Monsters Of Rock (26.04.2015)

Gene Simmons (Kiss) em ação no Monsters Of Rock. Foto: Gustavo Vara
Gene Simmons (Kiss) em ação no Monsters Of Rock. Foto: Gustavo Vara

Assim como no dia anterior, o segundo dia do Monsters Of Rock apresentou calor imenso e o que há mais de tradicional em festivais, as lamentáveis filas. Contudo, não choveu. E a primeira banda a se apresentar na Arena Anhembi foi o Dr. Pheabes que tocou cerca de seis músicas pra dar uma agitada na galera.

Já o Steel Panther fez uma apresentação digna. Embora o concerto tenha começado com 15 minutos de atraso, a banda tocou sete músicas e dialogou bastante com a plateia. Com um estilo de humor que lembra o Massacration, a banda brincou com o público, falou besteiras e pediu para que as garotas mostrassem os seios e foram atendidos por algumas “minas com atitude”. Fizeram um hard rock que não comprometeu e agradaram até os mais “caretas”. Os temas dos caras basicamente são voltados ao sexo, como em “Asian Hooker“, que fala a respeito de transar com uma asiática, ou, ainda “17 Girls In a Row“, que descreve como se pratica sexo com 17 mulheres na noite passada.

Com cerca de 30 minutos de atraso, o show do sueco Yngwie Malmsteen ficou marcado pelo virtuosismo e malabarismo de guitarra. Além disso, a performance ficou prejudicada no início por alguns problemas técnicos, mas conseguiu resolver. Malmsteen, com o seu visual glam, fazia caretas, jogava a guitarra, a girava pelo corpo, solava com os dentes, enfim, fazia de tudo. Os pontos altos da sua apresentação foram quando tocaram “Purple Haze”, de Jimi Hendrix, e o clássico “Alone In Paradise”.

O Unisonic fez um show impecável. Capitaneados pela dupla Michael Kiske (vocal) e Kai Hansen (guitarra), ambos ex-Helloween, o grupo de power metal fez o público cantar, se emocionar com os solos e se entreterem com o carisma de Kiske. Com profissionalismo, o Unisonic fez tudo aquilo que se exige de um show de power metal: virtuosismo, vocais agudos e poses. E Kiske ainda passou a bola para Hansen, em “Star Rider”. E os caras levaram o público abaixo quando tocaram dois temas do Helloween: “March Of Time” e “I Want You”, que foram sucedidos no final pela faixa que dá nome à banda.

E quando a noite vinha chegando, o Accept comandou as ações no palco. Com riffs pesados e um desempenho excelente do guitarrista Wolf Hoffmann, os alemães desfilaram seus clássicos que agradaram o público em cheio. Enquanto o vocalista Mark Tornillo, cujo estilo é uma mescla de seu antecessor Udo Dirkschneider e Brian Johnson, do AC/DC, conduziu muito bem o show e não fez feio ao cantarolar os sucessos da banda. Destaques para o hino “Metal Heart” e, claro, “Balls To The Wall”, faixa-título do álbum de 1983 e o maior hit da banda.

Os “manowarriors” foram ao delírio quando chegou a vez dos, para eles, “Reis do Metal”. Ultrajados como guerreiros, o Manowar entrou no palco e tocou os seus clássicos em um volume absolutamente alto, inclusive com direito as cordas falharem em algumas ocasiões e que eram abafadas pela potência vocal de Eric Adams. E entre uma música e outra que falavam em “kill”, os súditos do Manowar faziam o tradicional gesto característico da “seita”: braços erguidos com uma mão segurando o punho do outro braço. Um dos pilares da apresentação da banda norte-americana foi durante a instrumental “Fallen Brothers” que, enquanto era executada, aparecia imagens de nomes que eram ligados direta ou indiretamente ao Manowar, entre eles Ronnie James Dio, Orson Welles (cineasta que participou em duas músicas do grupo narrando áudios) e Scott Columbus (ex-baterista do Manowar). E, após o solo de Karl Logan, Joey DeMaio conversou em português com o público, desejou melhoras a Lemmy Kilmister e disse, entre outras coisas, que “quem não gosta de Heavy Metal, do Brasil, do Manowar e dos fãs de Manowar nós dizemos o quê? Vai se f*der!”. E vale destacar que Robertinho do Recife fez uma participação especial nas guitarras. Nos momentos finais do show, o hit “Battle Hymns” fez o público agitar, especialmente quando as palavras “kill” e “victory” apareciam no telão. Para encerrar, DeMaio arrancou as cordas de seu baixo e as entregou para as fãs enquanto as convidava para transar com elas.

O show do Judas Priest, que veio na sequência, foi praticamente o mesmo da noite anterior, porém, mais curto. Talvez que, por isso, parte do público não parecia muito empolgada por ter visto a banda no dia anterior. A diferença é que os Metal Gods tocaram três músicas a menos. Mas os clássicos estavam lá: “Metal Gods”, “Breaking The Law”, “Hell Bent For Leather”, que foi a deixa para Rob Halford entrar de motocicleta no palco, “Turbo Lover”, “Painkiller” e o encerramento apoteótico com “Living After Midnight”.

