Show de 30 anos do Sepultura na Áudio Club (20.06.2015)

Sepultura em ação na Áudio Club no último sábado (20.06). Foto: Jorge Almeida
Sepultura em ação na Áudio Club no último sábado (20.06). Foto: Jorge Almeida

Na noite do último sábado (20) acontecia em São Paulo mais uma edição da Virada Cultural. Enquanto boa parte da população e visitantes buscavam diversão, cultura e entretenimento que as diversas atrações do evento proporcionavam, rolava outro importante acontecimento na capital paulista: o show de encerramento da turnê de 30 anos do Sepultura na Áudio Club, Zona Oeste.

Como poderia imaginar e me baseando pelo show dos Titãs ocorrido nessa mesma casa há cerca de dois meses, a apresentação do Sepultura não começaria antes das 23h (no ingresso informava que a abertura da casa seria às 21h), logo, tratei de chegar ao evento por volta das 22h50. De fato, foi o que aconteceu. Houve um atraso de cerca de 40 minutos e a banda subiu ao palco às 23h10 precisamente.

Enquanto o público aguardava a banda, integrantes da equipe de filmagens circulavam pelo palco e pela passarela instalada na parte central à frente mostrando imagens da plateia para a gravação de um DVD que fará parte de um documentário que abordará as três décadas de existência do grupo.

Começa o show, o Sepultura entrou em ação com Derrick Green (vocal e, às vezes, percussão), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Eloy Casagrande (bateria). E, ao longo de quase duas horas, o quarteto apresentou um setlist (veja abaixo) para ninguém botar defeito. Todos os clássicos estavam lá e canções de todas as fases idem. O único registro que não teve representação na noite foi o “Revolusongs” (EP de covers lançado em 2003).

O público apresentava comportamentos distintos ao longo do concerto. Durante as execuções das músicas dos trabalhos mais recentes e também dos primórdios da banda, por exemplo, ficavam mais contidos – talvez por cansaço, por desconhecimento dos temas, quem sabe? No entanto, na execução dos clássicos da fase de ouro dos caras, os anos 1990, as rodas de pogo tomavam de assalto a pista.

O espetáculo começou com músicas dos trabalhos mais recentes, como “The Vatican” e “Kairos”. Na sequência, temas mais antigos mesclados com os primeiros da fase pós-Cavalera, incluindo aí, “Choke”, do álbum “Against” (1998), o primeiro de estúdio com Derrick Green nos vocais, que foi uma das mais aclamadas.

Todavia, o ponto alto do concerto ficou para a parte final que antecedeu o bis com “Territory”, os covers clássicos de “Polícia” (Titãs) e “Orgamastron” (Motörhead), além de “Biotech Is Godzilla”, “Arise” e “Refuse/Resist”.

O inspirado (e transpirado) Derrick Green teve um excelente desempenho nos vocais, regeu o público em alguns momentos e comprovou mais uma vez que não foi à toa que substituiu Max Cavalera nos vocais e, convenhamos, se analisarmos pelo tempo de banda, Green é “mais Sepultura” que Max, já que em 2015 ele completa 18 anos como frontman do grupo, enquanto Max permaneceu doze anos.

E, apesar de não ter feito parte da formação inicial da banda, Andreas Kisser (que entrou no Sepultura em 1987 no lugar de Jairo Guedz) é o grande “capitão”. O guitarrista conversa, interage e dá bronca (como nos engraçadinhos que ficaram subindo no palco ao longo do espetáculo), enfim, depois da saída dos Cavalera tornou-se o principal nome (e porta-voz) do grupo.

Enquanto isso, Paulo Jr., o único integrante que permanece no Sepultura até hoje desde seu início, é o mais discreto. Como todo mineiro, ficou o show inteiro na sua, fez os backing vocals e não chamou tanta atenção do público, mas não comprometeu o andamento do concerto.

Já Eloy Casagrande, que substituiu Jean Dolabella em 2011, detonou tudo. O “moleque” (sim, ele tem apenas 24 anos) tocou muito e, sua técnica aliada à sua juventude fez com que ganhasse respeito dos fãs. De fato, é um grande baterista. Afinal, fazer o serviço que era de Igor Cavalera não é coisa para qualquer um, o cara tem que bom mesmo.

Na opinião desse que vos escreve, o setlist do Sepultura só não foi perfeito porque eles não tocaram “The Hunt”, cover do New Model Army, gravado em “Chaos A.D.” (1993).

E, assim como qualquer outra grande banda, o Sepultura ainda tem aqueles fãs “xiitas” que, no seu caso, até hoje não se conformam com existência consolidada da banda e lançando material sem os irmãos Cavalera. Bom, se esse tipo de gente preferiu ficar em casa no dia assistindo aos ex-integrantes participando no Altas Horas, no show não fizeram nenhuma falta. Isso posso garantir. Aliás, por falar nisso, diferentemente do show de 30 anos dos colegas dos Titãs – realizado em outubro de 2012 ali perto da Áudio Club, no Espaço das Américas -, o espetáculo do Sepultura não trouxe nenhum convidado especial e, muito menos, o concerto foi marcado por palco exuberante e pirotécnico.

Apesar de ter enfrentado todo tipo de intempéries ao longo dessas três décadas, o Sepultura segue firme e forte nessa empreitada e ainda é uma das bandas mais respeitadas no cenário internacional.

Vida longa ao Sepultura.

Abaixo, o setlist da apresentação do grupo na Áudio Club.

Intro
1. The Vatican (Derrick Green / Andreas Kisser / Eloy Casagrande)
2. Kairos (Sepultura)
3. Propaganda (Max Cavalera)
4. Inner Self (Max Cavalera / Andreas Kisser / Sepultura)
5. Breed Apart (Andreas Kisser / Max Cavalera / Sepultura)
6. Manipulation Of Tragedy (Derrick Green / Andreas Kisser / Eloy Casagrande)
Intro
7. Dead Embryonic Cells (Max Cavalera)
8. Choke (Max Cavalera / Andreas Kisser)
9. Convicted In Life (Andreas Kisser / Derrick Green)
10. Attitude (Dana Wells)
11. Troops Of Doom (Max Cavalera / Igor Cavalera / Jairo Guedes / Paulo Jr.)
12. Sepulnation (Igor Cavalera / Derrick Green / Andreas Kisser)
13. From The Past Comes The Storms (Max Cavalera / Andreas Kisser / Sepultura)
14. Territory (Andreas Kisser)
15. Polícia / Orgasmatron (Tony Bellotto) (Kilmister / Burston / Gill / Campbell)
16. Biotech Is Godzilla (Jello Biafra)
17. Arise (Max Cavalera)
18. Refuse/Resist (Max Cavalera)
Bis:
Intro
19. Bestial Devastation (Max Cavalera / Jairo Guedz / Paulo Jr.)
20. Apes Of God (Andreas Kisser / Derrick Green / Igor Cavalera)
21. Cut Throat (Max Cavalera / Sepultura)
22. Manifest (Max Cavalera)
23. Sepultura Under Skin (Sepultura)
24. Ratamahatta (Sepultura / Carlinhos Brown)
25. Roots (Max Cavalera / Sepultura)

Por Jorge Almeida com agradecimentos a Renata Quirino

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