Analisando “Eu, S.A.”, de Gene Simmons

Capa de "Eu, S.A.", o livro do empreendedor Gene Simmons
Capa de “Eu, S.A.”, o livro do empreendedor Gene Simmons

Atenção!! Antes de prosseguir a leitura, um aviso: se você é metido a socialista, comunista e afins, enfim, é crítico ao que chamam de “capitalista opressor”, não precisa seguir adiante. Pois a breve análise que descreverei abaixo trata-se de um livro escrito por um capitalista convicto, orgulhoso morador dos Estados Unidos e sem papas na língua. Recado dado, prosseguimos. No último mês de abril, o Kiss passou por aqui e, em São Paulo, foi o headline do segundo dia do festival Monsters Of Rock. Na véspera de sua apresentação na capital paulista, o baixista Gene Simmons aproveitou para divulgar o seu mais recente livro na Livraria Cultura do Conjunto Nacional: “Eu, S.A.” (OK, o nome completo da obra é “Eu, S.A. – Construa um exército de um homem só, liberte seu deus interior (do rock) e vença na vida e nos negócios”). Claro que a presença do ‘linguarudo’ causou alvoroços no local.

Gene Simmons, como é de conhecimento de todos, é co-fundador do Kiss. Embora tenha mais de 40 anos de carreira, nos últimos anos, o baixista tem chamado mais atenção pelo que anda falando por aí do que pela música em si. Além disso, é muito conhecido no meio como “o homem dos negócios” do Kiss, enfim, o “marketeiro” da banda. Mas esse status atribuído a ele não veio por acaso. O livro retrata como Gene usufruiu da fama para se tornar um empreendedor e ficar milionário.

Lançado pela editora Fábrica 231, “Eu, S.A.” apresenta em um pouco mais de 250 páginas (25 capítulos mais prefácio – feito por John Varvatos e agradecimentos) divididos em duas partes – “Eu” e “Você” – em que Gene Simmons dá uma série de dicas e conselhos, alguns não tão recomendáveis assim, de como se tornar um empreendedor de sucesso, especialmente no ramo que adotou nas últimas quatro décadas.

Como se era de imaginar, o israelense naturalizado norte-americano, no começo, conta a dificuldade que tivera na infância em sua terra-natal, a sua vinda à “terra das oportunidades” (os EUA), os entreveros para montar uma banda de rock e o seu lado “muquirana” para conseguir os seus primeiros trocados.

Sendo um genuíno “self made man”, Simmons tornou-se ao longo dos anos, boa tarde atribuída ao sucesso do Kiss, um empreendedor de mão cheia. No livro, a sua nada modéstia prevalece: acredita nas suas convicções, descreve com orgulho a sua gama de negócio que vai além da música, como os itens de merchandising do Kiss (que vai desde camisetas a caixão), a criação de uma gravadora, uma rede de restaurantes, a realização de um reality show, personagem de videogames, de seu time de futebol americano, enfim, todas as empreitadas encaradas por esse mestre do marketing pessoal.

Entre os conselhos que Gene dá, por exemplo, “espalhar os riscos”, ou seja, investir em coisas diferentes, não tirar férias se você for jovem, priorizar a carreira para depois casar ou, ainda, aprender falar inglês, entre outras coisas.

Ele deixa bem claro que é um capitalista convicto e demonstra eterna gratidão aos Estados Unidos por ter conseguido tudo por lá. Mas a obra destaca também alguns pontos negativos no caminho que Simmons encontrou até chegar ao topo, como as crises com os integrantes do Kiss, os problemas que o reality show causou que quase culminou com o fim de sua relação com Shannon Tweed.

Embora muitos não gostem de sua personalidade arrogante e prepotente, Gene Simmons é um sujeito sincero e convicto de suas decisões, conforme o livro atesta e explica também os motivos que levam o Kiss a ser uma das bandas mais bem-sucedidas da história do rock (se bem que o alerta dado por Paul Stanley, relatada em sua biografia, sobre as finanças do grupo nos anos 1980 não é mencionada por Gene). E alguns de seus conselhos são realmente válidos para quem quer vencer no mundo dos negócios, não necessariamente no mundo do rock.

Aliás, quem comprar o livro como “fã do Kiss” poderá ficar decepcionado, pois o seu foco não é a banda, mas sim o empreendedorismo de um de seus fundadores.

Pelas redes circulam rumores de que o Kiss continuará após Gene Simmons e Paul Stanley se aposentarem. Muitos fãs e seguidores da banda acham isso um absurdo. Mas, após ler esse livro, poderá compreender que, de acordo com a filosofia de Gene – eternizar a marca “Kiss” – é uma atitude compreensível. E é mesmo. Afinal, já que o baixista trata o Kiss não apenas como uma banda de rock, mas sim como uma marca, poderá figurar para as próximas gerações o mesmo patamar de uma Coca-Cola ou uma Ford, por exemplo. Aliás, analisando bem, se o Kiss é uma marca, por que acabá-lo após as (possíveis) saídas de seus integrantes fundadores? Enfim, a Coca-Cola não deixou de existir quando John Pemberton, seu criador, morreu em 1888, ou até mesmo o Mc Donald’s não fechou suas portas devido às saídas da cena dos irmãos Dick e Maurice McDonald. Então, a mesma situação cabe à marca Kiss.

O livro é uma boa indicação para quem aprecia esses lances de empreendedorismo e tal, e, obviamente, para quem é fã de Gene Simmons, independentemente de suas opiniões, controversas ou não.

A seguir, a ficha técnica do livro.

Livro: Eu, S.A. – Construa um exército de um homem só, liberte seu deus interior (do rock) e vença na vida e nos negócios
Autor: Gene Simmons
Editora: Fábrica 231
Ano de lançamento: 2015 – 1ª edição
Páginas: 255
Preço médio: R$ 23,50

Por Jorge Almeida

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