Os 70 anos de Ian Gillan

Ian Gillan: vocalista do Deep Purple completou 70 anos na última quarta-feira (19). Foto: divulgação
Ian Gillan: vocalista do Deep Purple completou 70 anos na última quarta-feira (19). Foto: divulgação

Na última terça-feira, 19 de agosto, um dos mais carismáticos e técnicos vocalistas da história do rock completa 70 anos de idade. Estamos falando de Ian Gillan, o eterno vocalista do Deep Purple, conhecido também como “The Silver Voice”.

Nascido em 19 de agosto de 1945 no Chiswick Maternity Hospital, em Hounslow, na Inglaterra, Ian Gillan tinha a música em seu DNA, pois seu avô materno, Arthur Watkins, era cantor de ópera profissional, um barítono educado em Milão.

Na adolescência, influenciado por Elvis Presley, Gillan integrou diversos grupos ao longo dos anos 1960, mas teve o talento reconhecido quando passou pelo Episode Six, de onde saiu em 1969 juntamente com Roger Glover para entrar para história do rock ao ingressar no Deep Purple, que recentemente dispensara o vocalista Rod Evans e o baixista Nick Simper. O convite foi feito por Blackmore e Jon Lord após assistirem a um concerto do Episode Six.

Ao se juntar a Ritchie Blackmore, Ian Paice e Jon Lord que sua carreira deslanchou e, com isso, veio o famoso apelido “The Silver Voice”, por conta de seu grande potencial vocal. No Deep Purple, Ian Gillan lançou com os companheiros álbuns que fazem parte de verdadeiros clássicos do rock: ”Concerto For Group And Orchestra” (1969), “In Rock” (1970), “Fireball” (1971), “Machine Head” (1972), “Made In Japan” (1972) e “Who Do We Think We Are?” (1973). São nesses trabalhos que estão presentes eternos hinos do Hard Rock/Heavy Metal como “Child In Time”, “Fireball”,”Black Night”, “Highway Star”, “Lazy”, “Woman From Tokyo” e o maior de todos eles: “Smoke On The Water”. E, em 1970, o vocalista ainda participou da opera rock “Jesus Christ Superstar”, gravando a voz de Jesus Cristo na produção original em 1970, de Andrew Lloyd Webber.

Com uma carga de trabalho intensa, quase que ininterrupta, o vocalista teve problemas de relacionamentos com integrantes da banda, especialmente Ritchie Blackmore. Entre os desentendimentos, por exemplo, foi o caso envolvendo a música “When A Blind Man Cries”, que Gillan queria que entrasse no tracklist de “Machine Head”, mas o guitarrista vetou a ideia e a música (muito bonita por sinal) ficou de fora e foi lançada no lado B do single “Never Before” e, anos depois, no relançamento remasterizado do clássico álbum de 1972.

Em junho de 1973, Ian Gillan se demitiu do Deep Purple e resolveu aposentar-se dos palcos. Então, resolveu investir em diversos empreendimentos que, no final, foram mal sucedidos, como um hotel perto de Oxford e um projeto chamado Ciclos Mantis Motor, mas que foi prejudicado pelo colapso da indústria de motocicletas na Inglaterra nos anos 1970. Mas ao substituir Ronnie James Dio no último minuto em uma apresentação no Butterfly Ball em 16 de outubro de 1974, Ian Gillan resolveu retomar a carreira musical.

Assim, em 1975, o vocalista formou a Ian Gillan Band, que durou até 1978, lançando alguns álbuns, quando Ian formou uma nova banda simplesmente chamada de Gillan, que teve entre seus integrantes o futuro guitarrista do Iron Maiden: Janick Gers, que tocou nos álbuns “Double Trouble” (1981) e “Magic” (1982).

Aliás, enquanto seguia com uma carreira entre altos e baixos com sua banda, no Natal de 1979, Ian Gillan recebeu a visita de Ritchie Blackmore, que o convidou para participar do Rainbow no lugar de Graham Bonnet. Mas o vocalista recusou. Apesar disso, os dois tocaram juntos por três noites no Marquee Club, essa havia sido a primeira vez que ambos compartilharam o mesmo palco desde 1973.

O Gillan (a banda) se desfez em 1982 porque seu mentor precisava “descansar” suas cordas vocais que estavam danificadas.

Depois de uma pequena pausa, em 1983, o empresário do Black Sabbath, Don Arden (pai de Sharon Osbourne), convidou Ian Gillan para se juntar a Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward para atuar no Black Sabbath no lugar de Ronnie James Dio. Dizem que esse encontro foi regado a muita bebedeira. E, dessa forma, a banda gravou “Born Again”, mas o baterista Bill Ward apresentou problemas de saúde e foi substituído por Bev Bevan.