E, com cerca de 50 minutos de atraso, enquanto rolava “Rock And Roll”, do Led Zeppelin ecoava pelo Anhembi, à 12h15, aquela famosa voz de apresentação que termina com “the hottest band the world… KISS” para, em seguida, cair a cortina preta com o logo prateado da banda e um festival de fogos, explosões, pirotecnia, luzes e cores, que continuaram durante a performance do Kiss. E a abertura foi com a ‘classuda’ “Detroit Rock City”. Na sequência, Paul Stanley (voz e guitarra), Gene Simmons (voz e baixo), Tommy Thayer (guitarra e backing vocal) e Eric Singer (bateria e backing vocal) comandaram a festa. Apesar da manjada apresentação, o Kiss surpreendeu os fãs ao colocar “Parasite” no setlist. De resto, foi clássico atrás de clássico. A lamentar apenas a situação vocal de Paul Stanley que estava aquém do esperado. O carismático vocalista conversou bastante com a plateia e disse algumas frases em português como “Vocês são demais!”. E o show teve o tradicional cuspe de fogo de Gene após “War Machine”, o baixista ainda cuspiu sangue e foi alçado até o ponto mais alto do palco para tocar “God Of Thunder” e ainda o público conferiu Paul Stanley se direcionando via tirolesa até o meio da arena, onde cantou “Love Gun” e os primeiros versos de “Black Diamond”, que foi cantarolada por Eric Singer. Quanto aos clássicos, além das citadas neste parágrafo teve “Creatures Of The Night”, “I Love It Loud”, “Calling Dr. Love”, “Deuce”, entre outros, além de “Hell Or Hallelujah”, do álbum “Monster”, e potencial clássico. Na volta para o bis, três músicas: “Shout It Out Loud”, “I Was Made For Lovin’ You” e “Rock And Roll All Nite”, onde rolou a habitual chuva de papel picado. Depois do show, o público se dispersou pela arena ao som de “God Gave Rock And Roll To You II”, que saía das caixas de som. Um final de festival apoteótico.

Enfim, a edição 2015 do Monsters Of Rock foi de bom para excelente. Assim como qualquer festival teve seus altos e baixos que aqui pretendo resumir. De positivo, foi a estrutura que melhorou bastante, teve área de merchandising, área gourmet e o cast só não foi perfeito porque, no sábado, o Black Viel Brides foi escalado no momento errado. Talvez se a banda fosse tocar no domingo, não teria todo o transtorno que ocorreu. Os pontos negativos foram os atrasos da maioria das bandas e os preços salgados de algumas coisas, como a cerveja que estava R$ 9,00, o copo, e R$ 12,00 em um cachorro quente, por exemplo. Mas, no final, o saldo foi mais positivo e do que negativo.

A seguir, o setlist das bandas que tocaram no segundo dia do MOF (exceto do Yngwie Malmsteen).

DOCTOR PHEABES:
1. Seventy Dogs
2. Where Do You Come From?
3. Godzilla
4. Sound
5. Suzy
6. Seventy Dogs

STEEL PANTHER:
1. Pussywhipped
2. Party Like Tomorrow Is the End of the World
3. Asian Hooker
4. Eyes of a Panther
5. 17 Girls in a Row
6. Community Property
7. Party All Day (Fuck All Night)
8. Death to All but Metal

UNISONIC:
1. Venite 2.0
2. For the Kingdom
3. Exceptional
4. Star Rider
5. Your Time Has Come
6. When the Deed Is Done
7. King for a Day
8. Throne of the Dawn
9. March of Time
10. I Want Out
11. Unisonic

ACCEPT:
1. Stampede
2. Stalingrad
3. London Leatherboys
4. Restless and Wild
5. Final Journey
6. Princess of the Dawn
7. Pandemic
8. Fast as a Shark
9. Metal Heart
10. Teutonic Terror
11. Balls to the Wall

MANOWAR:
1. Manowar
2. Metal Daze
3. Kill With Power
4. Sign of the Hammer
5. The Dawn of Battle
6. Bass Solo / Sting of the Bumblebee
7. Fallen Brothers / Karl’s Solo
8. Warriors of the World United
9. Kings of Metal
10. Hail and Kill
11. The Power
12. Battle Hymn
13. Black Wind, Fire and Steel
14. The Crown and The Ring
15. The Crown and the Ring (Lament of the Kings)

JUDAS PRIEST:
Battle Cry (Intro)
1. Dragonaut
2. Metal Gods
3. Devil’s Child
4. Victim of Changes
5. Halls of Valhalla
6. Turbo Lover
7. Redeemer of Souls
8. Jawbreaker
9. Breaking the Law
10. Hell Bent for Leather
Bis:
11. The Hellion
12. Electric Eye
13. Painkiller
14. Living After Midnight

KISS:
1. Detroit Rock City
2. Creatures of the Night
3. Psycho Circus
4. I Love It Loud
5. War Machine
6. Do You Love Me
7. Deuce
8. Hell or Hallelujah
9. Calling Dr. Love
10. Lick It Up
11. Bass Solo
12. God of Thunder
13. Parasite
14. Love Gun
15. Black Diamond
Bis:
16. Shout It Out Loud
17. I Was Made for Lovin’ You
18. Rock and Roll All Nite

Por Jorge Almeida

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