FPF: lambanças, trapalhadas, bizarrices e afins

"Paulistão 2015": regulamento ridículo. Imagem: divulgação/FPF
“Paulistão 2015”: regulamento ridículo. Imagem: divulgação/FPF

Como é de conhecimento de todos, as quartas-de-final do Campeonato Paulista 2015 começam hoje. No entanto, as últimas edições do que um dia foi o “Estadual mais disputado do País” estão arruinando cada vez mais o Paulistão. Boa parte disso se deve ao regulamento esdrúxulo, o nível técnico das equipes do interior, a ausência de público. Sinceramente, acredito que a cartolagem tem grande responsabilidade nisso, em especial a Federação Paulista de Futebol.

Desde o ano passado, o Campeonato Paulista apresenta a seguinte forma de disputa: 20 equipes divididas em quatro grupos em que os clubes de cada grupo enfrentam os adversários das outras chaves totalizando assim 15 partidas na primeira fase. O campeão e o vice de cada grupo avançam para as quartas-de-final, que são disputados em jogo único, assim como a semifinal, para que, finalmente, a decisão seja realizada em dois jogos. Enquanto as equipes rebaixadas são as quatro últimas na classificação geral, ou seja, de todos os grupos.

Aí vem o começo da balbúrdia que é o Paulistão: como fora dito, o campeão e o vice de cada grupo, independentemente da pontuação, avançam às quartas-de-finais. Graças a essa “genialidade” que o XV de Piracicaba, por exemplo, terminou a primeira fase na segunda colocação do grupo D com 18 pontos e classificou-se para a fase seguinte. Ou seja, o Nhô Quim teve pontuação inferior a Audax, São Bento, Mogi Mirim e Ituano, equipes que fizeram pelo menos 20 pontos e que ficaram de fora da disputa.

Enfim, o critério utilizado para definir os classificados não é adotado para definir os rebaixados, se fosse, teoricamente, os últimos colocados de cada grupo é quem disputariam a Série A2 no ano seguinte, e não todos os que fizeram as quatro piores pontuações no geral.

Essa forma faraônica de disputa do Campeonato Paulista é tão tosca que aconteceu um fato inusitado envolvendo a Penapolense na última rodada da primeira fase. A equipe de Penápolis, ao mesmo tempo, lutou para classificar-se e também para não cair. Integrante do grupo D, a situação da Pantera da Noroeste era a seguinte na ocasião: a vitória garantiria a classificação; o empate culminaria com eliminação, mas com permanência na Série A1; e uma derrota significaria queda para a segunda divisão do futebol paulista.

Encerrada a primeira fase, a Federação Paulista realizou em sua sede uma reunião para a definição dos horários, locais e datas dos duelos das quartas-de-final. No mesmo dia, a entidade anunciou que uma operadora de crédito patrocinará os árbitros nas fases de mata-matas, pagando as despesas. O problema é que a mesma empresa patrocina uma das equipes classificadas, o que aparenta para a FIFA ser ilegal por ter um presumível “conflito de interesses”. Ou seja, apesar de não ter nada comprovado a um possível favorecimento, esse tipo de situação poderá permitir que os trios de arbitragens entrem pressionados a não errar para prejudicar ou beneficiar determinadas equipes.

E, finalmente, a própria FPF descumpriu o regulamento por ela criado. Sim, uma vez que o segundo parágrafo do Artigo 6º determina: “Caso para a fase de quartas de final classifiquem-se mais de 02 (dois) Clubes da cidade de São Paulo, aplicando-se critérios técnicos, somente os 02 (dois) Clubes que tiverem obtido as melhores campanhas, na primeira fase da competição, terão o direito de jogar em seus estádios. Os demais devem jogar fora do município, visando atender as normas de segurança das partidas.“. Como diria o famoso comentarista de arbitragem da Vênus Platinada, “a regra é clara”. Se essa parte do regulamento fosse cumprida, o Palmeiras (terceiro time da capital classificado) deveria jogar a sua partida, mesmo como mandante, contra o Botafogo de Ribeirão Preto fora da cidade de São Paulo. E o que a FPF fez? Colocou Corinthians e São Paulo para jogarem no mesmo dia – sábado – em horários diferentes em seus respectivos estádios e deixou a partida do Palmeiras ser realizada no domingo, às 11h, no Allianz Parque, na Zona Oeste da capital paulista. Isso é uma violação ao Estatuto do Torcedor, que determina que uma competição realizada no País não tenha seu regulamento alterado após a divulgação do mesmo.

E, dessa forma, após absurdos e mais absurdos, que a falta de seriedade reina nos estaduais, que a cada ano que passa ficam cada vez mais irrelevantes para os clubes grandes, não fortalecem os pequenos e que só servem para agradar cartolas, especialmente para o pleito da CBF. Lamentável.

Por Jorge Almeida

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