Black Sabbath: 40 anos de “Sabotage”

"Sabotage": ótimas músicas para uma péssima capa do Black Sabbath
“Sabotage”: ótimas músicas para uma péssima capa do Black Sabbath

Já que o Black Sabbath foi tema no post anterior, continuamos a abordar a banda de Birmingham. Dessa vez para relembrar os 40 anos de “Sabotage”, o sexto trabalho do grupo, que no último dia 28 de julho de 1975 nos Estados Unidos e em agosto no Reino Unido. Gravado entre fevereiro e março de 1975 no Morgan Studios, em Londres, o play foi co-produzido entre a banda e Mike Butcher.

O disco foi gravado em meio ao litígio envolvendo a banda e o ex-empresário Patrick Meehan, o que inspirou o título do álbum (não é preciso traduzir o significado, não é mesmo?) que, segundo os integrantes, estavam sendo roubados por quem gerenciava a carreira do grupo.

Diferentemente dos trabalhos anteriores, “Sabotage” apresenta sonoridades bem variadas, que mistura o som original da banda com elementos progressivos e pitadas de pop rock.

As sessões de gravação normalmente aconteciam no meio da noite com Tony Iommi estava trabalhando realmente duro e ele estava gastando muito tempo trabalhando seus sons de guitarra. Ozzy Osbourne, no entanto, foi ficando cada vez mais frustrado com a forma de como os álbuns do Sabbath estavam ficando e relatou em sua autobiografia que “Sabotage levou cerca de quatro mil anos“.

O play abre com a clássica “Hole In The Sky” em que Tony Iommi aparece do nada com um daqueles riffs poderosos após alguns segundos de silêncio no começo da música. Em seguida aparece o curto interlúdio instrumental “Don’t Start (Too Late)“, e dependendo do que você estiver fazendo enquanto o disco toca, talvez, nem perceba a sua presença, já que ela tem menos de um minuto de duração e que foi gravada em um volume baixo. Posteriormente surge aquela que considero a melhor faixa do álbum: a incrível “Sympton Of The Universe“, que vem com Iommi destruindo tudo com o seu riff marcante e a “cozinha” de Ward e Butler dando aquele suporte naquela que pode ser considerada uma das precursoras do Trash Metal (por quê não?). O play chega a sua metade com “Megalomania“, com sua característica progressiva e que traz a participção de Gerald “Jezz” Woodruffe nos teclados. Ela é marcada pelas mudanças de ritmo e andamento, mas sem deixar de lado o peso nos incríveis arranjos. São quase dez minutos de pura “obra de arte”.

O psicodelismo marca presença em “The Thrill Of It All“, o quinto tema do álbum, que é caracterizado pelas mudanças de andamento e “feeling”. E, sem deixar a peteca cair, os caras mandam muito bem com a instrumental “Supertzar”, que apresenta harmonias geniosas e é conduzida por coros ao estilo gregoriano feito pela The London Chamber Choir. A penúltima faixa é “Am I Going Insane (Radio)“, que mantém a característica setentista da sonoridade da banda. Aliás, nesta o termo “(Radio)” levou muita gente a acreditar que se trataria de uma versão com corte ou uma versão exclusiva para rádios, mas essa é a única versão existente. No entanto, o termo – originalmente é “radio-rental” é uma gíria para “mental” (coisa de ingleses). E, para finalizar o disco, “The Writ“, cuja letra foi inspirada pelas frustrações de Ozzy com o ex-empresário Meehan, que processou a banda por ter sido despedido. A música ataca os negócios no mundo da música em geral.

Apesar de ser considerado um grande disco, particularmente acredito que trata-se do último grande disco da era-Ozzy, a capa de “Sabotage” é uma das mais bizarras da história do rock. O conceito do espelho invertido foi concebido por Graham Wright, técnico de bateria de Bill Ward, que também era artista gráfico. A princípio, a ideia original era que banda aparecesse na capa vestida de preto, todavia, não havia combinado as roupas que vestiriam no dia. Ou seja, o conceito original sucumbiu e, assim, a “sabotagem” que seria referente ao ex-empresário acabou saindo pela culatra, logo, a banda foi “vítima” da própria armadilha.

Apesar da ‘tosquice’ da capa, o disco é ótimo do começo ao fim. Ouça sem medo e, neste caso, vale a pena ignorar o famoso conceito de “julgar o disco pela capa”.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Sabotage
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 27 de julho de 1975
Gravadora: Warner Bros. (EUA) / Vertigo (Reino Unido)
Produtores: Black Sabbath e Mike Butcher

Tony Iommi: guitarra, piano, sintetizador e órgão
Geezer Butler: baixo
Ozzy Osbourne: voz
Bill Ward: bateria

Will Mallone: arranjos para The English Chamber Choir em “Supertzar

1. Hole in the Sky (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
2. Don’t Start (Too Late) (instrumental) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
3. Symptom of the Universe (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
4. Megalomania (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
5. The Thrill Of It All (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
6. Supertzar (instrumental com coral) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
7. Am I Going Insane (Radio) (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)
8. The Writ (Butler / Iommi / Osbourne / Ward)

Por Jorge Almeida

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