Dança – Estreia – Marcela Banguela, de Natália Mendonça

Cena do espetáculo de dança Marcela Banguela, de Natália Mendonça. Créditos: Divulgação
Cena do espetáculo de dança Marcela Banguela, 07de Natália Mendonça. Créditos: Divulgação

Personagem Marcela Banguela nasceu como estratégia de sobrevivência

Espetáculo Marcela Banguela, de Natália Mendonça, põe em cena as estratégias de sobrevivência criadas instintivamente pela coreografia para atuar e enfrentar os desafios de uma cidade

“(…) fui percebendo a Marcela Banguela como um exagero de mim mesma. Tudo que ela expressa reconheço existir na Natália, na dança, na vida. Ela sou eu aumentada no grau de intensidades.”

Marcela Banguela, a personagem, nasceu de uma necessidade de sobrevivência. Era o ano de 2010 e Natália Mendonça era uma bailarina recém chegada a São Paulo, vinda de Ribeirão Preto, com passagem por Campinas. Mas cidade grande é sempre cidade grande e enfrentar São Paulo não era atitude das mais fáceis. Novas rotinas, encontros, relações, trabalhos, caminhos, pessoas. Tudo era novo. E o corpo de Natália respondeu ao enfrentamento proposto pela cidade. Passados cinco anos, Natália estreia agora o espetáculo Marcela Banguela dia 13 de junho de 2016, na Oficina Oswald de Andrade, no Bom Retiro, com apoio do PROAC – Programa de Ação Cultural da Secretaria Estadual de Cultura, do Governo do Estado de São Paulo na categoria Primeiras Obras – Produção de Espetáculo e Temporada de Dança.

Em 2010, ao confrontar-se com o desconhecido da capital paulista, a bailarina lançou mão de algumas estratégias, compartilhadas por várias amigas e mulheres em situações semelhantes ou iguais. Andar com roupas largas, muito largas. Ter um caminhar masculinizado. Sair gritando na rua escura. Correr, como se estivesse atrasada para algo.  Usar chapéu, tampando o rosto. Esquivar-se. Sobreviver.

Esse personagem, surgido no projeto “Área Reescrita” da J.Gar.Cia, cresceu e ampliou-se, para ao mesmo tempo misturar-se com sua criadora, que faz, com esse espetáculo, sua primeira estreia como coreógrafa. Para Natália, interessa investigar, nesse trabalho, “esse ‘borramento’ entre pessoa e personagem”.  Hoje, a bailarina vê o nascimento de sua personagem como por um retrovisor, de quem viveu a situação, mas ultrapassada a barreira do tempo, já se encontra em outro momento da estrada.

Sinopse de Marcela Banguela
Marcela Banguela é um trabalho sobre a relação entre criador e criatura. Como a criação revela estratégias de sobrevivência, e escancara um desespero pela comunicação, ao mesmo tempo que cai aos pedaços, despede-se e ainda permanece no criador.

Sobre Marcela Banguela, personagem e espetáculo
Em cena, surge um personagem dicotômico, bipolar, que está de calça dourada e sobretudo – com detalhes de oncinha – mas com chapéu de vaqueiro e coturno. Segundo a própria Natália, “o coturno impõe um peso de existência e afirmação. A roupa é larga, mas ao mesmo tempo brilhante. Provocadora-baranga. O chapéu de vaqueiro. Menina-jagunço. Na rua, a Marcela Banguela não anda, se monta pra guerra. Na balada, só dança sozinha, é muita expansão pra qualquer tipo de sociabilização. A música, a cachaça, os amigos, os amores, as confusões são absorvidos em forma de excessos e expulsos como pedras espirradas de uma britadeira. Num segundo gargalha, no outro se debulha em lágrimas. Pra ela, a vida é sempre drama e riso”.

Marcela Banguela é vaidosa à sua maneira, contém em si elementos que a ajudam a respirar e aumentar seu espaço físico nesse mundo, já que sua estrutura óssea pequena a fragiliza e isso não lhe agrada na maioria das vezes.

Sobre Natália Mendonça
Marcela Banguela é a personagem desenvolvida pela bailarina Natália Mendonça,  Bacharel e Licenciada em Dança pela Unicamp (ano de ingresso 2001) e em Curso de Certificação de Instrutores pelo CGPA Pilates (2009).  Atualmente integra o núcleo artístico da Cia Perversos Polimorfos, como intérprete-criadora em A Imagem-Nua e Outros Contos e Ânsia (realizados através da Lei de Fomento à Dança) e colaboradora em Movimento para um homem só (premiado pelo Edital Cultura Inglesa) e Bolero.  Com Marta Soares é intérprete-criadora do projeto Deslocamentos (realizado através da Lei de Fomento à Dança).

Com Cristian Duarte é intérprete da performance 1 milímetro of all that. Com Clarice Lima é intérprete do espetáculo Eles Dançam Mal e da performance Árvores, e atualmente, em processo de criação do infanto-juvenil Supernada. Em 2012 participou da Jam Session Passing Through no Sesc Pinheiros. Dentro do projeto Lote# (de direção geral de Cristian Duarte e Clarice Lima), participou dos LABs com David Zambrano, Paz Rojo, Thiago Granato, Tom Monteiro, Arkadi Zaides e Patrícia Árabe.

