Show do Sepultura no Sesc Belenzinho (26.10.2013)

Sepultura em ação no Sesc Belenzinho. Foto: Jorge Almeida
Sepultura em ação no Sesc Belenzinho. Foto: Jorge Almeida

Depois de duas apresentações na comedoria do Sesc Belenzinho (a de quinta-feira foi “extra”), o Sepultura fez mais uma ótima apresentação na noite deste sábado, 26 de outubro, no mesmo local. Na sexta-feira, o show teve a participação especial de João Gordo, vocalista do Ratos de Porão, que fez vocal em “Biotech Is Godzilla” e “Crucificado Pelo Sistema”. A apresentação da maior banda brasileira de Metal (seja ele Trash, Death, Groove, seja lá o que for) fez parte do projeto “Álbum” organizado pelo Sesc, que tem como objetivo resgatar épocas da música brasileira através de registros fonográficos que contribuíram a construir a história do País através da arte, cultura e entretenimento. Assim, o grupo mineiro também contribuiu (e muito) para essa construção, inclusive marcando o nome do Brasil no cenário internacional do Metal, e o trabalho escolhido para sintetizar a sua obra foi o clássico “Chaos A.D.”, de 1993, que teve todas as suas músicas executadas, porém, de forma aleatória em relação ao tracklist do álbum.

A banda subiu ao palco do recinto pontualmente às 21h30 com Andreas Kisser (guitarra e backing vocal), Paulo Xisto Jr. (baixo e backing vocal), Derrick Green (voz e percussão) e Eloy Casagrande (bateria) enquanto os músicos se posicionavam rolava a intro de “Chaos B.C.” nas PA’s. Com todos os integrantes em seus respectivos lugares e instrumentos plugados, o Sepultura começou a pancadaria com “Propaganda”, “Slave New World” e “Amen”, todas do disco de 1993.

Então, Andreas Kisser saúda o público e reitera que a próxima música foi tocada pela primeira vez ao vivo no último Rock In Rio e, em seguida, detonam com “The Hunt”, cover do New Model Army. Depois, mais clássicos de “Chaos A.D.”: “Nomad”, “Manifest”, “We Who Are Not As Others”, a instrumental “Kaiowas”, com Derrick Green na percussão. O guitarrista foi ao microfone mais uma vez para informar que o próximo tema se tratava de um cover “de uma banda brasileira que a gente respeita demais” e que a música consta apenas na edição brasileira de “Chaos A.D.”. O público foi ao delírio, pois sabiam que “Polícia”, sucesso dos Titãs, viria na sequência. Posteriormente, vieram a acelerada “Biotech Is Godzilla”, emendada de “Crucificados Pelo Sistema” – que Andreas cantou de forma rápida e certeira. Após o cover do Ratos de Porão, um dos pontos altos da apresentação: a atemporal “Territory” e, antes do tradicional bis, a música que abre “Chaos A.D.”, “Refuse/Resist”.

Depois de uma pequena pausa, o Sepultura volta ao palco para tocar mais seis temas: duas do novo trabalho “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart” (2013) – “Trauma Of War” e “The Vatican” -, seguida de “Spectrum”, do álbum “Kairos” (2011) e mais três clássicos da fase dos “Cavalera”: “Arise”, “Rhatamahatta” e “Roos Bloody Roots”.

O concerto que o Sepultura fez no Sesc Belenzinho explicou porque a banda é uma das mais conceituadas no Metal. Além disso, a performance de Derrick Green e do novato-gente-grande Eloy Casanova aqui serviu para calar as “xiitas viúvas de Max e Igor Cavalera”, pois, ambos não comprometeram em nada. Ao contrário, justificaram porque foram os escolhidos. Aliás, comparo a presença de Eloy na banda da mesma forma em que C.Jay Ramone entrou para os Ramones. Ou seja, ambos mais jovens em relação aos demais integrantes dos dois grupos e preencheram as vagas de membros fundadores. No caso de C.Jay, Dee Dee Ramone, e no de Eloy, Igor Cavalera (sim, eu sei que após a saída do baterista original do Sepultura, Jean Dolabella assumiu as baquetas). Logo, Eloy deu um “sangue novo” para Andreas, Paulo e Derrick.

E, só para finalizar, pelo pouco que escutei do novo álbum dos caras – “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart” -, aparentemente, é o melhor disco do Sepultura da fase Derrick Green e também o melhor desde “Roots”. Seria uma coincidência? Pois o disco foi produzido por Ross Robinson, o mesmo que produziu o álbum de 1996.

Finalizada a apresentação, a plateia se dispersou do recinto e os fãs que permaneceram à espera de uma chance em tirar fotos ou pegar autógrafos com os ídolos tiveram sorte. Pois, cada um deles atendeu a galera, embora sempre tenha uns ‘engraçadinhos’ que tentam estragar essa oportunidade em que o fã tenta registrar o encontro com o ídolo. Mas, no geral, o show do Sepultura foi “du carai”, apesar de o microfone de Derrick Green estar baixo. E só faço uma ressalva ao Sesc: por favor, quando promoverem shows de bandas do quilate de um Sepultura, ou de um Titãs ou Paralamas do Sucesso, por exemplo, organizem as apresentações em uma unidade maior, como a de Itaquera ou a de Interlagos, pois a procura de ingresso foi muito grande para um espaço limitadíssimo como o do Belenzinho.

Abaixo, o setlist da apresentação do Sepultura no Sesc Belenzinho.

Intro – Chaos B.C. (Andreas Kisser/Igor Cavalera/Max Cavalera/Roy Mayorga)
1. Propaganda (Max Cavalera)
2. Slave New World (Evan Seinfeld / Max Cavalera)
3. Amen (Max Cavalera)
4. The Hunt (Sullivan / Heaton)
5. Nomad (Andreas Kisser)
6. Manifest (Max Cavalera)
7. We Who Are Not As Others (Max Cavalera)
8. Kaiowas (Instrumental) (Max Cavalera)
9. Clenched Fist (Max Cavalera)
10. Polícia (Tony Bellotto)
11. Biotech Is Godzilla (Biafra)
12. Crucificados Pelo Sistema (João Gordo e Ratos de Porão)
13. Territory (Andreas Kisser)
14. Refuse / Resist (Max Cavalera)
Bis:
Intro – Trauma Of War (Sepultura)
15. Trauma Of War (Sepultura)
16. The Vatican (Sepultura)
17. Spectrum (Sepultura)
18. Arise (Max Cavalera)
19. Rhatamahatta (Carlinhos Brown)
20. Roots Bloody Roots (Max Cavalera)

Por Jorge Almeida

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