Show de Arnaldo Antunes no Sesc Belenzinho (31.10.2013)

Arnaldo Antunes interagindo com o público no Sesc Belenzinho. Foto: Thiago "Woody" Carvalho
Arnaldo Antunes interagindo com o público no Sesc Belenzinho. Foto: Thiago “Woody” Carvalho

Os paulistanos que foram ao Sesc Belenzinho na noite desta quinta-feira, 31 de outubro, tiveram a oportunidade de ver a primeira de uma série de seis apresentações no local do cantor e compositor Arnaldo Antunes, que promovia o lançamento de seu mais recente trabalho, o álbum “Disco”. Assim como as apresentações do Sepultura, realizada na semana anterior na mesma unidade, os concertos de Arnaldo Antunes estão a ser concretizados na comedoria da instituição, logo, a quantidade (e procura) de lugares ficaram limitadas.

Dessa forma, pontualmente às 21h30, o ex-titã se adentrou ao palco acompanhado dos músicos Edgard Scandurra (guitarra), Chico Salém (guitarra e violão), Betão Aguiar (baixo), Curumim (bateria) e André Lima (teclados e sanfona) enquanto a faixa “Agora”, do álbum “Nome” (1993) – o primeiro trabalho solo de Antunes – rolava nas PA’s.

Com todos os músicos devidamente trajados de branco, Arnaldo e banda começaram a apresentação mandando logo três músicas do novo trabalho: “Muito Muito Pouco”, “Sou Volúvel” e “Trato”. Na sequência, dois sucessos do compositor gravados nos anos 2000, casos de “Atenção” e “Consumado”, e, posteriormente, veio a excelente “Dizem (Quem Me Dera)”, do novo álbum. O disco “Qualquer” foi lembrado no show, tanto que depois surgiu “Hotel Fraternité”. Depois, Arnaldo Antunes cantou “Grávida”, música que ele fez em co-autoria com Marina Lima, que a gravou em 1991 no álbum que leva seu nome.

E, antes de tocarem o próximo tema, Arnaldo disse ao público que não gosta de utilizar o termo “Techno-brega” porque soa pejorativo, pois a “música é boa pra caralho”, e mandou bala em “A Casa É Sua”, uma das mais aclamadas pela plateia. Na continuidade do show, mais uma do disco “Disco”: “Querem Mandar”. Eis que da mais recente música, Arnaldo recorreu a uma faixa que foi lançada em seu primeiro registro da carreira solo, trata-se de “Nome Não”. O espetáculo foi prosseguido por “Contato Imediato”. Então, o vocalista disse que entraria na “atmosfera do acústico” e, depois disso, vieram os banquinhos para ele e os músicos executarem a novata “Azul Vazio”, seguida de uma homenagem a João Donato com “Até Quem Sabe?”, a ótima “Saiba” e “Meu Coração”, que iniciou de forma acústica, inclusive sem a presença de Curumim no palco, e terminou “elétrica”, com o baterista de volta ao posto.

O show já estava em sua parte final quando Arnaldo Antunes e cia. mandaram “Ela É Tarja Preta”, do novo registro e potencial hit, acompanhada de “Invejoso” e das duas últimas canções de “Disco” na noite: “Vá Trabalhar” e “Sentido”. E, antes do bis, o poeta ainda relembrou um “lado B” de seus tempos de Titãs: a saudosa “Medo”, faixa originalmente gravada em “Õ Blésq Blom”, de 1989, e encerrou a primeira parte do espetáculo com “Fora de Si”.

Depois de uma breve pausa, Arnaldo e banda voltaram para tocarem mais três temas: “Envelhecer”, “Socorro” (que acredito que seja o seu maior sucesso desde que saiu dos Titãs) e finalizou com “Passa Em Casa”, gravada originalmente pelos Tribalistas e que teve a participação especial de Margareth Menezes.

Arnaldo ainda se deu ao luxo de deixar clássicos como “Pedido de Casamento”, “Essa Mulher”, “O Silêncio”, “Judiaria” (de Lupicínio Rodrigues) e “Música Para Ouvir” fora do set, e isso sem contar sucessos dos Titãs de sua época, como “O Pulso”, “Não Vou Me Adaptar”, “Comida” e “Televisão”.

Com músicos competentes que o acompanha há alguns anos, Arnaldo Antunes segue firme em sua carreira solo e, pelo que escutei no show, acredito que “Disco” será mais um bom trabalho do ex-titã. Aliás, menções honrosas para Edgard Scandurra, que considero uma espécie de “Jimi Hendrix brasileiro”. O cara toca muito. O jeito que ele toca guitarra, os seus improvisos, faz parecer ser fácil tocar.

A seguir, a ficha técnica e o setlist do espetáculo, além dos respectivos álbuns em que as músicas foram gravadas originalmente.

Introdução – Agora (Arnaldo Antunes) – Nome (1993)
1. Muito Muito Pouco (Arnaldo Antunes) – Disco (2013)
2. Sou Volúvel (Arnaldo Antunes / Marisa Monte / Dadi Carvalho) – Disco (2013)
3. Trato (Arnaldo Antunes / Céu / Hyldon) – Disco (2013)
4. Atenção (Arnaldo Antunes / Alice Ruiz / João Bandeira) – Paradeiro (2001)
5. Consumado (Arnaldo Antunes / Marisa Monte / Carlinhos Brown) – Saiba (2004)
6. Dizem (Quem Me Dera) (Arnaldo Antunes / Marisa Monte / Dadi Carvalho) – Disco (2013)
7. Hotel Fraternité (Aldo Fortes / Hans Magnus Enzensberger / Versão: Arnaldo Antunes) – Qualquer (2006)
8. Grávida (Arnaldo Antunes / Marina Lima) – Marina Lima (1991)
9. A Casa É Sua (Arnaldo Antunes / Ortinho) – Iê Iê Iê (2009)
10. Querem Mandar (Arnaldo Antunes / Marisa Monte / Dadi Carvalho) – Disco (2013)
11. Nome Não (Arnaldo Antunes) – Nome (1993)
12. Contato Imediato (Arnaldo Antunes / Marisa Monte / Carlinhos Brown) – Qualquer (2006)
13. Azul Vazio (Arnaldo Antunes / Márcia Xavier) – Disco (2013)
14. Até Quem Sabe? (Lysias Ênio / João Donato) – Quem É Quem (1973)
15. Saiba (Arnaldo Antunes) – Saiba (2004)
16. Meu Coração (Arnaldo Antunes / Ortinho) – Iê Iê Iê (2009)
17. Ela É Tarja Preta (Arnaldo Antunes/Betão Aguiar/Luê/Felipe Cordeiro/Manoel Cordeiro) – Disco (2013)
18. Invejoso (Arnaldo Antunes / Liminha) – Iê Iê Iê (2009)
19. Vá Trabalhar (Arnaldo Antunes) – Disco (2013)
20. Sentido (Arnaldo Antunes / Nando Reis) – Disco (2013)
21. Medo (Arnaldo Antunes / Tony Bellotto) – Õ Blésq Blom (1989)
22. Fora de Si (Arnaldo Antunes) – Ninguém (1995)
Bis:
23. Envelhecer (Arnaldo Antunes / Ortinho / Marcelo Jeneci) – Iê Iê Iê (2009)
24. Socorro (Arnaldo Antunes / Alice Ruiz) – Um Som (1998)
25. Passa Em Casa (Arnaldo Antunes/Marisa Monte/Carlinhos Brown/Margareth Menezes) – Tribalistas (2003)

Por Jorge Almeida

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