Os “7 a 1” não foi “apagão”. É a realidade

A calamitosa situação do futebol brasileiro
A calamitosa situação do futebol brasileiro

O Brasil perdeu por 1 a 0 para o Peru em partida válida pela primeira fase da Copa América Centenário na noite deste domingo (12) nos Estados Unidos e deu adeus à competição. Com gol irregular de Rui Díaz (o peruano usou a mão para balançar as redes), o Peru passou o Brasil na classificação do grupo B e chegou aos sete pontos, enquanto o selecionado canarinho estacionou nos quatro. Além de ver o Equador ficar com a segunda colocação com cinco. Assim, de forma calamitosa, os comandados de Dunga ficaram em terceiro lugar em um grupo formado por Brasil, Peru, Equador e Haiti. E de quem é a culpa pelo fiasco? Vamos por partes.

Dunga

O capitão do tetra, talvez, seja o menos culpado. Pois, primeiramente, não tem perfil de treinador para comandar uma seleção. Como definiu bem Alberto Helena Júnior, “sem o mínimo preparo técnico e intelectual para o ofício”. Além da arrogância, desde a sua primeira passagem pela Seleção até 2014, só comandou o Internacional e, por lá, não conseguiu nada mais do que um mísero Campeonato Gaúcho. Ou seja, no período entre as duas passagens pelo selecionado nacional não se preparou (ou a preparação não foi suficiente) para estudar mais para exercer tal função.

Jogadores

Sim, todos têm participação nisso. Atletas sem carisma, mimados e soberbos, que estão mais preocupados em agradar empresários e o próprio bolso e que, em seus clubes, principalmente na Europa, possuem papeis com certo destaque, mas em outros casos, são meros coadjuvantes e, quando dependem só de si, no caso na Seleção Brasileira, é isso que vimos ontem: fiasco. Além disso, a safra de formação de jogadores está péssima. Muitos jogadores do selecionado atual não serviriam nem para compor elenco em outras épocas. Neymar, por exemplo, que é o maior jogador dessa atual geração, talvez, seria figurante na seleção de 1982 que, embora não tenha levado a Copa do Mundo, era repleta de craques.

CBF e clubes

Talvez, são os maiores culpados pela situação periclitante do futebol brasileiro. A entidade máxima do futebol brasileiro já errou ao chamar Dunga para reassumir a Seleção. Outros treinadores mais preparados poderiam assumir o Brasil após a queda de Felipão, como Muricy Ramalho e Tite, por exemplo. Além disso, depois que o futebol se tornou algo milionário, como destacou bem Milton Leite em sua página no Facebook, o Brasil “tem uma administração péssima e corrupta” há muitos anos. E, ainda, de acordo com o narrador, “os clubes têm a sua parcela de culpa por não acabar com os mandos e desmandos da CBF” (e também da Rede Globo, isso Milton, obviamente, não mencionou). As categorias de base dos clubes, nos tempos atuais, tornou-se um verdadeiro balcão de negócios, preparando atletas apenas visando o lucro de seus empresários gananciosos e despreparados. Tanto que muitos jovens têm os primeiros passos na carreira futebolística nos clubes brasileiros, sejam eles pequenos ou grandes, e já são levados logo para fora antes mesmo de chegar ao profissional.

Muitos podem alegar que o fracasso da Seleção pode ser atribuído ao calendário. Balela. Por mais que aleguem isso, não justifica. Uma vez que os (mimados) jogadores atuais têm melhores estruturas para praticar o seu ofício do que os de antigamente. Em outros tempos, em condições estruturarias inferiores, clubes bem administrados e organizados montavam bons times e abocanhavam muitos títulos, vide o Santos de Pelé e o Flamengo de Zico, por exemplo. E destaco dois casos: o São Paulo de Telê Santana, que ganhou praticamente tudo na primeira metade da década de 1990 (quem não se lembra de Juninho Paulista entrando em campo duas vezes com a camisa tricolor em 1994 enquanto seu time disputava duas competições simultâneas – Copa Conmebol e Campeonato Brasileiro?). Ou o Grêmio de Felipão que, no primeiro semestre de 1995, chegou às finais do Copa do Brasil, do Campeonato Gaúcho e da Libertadores, e levou as duas últimas? Ou seja, calendário não é desculpa.

Vale destacar também que o torcedor está perdendo o interesse no futebol brasileiro. Por exemplo, vide os jovens que preferem acompanhar mais os times europeus de ponta do que as principais equipes brasileiras ou, ainda, o que levou a final da UEFA Champions League a ter mais audiência do que um clássico.

Os 7 a 1 aplicados pela Alemanha na Copa do Mundo de 2014 não foi um “apagão”, foi um choque de realidade. Foi como se os alemães tivessem “desmascarado” a crítica situação do futebol brasileiro para o mundo, que só tinha fachada, um exemplo ideal de “mostrar o lixo que estava debaixo do tapete”. Infelizmente, os cartolas acham que pelo mundo afora a Seleção Brasileira, que teve a camisa mais temida do futebol, continua sendo como tal, sendo que, na realidade, se tornou apenas “mais uma”.

Mas, voltando ao jogo desta noite, não adianta virem responsabilizar o erro de arbitragem pelo fracasso. Pois, em outros tempos, o Brasil faria quatro ou cinco a um no Peru em ritmo de treino. Fora isso, o selecionado peruano ainda não teve um pênalti marcado a seu favor. Sem contar o fato de que o Brasil fora beneficiado pelo erro grosseiro do árbitro no jogo contra o Equador que, se não fosse por isso, a Seleção teria perdido por 1 a 0 para os equatorianos.

As vexatórias eliminações na Copa América de 2015 e, agora, de 2016, são um sinal de alerta para 2018. Afinal, do jeito que andam as coisas, uma possível não classificação do Brasil para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, pelas circunstâncias que o futebol brasileiro estão a tomar não seria nenhum absurdo. Se isso vier a ocorrer, o que seria inédito, aí sim estaremos, em definitivo, “no fundo do poço”. Como diria um personagem em situação de perigo nos episódios do Chapolin Colorado: “ou, e agora, quem poderá nos defender?”.

Uma pena.

Por Jorge Almeida

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