Queen: 40 anos de “Queen II”

Queen II: apesar de não constar no rol dos clássicos da Rainha, trata-se de um excelente trabalho. Na capa, a lendária foto captada por Mick Rock
Queen II: apesar de não constar no rol dos clássicos da Rainha, trata-se de um excelente trabalho. Na capa, a lendária foto captada por Mick Rock

O segundo álbum de estúdio do Queen teve o seu 40º aniversário de lançamento no último dia 8 de março. Gravado no Trident Studios, em Londres, em agosto de 1973, “Queen II” teve a co-produção assinada por Roy Thomas Baker, Robin Cable e a própria banda

O registro é dividido em duas partes: o “lado branco” (“white side”), que é o lado A, e o “lado preto” (“black side”), obviamente, o lado B. Ou ainda: de um lado, as composições de Brian May, juntamente com uma de Roger Taylor, e do outro: todas as faixas assinadas por Freddie Mercury. Enquanto o guitarrista compunha temas emocionais, o vocalista optou por assuntos relacionados a fantasias e temas “negros”. O baixista John Deacon só começou a contribuir como compositor a partir de “Sheer Heart Attack” (1974).

Embora houvesse um curto espaço de tempo entre o lançamento do ‘debut’ e de “Queen II”, os músicos da banda evoluíram muito e ousaram ao aliar instrumentos como cítaras, sinos, pianos, enfim, toda aquela variação musical que marcou a carreira do grupo até a morte de Freddie Mercury, em 1991.

O trabalho abre com a instrumental “Procession”, que é uma espécie de marcha fúnebre em que Brian May fez em uma guitarra Multi-track. Roger Taylor contribuiu também ao utilizar apenas um pedal de baixo.

Na sequência vem “Father To Son”, que lembra um pouco o Led Zeppelin, principalmente por conta das linhas de guitarra de Brian May na faixa. Fez parte do setlist do Queen até 1975.

O terceiro tema é a melancólica “White Queen (As It Began)”, que mescla sinfônico e o peso do Heavy Metal. O vocal também merece destaque.

Posteriormente vem “Some Day One Day”, que foi a primeira música inteiramente cantada por Brian May, que utiliza guitarras elétrica e acústica, além de fazer três solos.

Já “The Loser In The End”, que encerra o “lado branco”, foi a única contribuição de Roger Taylor no álbum, tanto na composição quanto na parte vocal. O tema relata a fuga de um adolescente de casa.

A partir de agora, “Queen II” só tem a assinatura de Mercury nas canções. A primeira delas foi “Ogre Battle”, que foi feita pelo vocalista na guitarra em 1972 e que não entrou no ‘debut’ porque ele queria ter mais tempo (e liberdade) para deixar do jeito que queria. Freddie narra a batalha de Ogros (cujo gritos são do próprio vocalista e também de Taylor). Merece atenção a introdução e o riff. Uma das melhores do disco.

Depois surge a complexa “The Fairy Feller’s Master-Stroke”. Freddie inspirou-se na obra do mesmo nome, pintada por Richard Dadd. Na gravação, o frontman tocou piano e cravo, o produtor Roy Thomas Baker tocou castanholas. A complexidade da música é tanta que, talvez, por isso, eles nunca a tenham tocado ao vivo.

Em “Nevermore”, Freddie Mercury mata a pau ao tocar piano com maestria. Trata-se de uma linda balada. Se eu não estiver exagerando, ela é a precursora de “Love Of My Life”. A letra fala de sentimentos depois de um desgosto. Pena que ela é muito curta (tem menos de 1’30” de duração).

E o álbum segue em direção ao seu final com a excelente “The March Of The Black Queen” que, assim como “The Fairy Feller’s…”, é marcada pela complexidade da canção. Mas, diferentemente da música inspirada na obra de Dadd, ela chegou a ser executada nos concertos da banda, mas, geralmente em alguns ‘medleys’ nos anos 1970. Freddie a compôs em um piano em 1973.

A penúltima faixa é “Funny How Love Is”, criada em estúdio enquanto Mercury tocava piano e Cable produziu. A produção foi feita com a técnica da “parede de som”. É um tema pouco conhecido do vasto repertório da banda, mas, conduz perfeitamente o ouvinte para a canção final do “black side”.

E o disco finaliza com “Seven Seas Of Rhye”, que, de longe, é o tema mais conhecido do álbum. A sua introdução (uma pequena parte instrumental) foi gravada em “Queen” – o álbum. A música fala do mundo de fantasia de um lugar fictício chamado Rhye. E constantemente fez parte do set do Queen durante toda a existência da banda. Aliás, a ideia inicial era de que o play abrisse justamente com essa faixa, como se fosse dar uma continuidade à música de encerramento do ‘debut’, mas na finalização das sessões de gravação ficou acordado que ela seria melhor colocada na parte final do disco.

E também é bom destacar a fotografia de Mick Rock (guardem esse nome!) para a capa do álbum. A imagem foi bastante reutilizada pela própria banda, como nos vídeos de “Bohemiam Rhapsody” e “One Vision”.

Embora tenha recebido críticas mistas, “Queen II” não chega a ser um dos trabalhos mais aclamados da Rainha. No entanto, é cultuado por gente como Axl Rose, Billy Corgan e Steve Vai.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist de “Queen II”.

Álbum: Queen II
Intérprete: Queen
Lançamento: 8 de março de 1974
Gravadora: EMI (Reino Unido); Elektra (EUA); Parlophone (Europa)
Produtores: Roy Thomas Baker, Robin Cable e Queen

Freddie Mercury: voz, backing vocal, piano, cravo, cordas de piano em “Nevermore
Brian May: guitarras, violões, sinos em “The March Of The Black Queen”, backing vocal, piano, órgão e voz solo em “Some Day One Day
Roger Taylor: bateria, gongo, marimba, backing vocal, voz solo em “The Loser In The End
John Deacon: baixo e violões

Roy Thomas Baker: castanholas em “The Fairy Feller’s Master-Stroke” e stylophone em “Seven Seas Of Rhye
Robin Cable: efeitos de piano em “Nevermore

1. Procession (Instrumental) (May)
2. Father To Son (May)
3. White Queen (As It Began) (May)
4. Some Day One Day (May)
5. The Loser In The End (Taylor)
6. Ogre Battle (Mercury)
7. The Fairy Feller’s Master-Stroke (Mercury)
8. Nevermore (Mercury)
9. The March Of The Black Queen (Mercury)
10. Funny How Love Is (Mercury)
11. Seven Seas Of Rhye (Mercury)

Por Jorge Almeida

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