Sepultura: 20 anos de “Roots”

"Roots": o último trabalho do Sepultura com Max Cavalera
“Roots”: o último trabalho do Sepultura com Max Cavalera

No último dia 20 de fevereiro, o sexto álbum do Sepultura, “Roots”, chegava às lojas e marcou pela forte sonorização da banda com a música brasileira e outros experimentalismos. Além disso, o álbum é marcado como o último a ter a participação de Max Cavalera na banda. Lançado pela Roadrunner Records, o play foi produzido por Ross Robinson e gravado entre outubro e dezembro de 1995 no Indigo Ranch, em Malibu, na Califórnia.

O disco marcou a carreira da banda, pois contou com participações de gente que ia desde Mike Patton a Carlinhos Brown, e também teve gravações de duas músicas com uma tribo xavante. Dessa forma, o disco tornou-se uma referência para a vertente que surgiria pouco tempo depois, o nu metal.

Em 1996, o compacto “Roots Bloody Roots” é lançado, contendo quatro faixas, “Roots Bloody Roots“, “Procreation (Of The Wicked)” (um cover da banda black metal Celtic Frost), “Refuse/Resist” e “Territory” (ambas gravadas ao vivo em Minneapolis, Estados Unidos). Outros singles foram lançados, “Ratamahatta” e “Attitude“. Pouco tempo depois, saiu “Roots”, um dos álbuns mais aguardados do ano.

O play mostrou um lado mais experimental da banda, com uma participação de Carlinhos Brown na canção “Ratamahatta”, e presença ao longo do disco de percussão, berimbau e várias batidas tribais e palavrões em português. O disco contém ainda duas músicas gravadas conjuntamente com os índios xavantes, “Jasco” e “Itsári”, no Mato Grosso. A música “Itsári” foi gravada na Aldeia Pimentel Barbosa no ano de 1995, às margens do Rio das Mortes no estado de Mato Grosso. Já o restante do álbum foi feito em Malibu, no estúdio Índigo Ranch, dotado de instrumentos de idade avançada, e fazendo da gravação a mais crua possível. Os clipes/singles foram “Roots Bloody Roots” gravado na cidade de Salvador, “Attitude” que teve fotos de tatuagens de fanáticos pelo Sepultura como capa, e contou com a participação especial da família Gracie no videoclipe. “Ratamahatta” foi um clipe diferente de todos os anteriores do Sepultura, feito todo em animação gráfica computadorizada.

Boa parte do repertório de “Roots” está voltado para assuntos relacionados a política e à cultura brasileira. A conceitualização do play foi inspirada no filme “Play In The Fields Of The Lord” (1991), que motivou Max Cavalera viajar para Mato Grosso. A capa do disco mostra uma mulher indígena tirada de uma nota de cruzeiro (extinta moeda brasileira), na qual o artista Michael Whelan adicionou um medalhão com o Sepultura (o tribal “S” do logotipo).

A inspiração para nova direção musical do Sepultura foi dupla. Um deles era o desejo de mais experiência com a música do Brasil, especialmente do tipo percussão tocada por Salvador, mais precisamente o Olodum. Outra inovação que  “Roots” trouxe foi a inspiração tirada do som de Korn, especialmente a sua estreia, com a sua fortemente guitarras baixo afinado.

No play, dois temas instrumentais –“Jasco” e “Itsári”, sendo que o último teve a participação da tribo Xavante – e, posteriormente, Igor diz que a banda se identificou com os nativos. O instrumentista Carlinhos Brown participou em pelo menos três temas: “Dictatorshit”, “Endangered Species” e foi co-autor de “Ratamahatta”.

Um dos destaques do álbum é a faixa “Dictatorshit”, que é uma crítica ao golpe militar que aconteceu em 1964. Outro tema que merece atenção é “Attitude”, que foi co-escrita com Dana Wells, enteado de Max Cavalera, morto em 1996. Aliás, foi Dana que sugeriu a participação dos especialistas em Jiu-Jitsu da família Gracie no videoclipe dessa música.

Amigo de longa data, Mike Patton (do Faith No More) e Jonathan Davis (da banda de nu metal Korn), que foi o co-autor e participou dos vocais de  “Lookaway“, também participaram das gravações.

Curiosamente, as últimas palavras da faixa “Cut-Throat” são: “Escravização, patético, ignorante, corporações“, seria uma referência à EPIC, a gravadora com a qual Sepultura teve alguns problemas durante seu álbum anterior, “Chaos AD”.

A versão brasileira contém também covers de “Procreation Of The Wicked” do Celtic Frost e “Symptom Of The Universe” do Black Sabbath, além de “Lookaway“.

O disco causou um furor nos fãs do Sepultura. Os mais antigos criticaram o posicionamento musical tomado pela banda, porém, o que é inegável é o sucesso feito pelo play, que vendeu mais de dois milhões de cópias, e que tem sua faixa-título tocada até hoje pelo Sepultura em seus shows.

Aliás, a capa de “Roots” esteve presente na camiseta do personagem Kelé Metaleiro, no humorístico “A Praça É Nossa”, interpretado pelo comediante Saulo Laranjeira, que hoje atua como o deputado João Plenário.

Apesar de ser lembrado como o fim de uma era no Sepultura, “Roots” é um disco que não deve ser ignorado. Vale a aquisição.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do disco.

Álbum: Roots
Intérprete: Sepultura
Lançamento: 20 de fevereiro de 1996
Gravadora: Roadrunner Records
Produtor: Ross Robinson

Max Cavalera: voz e guitarra
Igor Cavalera: bateria, percussão, timbau e djembê
Andreas Kisser: guitarra
Paulo Jr.: baixo

Carlinhos Brown: vocais, berimbau, timbau, Wood drums, djembê, xequerê e surdo em “Rhatamahatta
Mike Patton: vocais em “Lookaway
Jonathan Davis: vocais em “Lookaway
DJ Lethal: scratch em “Lookaway
David Silveira: bateria em “Ratamahatta

1. Roots Bloody Roots (Max Cavalera / Sepultura)
2. Attitude (Dana Wells / Sepultura)
3. Cut-Throat (Max Cavalera / Sepultura)
4. Ratamahatta (Sepultura / Carlinhos Brown)
5. Breed Apart (Andreas Kisser / Max Cavalera / Sepultura)
6. Straigthate (Max Cavalera / Sepultura)
7. Spit (Max Cavalera / Sepultura)
8. Lookaway (Jonathan Davis / Sepultura / DJ Lethal)
9. Dusted (Andreas Kisser / Sepultura)
10. Born Stubborn (Max Cavalera / Sepultura)
11. Jasco (instrumental) (Andreas Kisser)
12. Itsári (instrumental) (Tribo Xavante / Sepultura)
13. Ambush (Max Cavalera / Sepultura)
14. Endangered Species (Max Cavalera / Sepultura)
15. Dictatorshit (Max Cavalera / Sepultura)
16. Canyon Jam (instrumental) (Sepultura)
Faixas bônus (edição brasileira):
17. Procreation (Of The Wicked) (Tom Gabriel Fischer / Martin Eric Ain)
18. Symptom Of The Universe (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)

Por Jorge Almeida

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