Os 70 anos de Ritchie Blackmore

Ritchie Blackmore: 70 anos de personalidade forte e talento nas seis cordas
Ritchie Blackmore: 70 anos de personalidade forte e talento nas seis cordas

Hoje, 14 de abril, um dos mais lendários guitarristas da história do rock completa 70 anos de idade. Me refiro a Ritchie Blackmore, músico que fundou duas grandes bandas da história do rock: Deep Purple e Rainbow.

Nascido como Richard Hugh Blackmore a 14 de abril de 1945, em Weston-super-Mare, na Inglaterra, o jovem Ritchie Blackmore mudou-se com apenas dois anos de idade com os pais para Heston, em Hunslow, também na Inglaterra. E, em 1955, ganhou o seu primeiro violão do pai que, inclusive, lhe deu aulas de violão clássico. Em suas primeiras dedilhadas no violão, Ritchie mostrou-se desajeitado e apresentava dificuldades em lidar com o instrumento, o que despertou a impaciência do pai, que prometeu quebrar o violão em sua cabeça se não aprendesse a tocar.

Então, após muito treino, Ritchie, assim como muitos astros do rock, passou por diversas bandas (a primeira delas foi o 21s Coffe Bar Junior Skiffle Group) até chegar fevereiro de 1968, quando ele, juntamente com Jon Lord, Ian Paice, Rod Evans e Nick Simper, formaram o Deep Purple, cujo nome veio de uma música favorita da avó de Blackmore.

E com esses músicos que na metade de 1968 lançou o primeiro álbum da banda, “Shades Of Deep Purple”, recheado de regravações, fato que seguiu com o trabalho seguinte. No entanto, Blackmore e Lord estavam descontentes com a sonoridade apresentada pelo Deep Purple na ocasião. Então, ambos queriam experimentar mais com volume e eletricidade, mas consideravam que a voz de Evans não acompanharia as mudanças. A solução foi fazer um teste com Ian Gillan, que levou o amigo Roger Glover, do Episode Six.

Assim, sem Evans e Simper, Blackmore contribuiu (e fez parte) para a formação mais clássica do Deep Purple, a MK II – Blackmore/Gillan/Glover/Lord/Paice. Com essa line-up, o Deep Purple lançou os clássicos álbuns “In Rock” (1970), “Fireball” (1971), “Machine Head” (1972) e o ao vivo “Made In Japan” (1972), além do ‘injustiçado’ “Who Do We Think We Are?” (1973). E foi nesse período que Ritchie Blackmore apresentou o seu riff mais famoso: o de “Smoke On The Water”, cuja letra surgiu no período em que a banda gravava o álbum “Machine Head” em Montreux, na Suíça, quando houve um incêndio no cassino durante um show do Frank Zappa and The Mothers Of Invention.

Apesar do bom momento, Ian Gillan resolveu deixar a banda e Roger Glover o acompanhou. Na verdade, o baixista dedicou-se à produção de discos, inclusive do próprio Deep Purple. Para os seus lugares, entraram David Coverdale (voz) e Glenn Hughes (baixo). A princípio, os remanescentes – Blackmore, Lord e Paice – fizeram o convite a Paul Rodgers, que recusou para empenhar-se na formação do Bad Company. Com a nova formação, o Purple gravou o ótimo “Burn” (1974), álbum que mostrou todo o virtuosismo de Ritchie. E, no mesmo ano, fizeram “Stormbringer”, que desagradou Blackmore devido às influências do funky e do soul trazidas por Hughes e Coverdale.

Ritchie Blackmore também é conhecido pela sua personalidade forte. Isso foi comprovado no festival California Jam, realizado em 6 de abril de 1974. O evento, que seria transmitido pela TV, trazia grandes nomes como o Eagles e o Black Sabbath, entre outros. No momento em que o Deep Purple iria aparecer, Ritchie trancou-se no camarim e se recusou a entrar no palco. Os artistas que se apresentaram antes do Deep Purple terminaram antes do horário, o que fez com que a banda tivesse de adentrar antes do horário marcado, que era ao pôr do sol. Ritchie percebeu que isso iria atrapalhar os efeitos luminosos que a grupo havia preparado, por isso não quis ir. Após o canal de TV ABC trazer o xerife da cidade para levá-lo preso, ele resolveu entrar no palco. Entretanto, durante a apresentação, com raiva, ele quebrou uma câmera que se aproximou dele. Pouco tempo depois, no momento mais dramático da apresentação, o palco pegou fogo após a parede de amplificadores de Ritchie explodir. A rede de TV ABC ficou furiosa, mas a banda escapou de sua ira fugindo de helicóptero.

Pouco tempo depois do lançamento de “Stormbringer”, Ritchie Blackmore resolveu cair fora e formar outro grupo: o Rainbow. Em sua primeira formação, a nova empreitada capitaneada pelo, agora ex-Deep Purple, trazia ex-integrantes da banda Elf, que chegou a abrir shows para o DP. Dessa forma, com Ronnie James Dio no vocal, Craig Gruber (baixo), Gary Driscoll (bateria), Mickey Lee Soule (teclados) e, claro, Ritchie Blackmore na guitarra, foi lançado o ‘debut’ “Ritchie Blackmore’s Rainbow” em 1975.

O estilo musical do Rainbow era diferente do Deep Purple. Pois, suas melodias eram inspiradas em temas medievais e as letras de Dio falavam de castelos, reis, dragões e espadas. Após o disco de estreia, Blackmore dispensou todos os integrantes, exceto Dio. E recrutou o ótimo Cozy Powell para a bateria e os desconhecidos Tony Carey (teclados) e Jimmy Bain (baixo). Com esses músicos, o Rainbow gravou os álbuns “Rising” (1976), considerado o melhor trabalho do Rainbow, e o ao vivo “On Stage” (1977). Enquanto em “Long Live Rock ‘N’ Roll” (1978), Blackmore chegou a gravar as linhas de baixo enquanto o grupo estava a procura de um baixista, que foi preenchido com a entrada de Bob Daisley.

