levaram a melhor diante da França em mata-mata de competições oficiais, mas voltaram para casa após perderem para os donos da casa. E, por fim, a França, que sempre foi uma pedra de sapato de Portugal, perdeu a decisão diante de seu torcedor para a equipe lusitana.

Assim, Cristiano Ronaldo e companhia entrarão para a história do País e o gajo tem tudo para ser, mais uma vez, ser eleito o melhor jogador do mundo. E Portugal está de parabéns, pois, pela campanha que fez, o título, pode-se dizer que, literalmente foi suado. Uma vez que, ainda na primeira fase, os portugueses estavam sendo eliminados até os 17 minutos do segundo tempo no eletrizante jogo contra a Hungria, mas o gol de empate de Cristiano Ronaldo, deu sobrevida à sua seleção e o empate em 3 a 3 diante dos húngaros ajudou a classificar Portugal como uma dos quatro melhores terceiros colocados por índice técnico. Nas oitavas-de-final, outro empate no tempo normal (na fase de grupo foram três empates) contra a Croácia, mas o gol de Quaresma a três minutos do fim da prorrogação classificou os portugueses para as quartas-de-final. Na fase seguinte, os lusos mediram forças contra os poloneses, do artilheiro Lewandowiski que, inclusive, abriu o placar logo aos dois minutos, mas Renato Sanches empatou aos 33. Os dois gols aconteceram no primeiro tempo. Depois, a partida seguiu com o placar inalterado até a prorrogação, que terminou empatada também. Na disputa por pênaltis, Portugal levou a melhor e bateu a Polônia por 5 a 3. Nas semifinais, o adversário foi o surpreendente País de Gales, de Gareth Bale. No entanto, diante dos galeses, os gajos conseguiram um triunfo mais tranquilo: 2 a 0, com os gols saindo no segundo tempo. E, na grande final, conseguiram superar o favoritismo francês e, na prorrogação, o destino premiou Éder como o autor do gol mais importante da história de Portugal.

A Eurocopa terminou com o francês Griezmann como artilheiro do certame, com seis gols. E o brasileiro naturalizado português Pepe foi eleito o melhor jogador da final.

A seguir, o resumo da campanha do campeão e a ficha técnica da final.

Primeira fase (Grupo F):
14/06/2016 – Portugal 1×1 Islândia – Stade Geoffroy-Guichard, Saint-Étienne
16/06/2016 – Portugal 0x0 Áustria – Parc des Princes, Paris
27/06/2016 – Hungria 3×3 Portugal – Parc Olympique Lyonnais, Lyon
Oitavas-de-final:
25/06/2016 – Croácia 0x1* Portugal – Stade Félix-Bollaert, Lens
Quartas-final:
30/06/2016 – Polônia (3)1×1(5) Portugal – Stade Vélodrome, Marselha
Semifinais:
06/07/2016 – Portugal 2×0 País de Gales – Parc Olympique Lyonnais, Lyon
Final:
10/07/2016 – Portugal 1×0 França* – Stade de France, Saint-Denis
* Na prorrogação
** Nos pênaltis

FICHA TÉCNICA: PORTUGAL 1×0 FRANÇA
Competição/fase: UEFA Euro (Eurocopa) 2016 – final (jogo único)
Local: Stade de France, Saint-Denis, França
Data: 10 de julho de 2016 – 16h (horário de Brasília)
Público: 75.868 pessoas
Árbitro: Mark Clattenburg (Inglaterra)
Cartões Amarelos: Cédric, João Mário, Raphael Guerreiro, William Carvalho e Rui Patrício (Portugal); Umtiti, Matuidi e Koscielny (França)
Gol: Éder, aos 4 minutos do 2º tempo da prorrogação
PORTUGAL: 1.Rui Patrício; 21.Cédric, 3.Pepe, 4.José Fonte e 5.Raphael Guerreiro; 14.William Carvalho, 16.Renato Sanches (9.Éder), 23.Adrien Silva (8.João Moutinho) e 10.João Mário; 17.Nani e 7.Cristiano Ronaldo (20.Quaresma). Técnico: Fernando Santos
FRANÇA: 1.Lloris; 19.Sagna, 21.Koscielny, 22,Umtiti e 3.Evra; 14.Matuidi, 18.Sissoko (11.Martial), 15.Pogba e 8.Payet (20.Coman); 7.Griezmann e 9.Giroud (10.Gignac). Técnico: Didier Deschamps

Parabéns para a Seleção Portuguesa de Futebol pela conquista

Por Jorge Almeida

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