Rainbow: 20 anos de “Stranger In Us All”

"Stranger In Us All": o último registro de estúdio lançado pelo Rainbow de Ritchie Blackmore
“Stranger In Us All”: o último registro de estúdio lançado pelo Rainbow de Ritchie Blackmore

Já que os dois últimos posts estavam ligados ao Deep Purple, aproveito para falar sobre um ex-integrante da banda britânica: Ritchie Blackmore. Para ser mais preciso, sobre a sua banda após a saída do Purple, o Rainbow.

Hoje, 21 de agosto, o último registro de estúdio da banda completou 20 anos de lançamento. Trata-se de “Stranger In Us All”, disco em que Blackmore se juntou a músicos poucos conhecidos e que, a princípio, seria um disco solo do guitarrista, mas por pressão da gravadora BMG o disco saiu sob o nome do Rainbow (caso semelhante com o “Seventh Star”, do Black Sabbath, que era para ter sido o primeiro disco solo de Tony Iommi). Esse foi o último registro de hard rock de Ritchie.

Gravado nos estúdios Long View Farm (em Massachusetts), Cove City Sound Studios e Sound On Sound, Unique Studio e Soundtrack Studios, ambos em Nova York, o play foi produzido por Ritchie Blackmore e Pet Regan.

Depois de sair e prometer nunca mais voltar ao Deep Purple, Ritchie Blackmore resolveu retomar o seu grupo, o Rainbow, totalmente reconfigurado. Para a gravação do álbum, o dono da bola convocou Doogie White (voz), John O’Reilly (bateria) – que foi substituído por Chuck Burgi na turnê, Greg Smith (baixo), Paul Morris (teclados), além das participações especiais de Mitch Weiss (gaita) e Candice Night (backing vocal).

O álbum fez um relativo sucesso na Europa, mas pouco foi notado nos Estados Unidos, o que foi compreensível, afinal, as bandas grunges tomavam conta por lá. O título do disco é de um verso da faixa “Black Masquerade”.

E outro ponto que desfavoreceu Blackmore: ao tentar competir com a ex-banda, seu trabalho não ganhou a mesma notoriedade porque o Deep Purple se rejuvenesceu com a entrada de Steve Morse e lançou o clássico álbum “Purpendicular” (1996).

Mesmo não sendo um dos trabalhos mais aclamados do Rainbow, alguns temas de “Stranger In Us All” foram tocados pelos integrantes da banda que participaram da gravação do álbum, como os casos de Greg Smith e Paul Morris que tocaram no Over The Rainbow entre 2008 e 2009, e também a banda White Noise, capitaneada por Doogie White, em seu DVD oficial intitulado “In The Hall Of The Mountain King” (2004). Além deles, o Blackmore’s Night também contou com uma música – “Ariel” – desse disco em seu “Paris Moon”, de 2007.

O disco abre com a incrível “Wolf To The Moon“, que é um hard rock simples, mas eficiente. Posteriormente, o play apresente “Cold Hearted Woman“, um hard blues mediano que lembra vagamente o Whitesnake. O terceiro tema é o metal melódico “Hunting Humans“, com características típicas de Stratovarius. A quarta faixa é “Stand And Fight“, um hard rock pouco empolgante.

Em seguida, a faixa que merece uma atenção especial: “Ariel“. É o maior destaque do disco e, particularmente, acho que é uma das melhores músicas do Rainbow. Pois lembra os tempos áureos da era Dio, traz os solos épicos de Blackmore, um excelente desempenho vocal de Doogie White e, para colocar a cereja no bolo, o backing vocal de Candice Night (que é uma ótima cantora) é arrebatador. Para este que vos escreve essa faz parte do meu top 5 de melhores músicas do Rainbow.

O material dá uma caída em sequência com “Too Late For Tears“, que lembra os sons mais comerciais do Rainbow nos anos 1980. A sétima música é “Black Masquerade“, que é outra que merece atenção. Aqui a técnica é explorada ao máximo e todos acertaram em cheio nesse metal. A canção seguinte é a calma e singela “Silence“. A penúltima faixa do disco é “Hall Of The Mountain King“, que ganha destaque pela rapidez e por ser melódica. E, para finalizar, “Still I’m Sad“, outra releitura que o Rainbow faz para o clássico do Yardbirds (a primeira foi feita no ‘debut’ “Ritchie Blackmore’s Rainbow” em 1975).

Infelizmente, o Rainbow sempre foi uma banda subestimada, pois, aqui no Brasil, por exemplo, muita gente acha que o grupo só existiu durante a era Dio. E “Stranger In Us All” é um retrato fiel disso: um disco que é muito bom, mas que é ignorado por muitos. Confesso que não consigo entender o motivo disso. Uma vez que nele tem hard rock, metal melódico, balada, mescla todas as fases do Rainbow e também deixa uma prévia para o que viria a ser o Blackmore’s Night.

Outro fato a lamentar é que após a turnê de divulgação do álbum, Ritchie Blackmore resolveu encerrar mais uma vez o Rainbow. Mas pelo menos ele está feliz com a (agora) esposa Candice Night e fazendo o que gosta com o seu Blackmore’s Night.

A seguir, a ficha técnica do play.

Álbum: Stranger In Us All
Intérprete: Rainbow
Lançamento: 21 de agosto de 1995
Gravadora: BMG
Produtores: Pat Regan e Ritchie Blackmore

Ritchie Blackmore: guitarra
Doogie White: voz
John O’Reilly: bateria
Greg Smith: baixo
Paul Morris: teclados

Mitch Weiss: gaita
Candice Night: backing vocal

1.  Wolf To The Moon (White / Blackmore / Night)
2. Cold Hearted Woman (Blackmore / White)
3. Hunting Humans (Insatiable) (Blackmore / White)
4. Stand And Fight (Blackmore / White)
5. Ariel (Blackmore / Night)
6. Too Late For Tears (White / Blackmore / Regan)
7. Black Masquerade (White / Blackmore / Morris/ Night)
8. Silence (Blackmore / White)
9. Hall Of The Mountain King (Grieg / Arr.: Blackmore / Letra: Night)
10. Still I’m Sad (Samwell-Smith / McCarty)

Por Jorge Almeida

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