Show de Glenn Hughes no Carioca Club (16.08.2015)

Doug Aldrich e Glenn Hughes em ação no Carioca Club. Foto: Ronaldo "Rox Fox" Borges
Doug Aldrich e Glenn Hughes em ação no Carioca Club. Foto: Ronaldo “Rox Fox” Borges

O lendário vocalista/baixista britânico Glenn Hughes tocou neste domingo (16) no Carioca Club, em São Paulo. Acompanhado de Doug Aldrich (guitarra) e Pontus Engborg (bateria), o aclamado “The Voice Of Rock” fez a sua segunda apresentação na sua turnê brasileira (na noite anterior, havia tocado em Limeira, interior paulista).

Enquanto parte dos paulistanos estavam se preocupando com as manifestações pedindo impeachment da presidente ou acompanhando a última rodada do primeiro turno do Campeonato Brasileiro 2015, quem foi à casa de espetáculo localizada em Pinheiros só queria de saber o que o cara que já tocou ao lado de lendas como Ritchie Blackmore, Tony Iommi e Jon Lord iria apresentar em seu setlist.

Por ser um trio, obviamente a ausência de um tecladista poderia complicar a performance, uma vez que a presença do instrumento em algumas músicas da carreira de Hughes foi marcante (especialmente no Deep Purple), mas, o carisma dos músicos juntamente com avidez do público em querer ouvir “A voz do rock” fez com que o teclado não fosse uma carência no espetáculo.

Com Hughes do lado esquerdo do palco, Aldrich à direita e a bateria um pouco mais atrás sobre uma base elevada, o trio apresentou 14 músicas da carreira do icônico baixista em suas diversas fases: com o Deep Purple, com o Trapeze, com o Black Country Communion, com o California Breed e solo, deixando de lado os projetos feitos em parcerias.

Sem banda de abertura e com o show previsto para começar às 20h30, o trio adentrou ao palco do Carioca Club pontualmente (vai ser britânico assim lá em Londres!). Glenn Hughes e os já citados músicos começaram a apresentação já com um clássico do Deep Purple: “Stormbringer” (faixa-título do álbum de 1974), que foi cantada a pleno pulmões pelos presentes.

Na sequência, a primeira música da carreira solo de Hughes no repertório: “Orion”, do álbum “Soul Mover” (2005), que foi seguida de “Way Back To The Bone”, originalmente lançada pelo Trapeze, banda da qual Glenn fez parte no início dos anos 1970, época em que muitos que estavam ali nem eram nascidos (caso deste que vos escreve, por exemplo).

O show deu continuidade ao outro tema ‘purpleniano’. Me refiro a magnífica “Sail Away”, faixa presente em “Burn”, que é uma das melhores do álbum, mas injustamente esquecida pelos integrantes que participaram de sua gravação e por parte dos fãs do DP (graças a Deus que finalmente tive a oportunidade de ver e curtir essa música ao vivo!). Incrivelmente, a canção teve uma excelente receptividade do público, que cantaram junto com Hughes, especialmente o refrão.

Outro tema do Trapeze foi lembrado por Hughes – “Touch My Life” -, dedicada ao amigo Mel Galley, falecido guitarrista que participou do próprio Trapeze e de outras bandas, inclusive, ocupou anteriormente o mesmo cargo de Doug Aldrich no Whitesnake.

O Black Country Communion não foi esquecido por Glenn Hughes, que fez meia-culpa por não ter vindo ao Brasil enquanto a banda esteve na ativa. Assim, a primeira canção do supergrupo no set foi “One Last Show”. Depois dessa, o baixista e o baterista Pontus Engborg deixam o palco para Doug Aldrich fazer o seu solo e, entre um improviso e outro, ele inicia os primeiros acordes de “Mistreated”, que, obviamente, teve uma participação estrondosa da plateia, que cantou firme os versos da música, assim como a parte do backing vocal. Foi um dos pontos altos do show. Acredito que 99% dos presentes conheciam esse hino do Deep Purple.

