Pô, Conmebol, se toca!

Conmebol: entidade máxima do futebol sulamericano. Crédito: divulgação
Conmebol: entidade máxima do futebol sulamericano. Crédito: divulgação

Essa semana que termina hoje teve mais uma rodada da fase de grupos da Taça Libertadores da América 2016. O atual campeão River Plate estreou no certame (e que estreia!) e goleou o Trujillanos fora de casa por 4 a 0. No entanto, gostaria de abordar não a competição em si, mas a entidade que a organiza, a famigerada Conmebol.

A Confederação Sulamericana de Futebol é um retrocesso para o nobre esporte bretão. De forma arcaica, a entidade máxima do futebol da América do Sul não está muito diferente da CBF e Federação Paulista em questão de progresso e, em vez de ajudar, parecer que os seus dirigentes querem prejudicar os maiores protagonistas do espetáculo: os clubes e seus torcedores. Se vacilar, está pior. E, ultimamente, o que li a seu respeito, causou-me enorme desapontamento.

Primeiro, foi o fato de o Palmeiras, por exemplo, correr o risco de não jogar as partidas da Libertadores em seu estádio por ele estar vinculado a uma companhia de seguros (a Allianz), que é detentora dos naming rights da casa palmeirense. A Conmebol alega que o clube não pode “exibir propagandas” dentro do estádio. O fato é tão inusitado (para não dizer esdrúxulo) que fez com que dirigentes dos dois maiores rivais de São Paulo (Corinthians e Palmeiras) possam se unir a um boicote à disputa do torneio sulamericano. O cartola corinthiano Andrés Sanchez, em entrevista ao programa Mesa Redonda, da TV Gazeta, disse que se Paulo Nobre, presidente do Palmeiras, boicotar a competição, terá o apoio do Corinthians. Aliás, o superintendente do Timão acredita que esse tipo de situação pode também afetar a negociação que o clube de Parque São Jorge com a iniciativa privada para fechar a naming rights de sua arena.

Oras, isso é um tremendo absurdo. Já está na hora dos clubes se reunirem e peitar a Conmebol. Isso é ridículo. Na Europa, não tem essas frescuras por conta de nome de estádio, vide o Allianz Arena, Etihad Stadium ou Emirates Stadium. Pô, esses caras não enxergam que os naming rights trazem benefícios aos seus clubes afiliados? Aliás, fingem que não, pois com a NR, a grana vai para os clubes e não para eles. Infelizmente os protagonistas do futebol (clubes e torcedores) perdem com isso.

Outra coisa lamentável por parte da entidade: a proibição da entrada de crianças juntos com os jogadores e das mascotes no gramado. A medida é excessiva. Afinal, praticamente é uma contradição ao próprio tema da Conmebol, que é trazer as famílias para o estádio. Acredito que um dos melhores meios de tirar (ou evitar o caminho) das drogas é o esporte. Assim, as crianças tendo oportunidades como essa, de entrar no gramado com o seu ídolo, estará sendo incentivada a tomar o gosto pela prática esportiva e, consequentemente, evitando as drogas e as contravenções.

Sem contar que a premiação ao campeão que é vergonhoso. Tanto que, ainda em 2015, o superintendente do Corinthians, Andrés Sanchez, antes mesmo de envolver o caso de apoio ao Palmeiras, mostrou-se oposição à participação corinthiana na competição por conta da baixa premiação. A pressão do dirigente surtiu efeito, pois, o atual presidente da Conmebol, Juan Angel Napoult, na época, prometera aumento do prêmio ao campeão. Para se ter uma ideia, o quão irrisório era a bonificação ao vencedor da principal competição do futebol sulamericana: em 2013, o prêmio para o campeão paulista era 50% maior em relação ao detentor do título do troféu mais cobiçado das Américas.

Isso só foi alguns exemplos de absurdos cometidos pela Conmebol. Sem contar que, em alguns aspectos, ela age com rigor, em outros, faz vistas grossas, aliás, quem nunca viu um jogo sulamericano (principalmente fora do Brasil) em que um jogador do time visitante vai cobrar um lateral ou escanteio é protegido por policiais com escudos para não ser atingido por objetos vindos das arquibancadas do time mandante?

E, assim, o futebol sulamericano, em especial o brasileiro, está cada vez mais provocando a empatia do torcedor e os 7 a 1 da Alemanha na Copa do Mundo de 2014 não foram à toa. Algo sério tem de ser feito. Se a criação da Liga das Américas for uma benfeitoria aos clubes e, principalmente, aos torcedores, que seja bem-vinda.

Por Jorge Almeida

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