Como um integrante do Black Sabbath, Gillan se viu obrigado a aprender o repertório mais antigo da banda, mas tinha dificuldades em lembrar algumas letras. Então, finalmente, ele teve a ideia em escrever as letras para fora de uma pasta de perspex, equilibrando-as em um monitor para virar as páginas com os pés. No entanto, em um dos shows, Ian Gillan foi surpreendido com o gelo seco no palco que praticamente tornou um impossível de ler as palavras, assim, precisou se abaixar e, de joelhos, virar as páginas com as mãos nisso ouviu alguém da plateia comentar: “Olha, o Ronnie James Dio voltou”. Esse episódio foi relatado em sua biografia “Child in Time: The Life Story of the Singer from Deep Purple”, de 1993, que ele escreveu juntamente com David Cohen. Os mais radicais criticavam o grupo em virtude da presença constante de “Smoke On The Water” no repertório.

Apesar de ser considerado um dos melhores trabalhos da carreira do vocalista, Ian Gillan não estava satisfeito em trabalhar com o Black Sabbath. Inclusive, ele detestou a capa de “Born Again”, que trazia a imagem de um bebê com aparência demoníaca. Em entrevista à revista Kerrang!, em 1984, o vocalista disse que recebeu algumas cópias do álbum e, ao ver a capa, esmagou cada uma delas em pedaços.

Depois da decepção com o Black Sabbath, Ian Gillan se juntou aos demais integrantes da formação clássica do Deep Purple para a volta do grupo em 1984. O retorno rendeu alguns milhares de dólares aos músicos e o resultado disso foi “Perfect Strangers”, disco lançado no mesmo ano e que, para alguns, foi o último grande trabalho do Deep Purple.

Mesmo com a reativação da MKII, os trabalhos seguintes do Deep Purple não tiveram a mesma qualidade da primeira fase dessa formação. E, para piorar, os desentendimentos entre Ian Gillan e Ritchie Blackmore ressurgiram. E mais uma vez o vocalista foi demitido do grupo e foi substituído pelo ex-Rainbow Joe Lynn Turner.

Fora do Deep Purple, Ian Gillan lançou alguns trabalhos, tais como “Accidentally On Purpose” (1988) com Roger Glover, “Naked Thunder” (1990) e “Toolbox” (1991). Foi durante este tempo que Gillan regravou “Smoke On The Water” com pesos-pesados como Bryan Adams, Brian May, Bruce Dickinson, David Gilmour Paul Rodgers, Roger Taylor e Tony Iommi para o Rock Aid Armenia, que consistia em um disco para angariar fundos para ajudar as vítimas de um terremoto que afetara a Armênia em 1988, que trazia diversas outras participações.

Em 1992, após a insistência de Roger Glover, Ian Paice e Jon Lord, Gillan retorna ao Deep Purple mais uma vez. Dessa forma, a MKII se reunia pela terceira vez, mas não duraria muito. Pois, menos de dois anos depois, as rusgas entre o vocalista e Ritchie Blackmore não foram cicatrizadas e, dessa vez, quem “deu a linha na pipa” foi o guitarrista em novembro de 1993 para nunca mais voltar até então sendo substituído inicialmente por Joe Satriani e, finalmente, por Steve Morse (ex-Dixie Dregs e Kansas).

Assim, sem o seu desafeto por perto, Silver Voice ficou mais à vontade no Purple, inclusive, a tal ponto de mudar o setlist do grupo ao incluir, por exemplo, temas que raramente a banda tocava, como “Maybe I’m A Leo” (que homenageia o seu signo, Leão) e “When A Blind Man Cries”.

E, desde então, Ian Gillan seguiu à frente do Deep Purple até hoje. Com a entrada de Morse na banda, só foi necessária apenas uma alteração em sua formação: em 2002 o tecladista Jon Lord saiu amigavelmente e foi substituído por Don Airey, que permanece até os dias atuais.

Mesmo com o privilégio de estar na condição de frontman de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, o vocalista seguiu com seus projetos paralelos, como os discos solos “Dreamcatcher” (1997), “Gillan’s Inn” (2006), “Live In Anaheim” (2008) e “One Eye To Marocco” (2009), além do WhoCares, supergrupo que lançou um álbum em 2002 e que, além de Gillan, tinha as presenças de Tony Iommi, Nicko McBrain (Iron Maiden), Jason Newsted (ex-Metallica), Jon Lord e Linde Lindstrom.

Só para constar: Ian Gillan é considerado um dos maiores cantores de Heavy Metal de todos os tempos.

E, para finalizar esse breve resumo da vida e obra de Ian Gillan, duas lendas a seu respeito: dizem que ele usava calças apertadas para potencializar os seus gritos em “Child In Time”, e a outra era de que ele cantava nu em estúdio, durante as gravações, para sentir-se à vontade – foi daí que viria o apelido “Naked Thunder”, que é citado em “Hungry Daze”, faixa do disco “Perfect Strangers” e também do nome de um álbum solo lançado em 1990.

Assim, encerramos esse relato a respeito de um dos mais respeitados músicos da história do rock.

Parabéns Ian Gillan.

Por Jorge Almeida

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