Black Sabbath: 25 anos de “Tyr”

"Tyr": o melhor disco do Black Sabbath da era Martin
“Tyr”: o melhor disco do Black Sabbath da era Martin

Já que Ronnie James Dio foi destaque no texto anterior, dessa vez vamos falar a respeito da banda da qual ele fez parte, o Black Sabbath, em especial sobre os 25 anos do lançamento de um álbum em que o saudoso vocalista não fazia parte da line-up, o bom “Tyr”, que traz os vocais de Tony Martin.

Lançado no dia 20 de agosto de 1990 pela I.R.S., o álbum foi gravado no Rockfield Studios, no País de Gales, e no Woodcray Studios, em Berkshire, no sudeste da Inglaterra, entre fevereiro e junho de 1990, “Tyr” é o 15º trabalho de estúdio do Black Sabbath. Aliás, a produção do material é da própria banda.

Mesmo com vendagens relativamente boas e ter alcançado o 24º posto nos charts britânicos, o disco recebeu críticas mistas, pois, alguns alegaram que a bateria de Cozy Powell “abafou” a maioria dos outros instrumentos, enquanto outros elogiaram porque, de acordo com eles, é um dos trabalhos mais pesados do Black Sabbath, e o que mais tem o uso acentuado dos teclados de Geoff Nicholls. No entanto, o grupo precisou cancelar algumas apresentações em virtude da baixa procura de ingressos durante a turnê e, além disso, pela primeira vez, o ciclo de turnês da banda não incluiu datas nos Estados Unidos.

Apesar do título do disco e de algumas canções que fazem alusões à mitologia nórdica, o que levou muitos a acreditarem que “Tyr” (o nome é uma referência ao filho de Odin, principal deus da mitologia nórdica) fosse um álbum conceitual, o baixista Neil Murray, que participou das gravações, afirmou em 2005 que muitos temas podem estar vagamente relacionados, mas são poucas que têm alguma relação à mitologia.

O disco abre com “Anno Mundi (The Vision)“, que tem a sua letra apocalíptica aliada perfeitamente ao belo arranjo. Nela, Tony Martin canta muito e Cozy faz suas peraltices. É a melhor música da era Martin.

Em seguida vem “The Law Maker“, que é mais acelerada. Em “Jerusalém“, o ritmo cadenciado ajuda a mantê-la pesada. Já o quarto tema é “The Sabbath Stones“, que mostra porquê Cozy Powell foi um dos melhores bateristas da história do Heavy Metal.

A parte “nórdica” do disco aparece com a instrumental “The Battle Of Tyr“, enquanto “Odin’s Court“, traz um violão dedilhado acompanhado do vocal primordialmente falado por Martin, e “Valhalla“, que tem peso e outra excelente atuação de Powell.

A banda declarou que, embora eles não reneguem, a música “Feels Good To Me” foi colocada no álbum exclusivamente para ser lançada como um single, pois ela não se encaixa musicalmente com o resto do álbum. Mas isso não quer dizer que a faixa seja ruim, ao contrário, ela é boa.

E, para finalizar, a czariana “Heaven In Black“, cujo enredo comprova que o disco não é conceitual, afinal, czar não tem nada a ver com mitologia nórdica, certo? Destaque para a introdução da bateria de Cozy Powell (olha ele aí de novo!).

A foto da capa foi tirada nas ruínas de Rök Runestone, na Suécia, e, na verdade, elas representam as letras TMR, e não TYR, como é entendido.

Aliás, em algumas apresentações da parte europeia da turnê de “Tyr”, Ian Gillan, Brian May e Geezer Butler fizeram participações especiais, sendo que, inclusive, os dois últimos apareceram durante o bis de um show realizado em 8 de setembro de 1990, no lendário Hammersmith Odeon, em Londres.

Posteriormente à fase “Tyr”, a única música que entrou no setlist do Sabbath na era Martin foi “Anno Mundi (The Vision)”, que pode ser conferida no VHS e DVD “Cross Purposes Live”. Além disso, Tony Martin regravou “Jerusalém” em seu álbum solo lançado em 1992 – “Back Where I Belong”.

E, por incrível que pareça, a formação que gravou “Tyr” foi a mesma que lançou “Forbidden” (1995), que considero como o “pior disco do Black Sabbath”.

Para quem gosta de Heavy Metal, esse disco é uma boa pedida. Mas, acredito, que “Tyr” é o melhor trabalho feito pelo grupo de Birmingham com os vocais de Tony Martin. Afinal, o Sabbath é sempre uma influência no Metal, mesmo que esteja em uma fase menos áurea, se é que podemos definir assim, e aqui não foi diferente: o frontman da banda de viking metal feroica Týr, Heri Joensen, declarou que, além da temática nórdica, o disco e o logotipo influenciaram na escolha do nome da banda.

Então, deixe de frescura com esse negócio de que “Black Sabbath só é com Ozzy” e ouça esse bom disco de Heavy Metal, até porque, todos os ingredientes têm nele, especialmente o peso e, além disso, tem Tony Iommi e Cozy Powell.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Tyr
Intérprete: Black Sabbath
Lançamento: 20 de agosto de 1990
Gravadora: I.R.S.
Produtor: Black Sabbath

Tony Iommi: guitarra e violão
Tony Martin: voz
Cozy Powell: bateria e percussão
Neil Murray: baixo
Geoff Nicholls: teclados

1. Anno Mundi (The Vision) (Martin / Black Sabbath)
2. The Law Maker (Martin / Black Sabbath)
3. Jerusalem (Martin / Black Sabbath)
4. The Sabbath Stones (Martin / Black Sabbath)
5. The Battle Of Tyr (instrumental) (Martin / Black Sabbath)
6. Odin’s Court (Martin / Black Sabbath)
7. Valhalla (Martin / Black Sabbath)
8. Feels Good To Me (Martin / Black Sabbath)
9. Heaven In Black (Martin / Black Sabbath)

Por Jorge Almeida

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