Queen: 35 anos de “Jazz”

Jazz: o primeiro álbum do Queen gravado fora do solo britânico
Jazz: o primeiro álbum do Queen gravado fora do solo britânico

O sétimo álbum de estúdio do Queen, o clássico “Jazz”, faz hoje, 10 de novembro, o 35º aniversário de seu lançamento. Gravado entre junho e outubro de 1978 no Montain Studios, em Montreaux, e no Super Bear Studios, em Berre-les-Alpes, na França, o disco foi o primeiro que a banda gravou fora da Inglaterra. Nele, há a volta do rock mais puro e simples, diferentemente dos arranjos mais complexos dos trabalhos anteriores, em especial, em “A Night At Opera” (1975) e “A Day At The Races” (1976). A produção marcou a volta da parceria entre a banda e Roy Thomas Baker, que produziu “A Night At Opera”, enquanto os dois trabalhos posteriores, “A Day At The Races” e “News Of The World” (1977) foram produzidos pelo Queen e por Mike Stone.

Então, em virtude dessa mudança, o disco teve recepção moderada pela crítica. Enquanto uns alegavam que o álbum não tinha nada a ver com Jazz (o ritmo), além de uma crítica voraz de Dave Marsh, da Rolling Stone, que na época comentou: “o Queen pode ser a primeira banda de rock verdadeiramente fascista”. Outros, porém, elevavam o disco por conta de uma variação “selvagem” de ritmos musicais. Além disso, o álbum decepcionou a banda em relação à aceitação do público. Mesmo assim, “Jazz” alcançou o segundo lugar nos charts ingleses, o sexto posto na Billbord 200 nos Estados Unidos, além de atingir o topo das paradas em Portugal e outras boas colocações em Holanda (4º lugar) e a 5ª posição no Japão e também na Alemanha.

Em visita aos Estados Unidos, em 1978, o Queen realizou algumas apresentações por lá. E, após o concerto do dia 31 de outubro em New Orleans naquele ano, ou seja, no pré-lançamento de “Jazz”, a banda promoveu uma grande festa para 400 convidados, que iam desde amigos, passando pelo pessoal da EMI e da Elektra, até a imprensa da Inglaterra, do Japão, da América do Sul e dos EUA. O evento começou à meia-noite e rolou madrugada adentro. Detalhe: tudo bancado pela banda ao invés da gravadora. A festa foi marcada pela presença de stripers, dançarinos, anões (!?), cuspidores de fogo, enfim, tudo regado a muita bebida e, possivelmente, drogas. O evento tornou-se um dos mais bizarros da história do rock e, se vacilar, é falado até hoje, 35 anos depois.

No lançamento do disco, foram disponibilizadas para a imprensa a fotografia de várias modelos contratadas nuas em uma corrida de bicicletas, que ganhou destaques em vários jornais e periódicos musicais da época. Porém, em alguns países, o cartaz sofreu algumas alterações, como a inclusão de um biquíni e sutiã nas modelos.

Dois vídeos foram filmados para as músicas “Fat Bottomed Girls” e “Bicycle Race”, com o diretor Dennis De Vallance, durante os ensaios, no Centro de Convenções de Dallas, Texas, em 28 de outubro, onde foi realizada a abertura da turnê norte-americana. Em “Bicycle Race”, a produção também ocorreu no lendário Estádio de Wimbledon, onde cinquenta mulheres nuas disputaram uma corrida de bicicleta. O fato causou um certo choque na opinião pública.

O disco abre com a enigmática “Mustapha”, que tem letras consistentes em inglês, árabe, persa e, possivelmente, com algumas delas inventadas por Freddie Mercury. É uma ótima trilha de abertura de álbum do Queen.

Em seguida surge “Fat Bottomed Girls”, escrita por May, que fez o vocal compartilhado com Freddie, além de cantar o refrão principal. Nos shows, Mercury a cantava inteira enquanto May e Roger Taylor faziam as harmonias. Ela foi inspirada nas groupies que ficavam em torno de bandas procurando muito mais do que um simples autógrafo. Um clássico absoluto.

O terceiro tema é “Jealousy”, uma canção simples, porém, muito bonita e fala da dor que o ciúme pode provocar em um relacionamento. Destaque para o vocal impecável de Freddie Mercury.

