A trágica semana da música caipira

Música caipira perdeu em uma semana os cantores José Rico e Inezita Barroso
Música caipira perdeu em uma semana os cantores José Rico e Inezita Barroso

Assim como o dia 3 de fevereiro ficou conhecido como “o dia em que o Rock morreu” em virtude de um acidente aéreo que vitimou os cantores Buddy Holly, Ritchie Valens e J. “The Big Bopper” Richardson em 1959, aqui no Brasil, infelizmente, podemos parafrasear o evento que matou três cantores norte-americanos como “semana em que a música caipira morreu”. Sim, amigos, essa semana, entre os dias 2 e 8 de março, um dos gêneros musicais mais populares na terra brasilis perdeu duas icônicas figuras: José Rico e, hoje, Inezita Barroso.

O parceiro de Milionário sucumbiu na última terça-feira, aos 68 anos, em virtude de complicações no coração, rins e joelho. O pernambucano de São José do Belmonte, nascido em 29 de junho de 1946, José Rico foi criado na cidade paranaense de Terra Rica, que o inspirou a adotar o nome artístico “José Rico”. No final dos anos 1960, formou dupla sertaneja com Milionário e, em quase 45 anos de carreira, lançaram 29 álbuns. No entanto, o maior sucesso dos dois foi o clássico atemporal “Estrada da Vida”, composta por José Rico para o álbum de mesmo nome lançado em 1977. O tema rendeu um filme para a dupla de mesmo nome pouco tempo depois. Milionário e José Rico ficaram separados entre 1991 e 1994, mas a parceria foi retomada. No perfil da dupla no Facebook, a nota que informava o falecimento de José Rico foi finalizada com um verso de “Estrada da Vida”: “Mas o tempo cercou minha estrada e o cansaço me dominou, minhas vistas se escureceram e o final desta vida chegou”.

E neste domingo, dia 8, em pleno Dia Internacional da Mulher, o universo sertanejo perde Inezita Barroso, a grande dama da música caipira de raiz. Inezita Barroso, que fizera 90 anos no último dia 4, deu entrada no Hospital Sírio-Libanês no dia 19 de fevereiro. Nascida na Barra Funda, Ignez Magdalena Aranha de Lima, filha de família tradicional paulistana, teve a infância cercada por influências musicais diversas, contudo, foi na fazenda da família, no interior paulista, que desenvolveu o amor pela música caipira. O primeiro trabalho da multi-artista (além de cantora, ela foi instrumentista, atriz, folclorista, professora e apresentadora) foi gravado em 1951. Desde então, em mais de 60 anos carreira, acumulou mais de 200 prêmios. Depois de ter passado pela TV Record, a extinta TV Tupi, Inezita Barroso chegou na TV Cultura em 1980, onde apresentou por 35 anos o programa “Viola, Minha Viola”, que ao longo de suas mais de 1.500 edições recebeu convidados como Tonico & Tinoco, As Irmãs Galvão, Cascata & Cascatinha, Chitãozinho & Xororó, Almir Sater, Sérgio Reis, os citados Milionário & José Rico, e outros célebres nomes da música caipira/sertaneja.

O velório de Inezita Barroso será realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo e será enterrada no cemitério Gethsêmani, no bairro do Morumbi, Zona Sul de São Paulo.

E, assim, não só a música caipira/sertaneja que perde com as mortes de José Rico e Inezita Barroso, perde também a cultura brasileira com a ausência dessas duas lendárias figuras.

Descanse em paz José Rico e Inezita Barroso. Obrigado pelo legado deixado.

Por Jorge Almeida

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