Jethro Tull: 45 anos de “Aqualung”

"Aqualung": o trabalho mais aclamado do Jethro Tull
“Aqualung”: o trabalho mais aclamado do Jethro Tull

No último sábado, 19 de março, um dos maiores clássicos do rock progressivo completou 45 anos de seu lançamento. O álbum em questão é a obra-prima “Aqualung”, dos britânicos do Jethro Tull. Produzido por Ian Anderson e Terry Ellis, o quarto trabalho da banda foi gravado entre dezembro de 1970 e fevereiro de 1971 nos estúdios Island, em Basing Street, Londres.

Depois de uma turnê americana em 1970, o baixista Glenn Cornick foi demitido da banda e foi substituído por Jeffrey Hammond, um velho amigo de Ian Anderson. O disco seria a primeira gravação Hammond faria com a banda e também a primeira vez que John Evan tinha gravado um álbum completo com o Jethro Tull, como sua única participação anterior era overdub várias partes de teclado no álbum anterior, “Benefit” (1970). O álbum foi um dos primeiros a ser gravado nos estúdios recém-inaugurados Island Records. “Aqualung” foi o último álbum do Jethro Tull com a participação de Clive Bunker como um membro da banda, uma vez que ele se aposentou logo após a gravação para começar uma família.

As canções do álbum cobrem uma variedade de gêneros musicais, com elementos de folk, Blues, psicodelia e hard rock. A natureza do “riff pesado” de faixas como “Locomotive Breath“, “Hymn 43” e “Wind Up” é considerada como um fator de ascensão do sucesso da banda após o lançamento do álbum.

Aqualung” foi amplamente considerado como um álbum conceitual, apresentando um tema central “a distinção entre religião e Deus” e “reflexões austeros sobre fé e religião” do álbum. Para se ter uma ideia da importância do play, discussões acadêmicas sobre a natureza das álbuns conceituais têm frequentemente listado “Aqualung” nas prosopopeias.

A ideia inicial para o álbum foi provocada por algumas fotografias que a esposa de Anderson, Jennie Anderson, tirou de pessoas desabrigadas no aterro Thames e, uma delas em especial, inspirou a capa do disco, elaborada por Burton Silverman, que apresenta em um retrato de aquarela um homem de cabelos compridos, barba e roupas surradas.

E justamente a aparência desse homem em particular despertou o interesse do casal, que, juntos, escreveram a faixa-título. O primeiro lado do LP, intitulado “Aqualung”, contém vários esboços de personagens, incluindo o personagem homônimo da faixa-título e a estudante prostituta “Cross-Eyed Mary” (algo como “Maria, a vesga”), bem como duas faixas autobiográficos, incluindo “Cheap Day Return“, escrito por Ian Anderson depois de uma visita a seu pai gravemente doente.

O segundo lado, intitulado ”My God”, contém três temas – “My God“, “Hymn 43” e “Wind Up” – onde as mensagens contidas nas letras são em geral descritas como “pró-Deus, mas anti-igreja”, e afirmam que a religião organizada pode na verdade restringir o relacionamento de uma pessoa com seu Deus, ao invés de melhorá-lo.

Certamente, o álbum é o mais conhecido da vasta discografia da banda de Ian Anderson, chegou à sétima colocação das paradas de álbuns pop da Billboard e é citado em diversas pesquisas, listas e rankings, entre eles os “200 Álbuns Definitivos no Rock And Roll Hall Of Fame” e também no livro “1.001 Discos Que Você Tem Que Ouvir Antes de Morrer”.

Em uma entrevista lançada em “Aqualung Live” (2005), Anderson refutou as especulações de que este seria um álbum conceitual.

E um adendo: “Aqualung” tem entre seus fãs ilustres o icônico baixista do Iron Maiden, Steve Harris. Aliás, por falar nisso, a Donzela fez a sua versão de “Cross-Eyed Mary” e lançou como lado B do single “The Trooper”, em 1983.

Se falar de Jethro Tull e não mencionar “Aqualung” seria a mesma coisa que conversar sobre futebol e não citar a palavra “gol”.
Imprescindível para qualquer um que aprecie boa música.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Aqualung
Intérprete: Jethro Tull
Lançamento: 19 de março de 1971
Gravadora: Island Records (Reino Unido) / Reprise Records (EUA)
Produtores: Ian Anderson e Terry Ellis

Ian Anderson: vocais, violão e flauta
Martin Barre: guitarra e flauta doce soprana
John Evan: piano, órgão e mellotron
Jeffrey Hammond (creditado como “Jeffrey Hammond-Hammond”): baixo, flauta doce alta e vocais
Clive Bunker: bateriae percussão

Glenn Cornick: baixo (tocou com a banda nos ensaios para o álbum em junho de 1970, alguns dos quais podem ter sido sessões de gravações – especialmente nas primeiras versões de “My God” e “Wondring Again/Wondring Aloud” – embora ele não tenha sido citado no álbum)
David Palmer: arranjos orquestrais e condução

1. Aqualung (Anderson / Anderson)
2. Cross-Eyed Mary (Anderson)
3. Cheap Day Return (Anderson)
4. Mother Goose (Anderson)
5. Wond’ring Aloud (Anderson)
6. Up To Me (Anderson)
7. My God (Anderson)
8. Hymn 43 (Anderson)
9. Slipstream (Anderson)
10. Locomotive Breath (Anderson)
11. Wind Up (Anderson)

Por Jorge Almeida

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