A faixa seguinte é “Bicycle Race”, escrita por Freddie Mercury enquanto a banda estava no Super Bear Studios, na França. E, quando a tradicional Volta da França passou por Nice, o vocalista se inspirou para escrevê-la e incorporou sinos de bicicletas.

Na continuidade de “Jazz”, temos a presença de “If You Can’t Beat Them”, que, possivelmente, é a música mais pesada escrita por John Deacon, e está longe da popularidade de outros temas assinados pelo baixista como “Another One Bites The Dust” e “I Want To Break Free”, por exemplo. Nela, May desempenha todas as guitarras, além de trazer um solo de mais de dois minutos.

E o álbum encerra o lado A com “Let Me Entertain You”, escrita por Mercury, e dirigida diretamente para o público.

Na época do vinil, “Dead On Time” foi a canção que abriu o lado B do álbum. Escrita por Brian May, ela apresenta um ritmo acelerado com guitarra rápida e uma bateria intensa por parte de Roger. Lembra um pouco “Keep Yourself Alive”. A música termina com um trovão, seguido de Mercury gritando: “You’re dead!”. Detalhe: o som do raio foi gravado por May em um gravador portátil durante uma tempestade e no encarte do álbum, há uma nota declarando: “Thunderbolt cortesia de Deus”.

Já em “In Only Seven Days” há algumas semelhanças com “Spread Your Wings”. Outra bela contribuição de John Deacon. Uma balada que conta a história de um romance de férias abrangendo em uma semana movimentada. Apesar de nunca ter aparecido em um show do Queen, foi escolhida como lado B do segundo single de “Jazz” no Reino Unido, “Don’t Stop Me Now”, em janeiro de 1979.

Posteriormente, o álbum apresenta “Dreamers Ball”, música que Brian May homenageia Elvis Presley, que morreu no ano anterior. Um grande vocal de Freddie Mercury.

A primeira contribuição de Roger Taylor em “Jazz” foi em “Fun It”, a décima faixa do disco. Há nítida influência de funk (não confunda com o carioca, por favor) com a discoteca. Nela, o baterista e o vocalista compartilham os vocais. A música contou com o uso de bateria eletrônica e pode ser vista como uma espécie de “embrião” para “Another One Bites The Dust”.

A antepenúltima faixa do álbum é “Leaving Home Ain’t Easy”. Uma balada composta por Brian May, que fez todos os vocais.

Na sequência, vem a canção mais famosa do álbum e também do grupo: “Don’t Stop Me Now”. Brian May quase não participa de sua execução. Ele apenas faz os backing vocais e um curto, mas memorável, solo. Freddie toca o piano de forma incrível na música. Um sucesso radiofônico estrondoso. E só uma curiosidade sobre ela: em 5 de dezembro de 2011, o Google usou a música em seu Google Doodle para celebrar o 65º aniversário de Freddie Mercury.

E, para finalizar, “More That Jazz”, em que Roger Taylor fala sobre a sociedade da época e a forma de como o rock and roll era desrespeitado. O baterista, além de cantá-la, toca a maioria dos instrumentos, percussão, baixo e guitarra.

Ainda assim, apesar de não estar no mesmo patamar dos trabalhos anteriores recentes em relação a ele, “Jazz” é um excelente trabalho desse magnífico e peculiar grupo britânico.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do play.

Álbum: Jazz
Intérprete: Queen
Lançamento: 10 de novembro de 1978
Gravadora: EMI / Parlophone (Europa); Elektra / Hollywood (EUA)
Produtores: Queen e Roy Thomas Baker

Freddie Mercury: voz, backing vocal e piano
Brian May: guitarra, violão, backing vocal, voz em “Fat Bottomed Girls” e “Leaving Home Ain’t Easy
Roger Taylor: bateria, percussão, backing vocal, baixo, guitarra e voz em “Fun It” e “More That Jazz
John Deacon: baixo, guitarra, violão e percussão

1. Mustapha (Mercury)
2. Fat Bottomed Girls (May)
3. Jealousy (Mercury)
4. Bicycle Race (Mercury)
5. If You Can’t Beat Them (Deacon)
6. Let Me Entertain You (Mercury)
7. Dead On Time (May)
8. In Only Seven Days (Deacon)
9. Dreamers Ball (May)
10. Fun It (Taylor)
11. Leaving Home Ain’t Easy (May)
12. Don’t Stop Me Now (Mercury)
13. More That Jazz (Taylor)

Por Jorge Almeida

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