E, curiosamente, uma música do Whitesnake foi inclusa no repertório. Trata-se de “Good To Be Bad”, título do álbum lançado em 2008 pela banda de David Coverdale. A música tem a assinatura de Aldrich com o ex-companheiro de Deep Purple de Glenn. Mas, os fãs do Whitesnake podem ficar tranquilos, pois, Hughes não comprometeu em nada na canção, pois, sua voz se encaixou perfeitamente.

O show estava em sua fase final, e teve uma sequência de três músicas da carreira solo de Hughes: “Can’t Stop The Flood” – com “Sweet Tea”, do California Breed no meio – “Addiction” e “Soul Mover”.

Os três saíram do palco para voltarem ao tradicional bis, que veio com “Black Country”, do BCC, e, para finalizar, a inigualável “Burn”.

Apesar de ser o vocalista, Glenn Hughes não ficou parado junto ao pedestal. Quando as músicas não exigiam o vocal, ele aproveitava para ir ao centro do palco e fez os seus movimentos ‘suingados’, o que foi um show à parte.

Ao longo do show, Hughes dialogou bastante com a plateia, enaltecendo-os e agradecendo o fato de poder continuar fazendo música. Aliás, o baixista e Aldrich demonstraram expressões de satisfação por estarem vivendo aquele momento de uma parceria que tem tudo para dar certo. Vale destacar que houve uma boa sintonia entre os dois, inclusive, com direito a muitos abraços e um beijo de Hughes na testa de Doug. E, para delírio dos presentes (pelo menos os que têm uma noção de inglês), ele disse que voltaria em 2016, desde que os fãs quisessem.

O show teve duas horas de apresentação. Se analisarmos, com uma carreira com mais de 40 anos de estrada, o setlist com 14 músicas parece ter sido pouco, uma vez que outros temas do Deep Purple, como “You Keep On Moving” e “This Time Around” e alguma coisa do projeto Iommi-Hughes ficaram de fora, o que foi uma pena. Mas, só o fato de ter tocado “Sail Away”, em minha opinião, já valeu o ingresso.

E, mais uma vez, os envolvidos pela organização do show estão de parabéns. Não houve nenhum incidente, todos se acomodaram na casa tranquilamente, não houve atraso e, por ser em dia de domingo, a apresentação aconteceu em um horário bom para quem precisou utilizar o transporte público, pois como o Metrô encerra suas atividades à meia-noite (a estação mais próxima do Carioca Club é a Faria Lima, da Linha 4-Amarela), ninguém precisou fazer aquela correria temendo em perder o último trem, como acontece, em diversas vezes, quando há evento no Espaço das Américas, na Barra Funda, por exemplo.

Depois da capital paulista, Glenn Hughes seguirá para mais quatro apresentações no Brasil entre os dias 18 e 22 de agosto: Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, e terminará a turnê sulamericana com mais três shows: Santiago, Buenos Aires e Montevidéu.

Espero que Glenn Hughes cumpra a promessa e venha por aqui em 2016.

A seguir, o setlist do show que “The Voice Of Rock” fez em São Paulo.

1. Stormbringer (Blackmore / Coverdale)
2. Orion (Hughes / Marsh)
3. Way Back To The Bone (Hughes)
4. Sail Away (Blackmore / Coverdale)
5. Touch My Life (Galley / Galley)
6. One Last Soul (Hughes / Bonamassa)
7. Mistreated (Blackmore / Coverdale)
8. Good To Be Bad (Coverdale / Aldrich)
9. Can’t Stop The Flood (Hughes / Marsh)
10. Sweet Tea (Hughes / Watt / Bonham)
11. Addiction (Bonilla / Hughes)
12. Soul Mover (Hughes)
Bis:
13. Black Country (Hughes / Bonamassa)
14. Burn (Blackmore / Coverdale / Hughes / Lord / Paice)

Por Jorge Almeida

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