Show do Erasmo Carlos no Sesc Pinheiros (19.09.2015)

Erasmo Carlos e banda apresentaram os "lados B" da carreira do "Tremendão". Foto: Jorge Almeida
Erasmo Carlos e banda apresentaram os “lados B” da carreira do “Tremendão”. Foto: Jorge Almeida

No último sábado (19) o cantor e compositor Erasmo Carlos realizou no teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, o show de divulgação de seu mais recente trabalho “Meus Lados B”, álbum ao vivo composto por músicas lançadas entre os anos 1966 e 1986, enfaticamente o biênio 1971-1972.

Como já é de praxe da casa, o espetáculo começou pontualmente às 21h10. O Tremendão subiu ao palco acompanhado pelo maestro José Lourenço (teclados), e mais Billy Brandão (guitarra), Pedro Dias (baixo), Luiz Lopez (guitarra), Ronaldinho Silva (percussão) e Renato Massa (bateria). Antes de tocarem a primeira música, um telão exibia imagens do parceiro musical de Roberto Carlos.

O show começou com “Gente Aberta”, do álbum “Carlos, Erasmo” (1971), seguido de “Amar Pra Viver Ou Viver de Amor”, faixa-título do disco lançado em 1982. A terceira música da noite foi “A Carta”, que faz parte do segundo trabalho de Tremendão – “Você Me Acende” (1966) – composta pela dupla Benil Santos e Raul Sampaio.

Erasmo Carlos dialogou com o público, explicou o projeto e, bem-humorado, deixou bem claro aos desavisados que “meus lados B” não tem nada relacionado a orientação sexual, mas sim pelo fato de ter o repertório constituído por músicas que não eram tocadas nas rádios e também comentou que, ao longo da apresentação, contaria algumas curiosidades de alguns temas.

O cantor seguiu a apresentação com “O Homem da Motocicleta”, uma versão feita por ele para “Motorcycle Man” (não confundir com a canção homônima do Saxon), do norte-americano Floyd Robinson, e comentou que a próxima música – “Estou Dez Anos Atrasado”, na verdade, seria 31 anos atrasado (ele contou os 21 anos da Ditadura Militar).

Erasmo seguiu o espetáculo com “Vou Ficar Nu Para Chamar Sua Atenção”, lembrou o amigo Taiguara com “Dois Animais na Selva Suja da Rua”, que é de autoria dele, e deu continuidade com “É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo”, feita com o parceiro Roberto Carlos.

O músico relatou como foi o processo de composição de “Maria Joana” que, na verdade, foi uma “ode” à marijuana e que ele tentou argumentar com a censura que era uma homenagem à filha do amigo Nelson Motta, mas os caras não caíram na dele e a música foi proibida de ser veiculada nas rádios e nos shows. Essa é literalmente um “lado B”. Erasmo também contou sobre como o exilado Caetano Veloso lhe deu de presente a canção “De Noite na Cama”.

Os dois temas citados acima foram executados após a explanação do Tremendão, assim como “Cachaça Mecânica”, que, segundo Erasmo, ele tentou mesclar “rock com música sertaneja”, mas Jorge Ben Jor tratou de contrariá-lo e afirmou que a música, na verdade, é um “samba-rock”, e “O Comilão”, que, de acordo com Erasmo Carlos, também teve sua letra modificada por conta da censura, mas que ali tocara o conteúdo original.

O concerto seguiu com “Mané João”, “Paralelas”, de Belchior, que, inclusive, foi “cornetado” pelo cantor, que perguntou para a plateia: “cadê o Belchior?”, “alguém viu o Belchior por aí?” Risos gerais no teatro. Depois disso, mais “lados B’s”: “Abra Seus Olhos”, “Grilos”, “Meu Mar” – música que o compositor explicou que compôs em virtude de ser um “cidadão praiano”, mas que gosta do interior também -, “Queremos Saber”, de Gilberto Gil, “Análise Descontraída” e, antes do bis, “Sementes do Amanhã”, de Gonzaguinha.

Para finalizar, Erasmo Carlos e banda mandaram “Geração do Meio” e “1990 – Projeto Salva Terra”.

Ovacionados, o Tremendão – que levou a mão ao peito movimentando-a simulando o coração batendo – e os músicos receberam efusivos aplausos da plateia.

E, de fato, o show serviu para comprovar que Erasmo Carlos segue como um dos pais do rock brasileiro, desde a morte de Raul Seixas em 1989, e, certamente, é o principal “rocker” de sua geração.

O novo disco é simplesmente genial.

A seguir, o setlist da apresentação feita no Sesc Pinheiros.

1. Gente Aberta (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1971)
2. Amar Pra Viver Ou Viver de Amor (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1982)
3. A Carta (Benil Santos / Raul Sampaio, 1966)
4. O Homem da Motocicleta (Motorcycle Man) (Floyd Robinson / Versão: Erasmo Carlos, 1966)
5. Estou Dez Anos Atrasado (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1970)
6. Vou Ficar Nu Para Chamar Sua Atenção (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1970)
7. Dois Animais na Selva Suja da Rua (Taiguara, 1971)
8. É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1971)
9. Maria Joana (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1971)
10. De Noite na Cama (Caetano Veloso, 1971)
11. Cachaça Mecânica (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1973)
12. O Comilão (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1973)
13. Mané João (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1972)
14. Paralelas (Belchior, 1975)
15. Abra Seus Olhos (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1986)
16. Grilos (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1972)
17. Meu Mar (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1972)
18. Queremos Saber (Gilberto Gil, 1976)
19. Análise Descontraída (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1976)
20. Sementes do Amanhã (Gonzaguinha, 1984)
Bis:
21. Geração do Meio (Narinha / Erasmo Carlos, 1982)
22. 1990 – Projeto Salva Terra (Erasmo Carlos / Roberto Carlos, 1974)

Por Jorge Almeida com agradecimentos a Marcia Marques e Fernanda Araujo

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