Participou da celebração do Teatro Oficina em homenagem ao centenário da arquiteta Lina Bo Bardi, dirigido por Zé Celso Martinez em parceria com o projeto Terreyro Coreográfico, dirigido por Daniel Kairoz. Em janeiro de 2014 foi assistente de direção de Ricardo Gali no projeto Play.Party[BER], em Berlim. Em março de 2014 foi colaboradora do projeto A/R, de Rodrigo Andreolli e Raíssa Ralola, premiado pelo edital Klauss Vianna/2013. Em outubro / novembro de 2012 participou da residência artística Outras Danças – Brasil /Argentina/Uruguai em Porto Alegre, uma realização da FUNARTE, sob a direção de Luis Garay (Argentina). Em junho de 2011, participou da Residência C de la B ministrada por Juliana Neves e Quan Bunhoc, integrando a programação da 4a Bienal Sesc de Dança, em Santos.

Integrou o núcleo artístico da J.Gar.Cia de 2008 a 2012 como intérprete-criadora, sendo os dois últimos anos também como assistente. Foi bailarina do Grupo 1o Ato, de Belo Horizonte (2006/2007).  Dentre cursos, aulas, encontros e trabalhos mais longos, tem como principais mestres e inspirações: Bettina Bellomo, Patty Brown, Tuca Pinheiro, Angela Nolf, Graziela Rodrigues, Holly Cavrell, Jorge Garcia, Pedro Peu, Leonardo Sodré, Michelle Moura, Volmir Cordeiro, David Zambrano, Clarice Lima, Cristian Duarte, Key Sawao, Ricardo Gali, Marta Soares, entre outros.

Como surgiu Marcela Banguela, por Natália Mendonça
No ano de 2010, a J.Gar.Cia foi contemplada com o projeto “Área Reescrita” pelo VIII Programa Municipal de Fomento à Dança. Durante cinco meses trabalhamos nas ruas, produzindo vídeos onde nós, os intérpretes, nos revezávamos como diretores, assistentes, produtores, intérpretes. Dentro dessa proposta, um dos diretores/intérprete propôs uma residência de três dias no CED (Centro de Estudos em Dança, em Caieiras), e através dessa experiência, com o foco na criação do espetáculo mencionado, iniciei o estudo acerca do que, no futuro, seria a personagem Marcela Banguela.

Do CED para os palcos, passando pelas ruas, a personagem começou a se definir cada vez mais, a crescer e ter participação bastante significativa dentro e fora do espetáculo “Área Reescrita”. Foi a primeira vez que encarei a dança contemporânea e a performance sobre a perspectiva de uma personagem, mesmo com pouca informação sobre o que significava e como eu poderia trabalhar com essa experimentação. Fui intuitivamente cultivando e trabalhando as características da personagem, relacionando-a com minhas próprias escolhas, gestos e movimentação. Depois de conversas com Jorge Garcia, diretor da Companhia, tive seu apoio para desenvolver o meu primeiro trabalho solo a partir do material dessa personagem. O desejo de continuar investigando e me aprofundando nessa relação, e no próprio desenvolvimento da personagem Marcela Banguela, somando-se a necessidade de um entendimento do que seria a importância e as diferenças da apresentação/representação de uma personagem em cena, me instigam a realizar a minha primeira obra coreográfica.

Diante dessas questões, me interessa pesquisar esse ‘borramento’ entre pessoa X personagem. O que muda quando entro em cena para dançar a Marcela Banguela? O que, de fato, pertence às duas? O que eu acho que pertence à Marcela que ainda não existe em mim, e vice-versa? O que de lá pra cá perdeu-se ou se transformou? A personagem afeta meu corpo ou o que afeta meu corpo reverbera na personagem? Essas questões são pontos iniciais para uma pesquisa corporal, gestual e representativa da Marcela Banguela, com o intuito da criação de um solo de dança contemporânea protagonizado por personagem, e também uma investigação teórica acerca do estudo da personagem em cena.

Ficha Técnica:
Concepção, direção e interpretação: Natália Mendonça
Assistente de direção e fotos do programa: Natalia Fernandes
Produção: Mariana Pessoa
Criação de trilha sonora: Montorfano
Criação de luz: Clara Rubim
Colaboradores: Rodrigo Andreolli e Grupo Vão
Foto e Vídeo: Fabio Furtado
Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques
Designer gráfico: Josefa Pereira

SERVIÇO:
MARCELA BANGUELA
Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo/SP
Quando: de 13/6 a 22/6 – segundas, terças e quartas-feiras – 20h
Lotação: 20 vagas Recomendação: 18 anos
Quanto: Entrada franca – Distribuição de ingressos 1h antes do espetáculo.

Informações à imprensa:
Canal Aberto Assessoria de Imprensa
Márcia Marques – Fones: 11 2914 0770 | Celular: 11 9 9126 0425
Daniele Valério – Celulares: 11 9 6705 0425 | 9 8435 6614
Email: canal.aberto@uol.com.br | http://www.canalaberto.com.br

Por Canal Aberto / Márcia Marques

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