Apesar de contar com bons músicos e fazer boas canções, o Rainbow nunca foi de vender muitos discos. Então, os executivos da gravadora propuseram a Ritchie Blackmore que a banda gravasse músicas mais “comerciais” para alavancar as vendas. A ideia desagradou totalmente Ronnie James Dio, que resolveu sair do Rainbow e substituir Ozzy Osbourne no Black Sabbath. Para o seu lugar, entrou Graham Bonnet. Além de Dio, Powell foi substituído por Bobby Rondinelli.

Porém, com Bonnet, o Rainbow gravou apenas o álbum “Down To Earth”, que trouxe o maior sucesso comercial do grupo: “Since You’ve Been Gone”, um cover de Russ Ballard.

Após a saída de Graham Bonnet, Ritchie Blackmore seguiu com o Rainbow em diversas formações, como a entrada de Joe Lynn Turner e o próprio companheiro dos tempos de Deep Purple, Roger Glover, que chegou a assinar a produção de todos os discos do Rainbow após a era-Dio até a volta do Deep Purple, em 1984.

Assim, em abril de 1984, depois de muitos boatos, o Deep Purple volta à ativa com a sua formação mais clássica, a MK II. Dessa forma, Ian Gillan (que gravara o álbum “Born Again” com o Black Sabbath, no ano anterior), Roger Glover e Ritchie Blackmore (que estavam no Rainbow), juntamente com Ian Paice e Jon Lord, que deixaram o Whitesnake de David Coverdale, entraram em estúdio e, no mesmo ano, lançaram “Perfect Strangers”, considerado por muitos como o último grande trabalho do Deep Purple até hoje.

Com a MK II, o Purple ainda lançou em 1987 o mediano “The House Of The Blue Light” e o ‘live’ “Nobody’s Perfect” (1988), que trazia uma nova versão de “Hush”, cover de Joe South gravado pelo grupo pela primeira vez no disco de estreia em 1968. Contudo, a relação entre Ritchie e Gillan ficou estremecida. Com isso, em 1989, o vocalista foi mandado embora e, para o seu lugar, veio um velho conhecido de Blackmore: Joe Lynn Turner, com quem trabalhara no Rainbow. Com o novo vocalista, o Deep Purple lançou “Slaves & Masters” (1990), o que dividiu a opinião dos fãs e dos próprios integrantes, mais especificamente de Lord, Glover e Paice que, juntos, determinaram a volta de Ian Gillan, enquanto Ritchie defendia a permanência de Turner.

Ritchie cedeu e Gillan voltou para o Deep Purple e, pela terceira vez, a MK II se reuniu e gravou “The Battle Rages On”, em 1993, que trouxe dois belos arranjos: “Anya” e a faixa-título. No entanto, a tensão entre Blackmore e Gillan prosseguia. Mas, durante a turnê de divulgação do disco, em meados de 1994, o Purple não tinha mais clima para manter os dois. Para se ter uma ideia do clima entre os dois, no homevídeo “Come Hell Or High Water” (1994), a banda entrou no palco durante um show realizado na Alemanha tocando “Highway Star” sem Blackmore, que só veio a aparecer na hora de seu solo e, assim que adentra no certame, recebe uma reverência irônica de Ian Gillan, e, em certo momento do solo, Ritchie pegou uma garrafa d’água e joga em direção do vocalista (que tocava a sua “inaudível” percussão). Quem quiser conferir esse momento, acesse o link do vídeo aqui, mais precisamente entre 4’00” e 4’07”.

O guitarrista saiu e prometeu nunca mais voltar. Para seu lugar, durante a turnê foi convocado Joe Satriani, mas o posto de Blackmore foi preenchido por Steve Morse, que segue no Deep Purple até hoje.

Fora da banda que o consagrou, Ritchie Blackmore resolveu remontar o Rainbow com Doogie White nos vocais, Paul Morris (teclados), Greg Smith (baixo), John O’Reilly (bateria), além de Mitch Weiss (harmonica) e Candice Night (backing vocal) e, obviamente, Blackmore na guitarra. Com essa formação, a banda lançou “Stranger In Us All” (1995). Esse foi o último trabalho de estúdio do Rainbow.

Em 1997, Ritchie Blackmore se juntou a Candice Night, que tornou-se sua esposa, e formaram o Blackmore’s Night, banda de folk rock que toca temas renascentistas. Até 2013, o Blackmore’s Night havia lançado nove discos de estúdios, entre eles “Autumn Sky” (2010), cujo título é uma homenagem a Autumn Esmeralda Blackmore, filha de Ritchie com Candice.

E, desde então, esse grande guitarrista segue a vida com a esposa se apresentando com o Blackmore’s Night e, para a tristeza de seus fãs dos tempos de Deep Purple, Ritchie não cogita quaisquer possibilidades em realizar trabalhos com os ex-companheiros de Rainbow e de Deep Purple. E convites não faltaram, inclusive feitos por Joe Lynn Turner e por David Coverdale. Este último, frustrado por não conseguir reunir a MK III do Deep Purple, alguns anos após a morte de Jon Lord, resolveu lançar com o Whitesnake o “The Purple Album”, que traz temas do Deep Purple do período em que Coverdale fez parte da banda.

E, assim, fizemos esse pequeno resumo da carreira desse que é um dos maiores guitarristas de todos os tempos. O mago da Fender Stratocaster branca escreveu seu nome na história do rock.

Vida longa a Ritchie Blackmore.

Por Jorge Almeida

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