Iron Maiden: 20 anos de “A Real Dead One”

"A Real Dead One": o primeiro trabalho do Iron Maiden a ser produzido exclusivamente por Steve Harris
“A Real Dead One”: o primeiro trabalho do Iron Maiden a ser produzido exclusivamente por Steve Harris

Ontem, 18 de fevereiro, foi lembrado o 20º aniversário de “A Real Dead One”, um álbum ao vivo gravado pelo Iron Maiden entre agosto de 1992 e junho de 1993 em diversos países pela Europa durante as “Fear Of The Dark Tour” e “Real Live Tour”. O disco foi o primeiro a ser produzido exclusivamente pelo baixista Steve Harris, que fez a co-produção de “Fear Of The Dark” (1992) com Martin Birch.

Apesar de os primeiros anos da década de 1990 viverem o auge do grunge, os apreciadores do Heavy Metal não ficaram “órfãos”, pois nesse período foram lançados grandes clássicos do gênero, como “Painkiller” (1990), do Judas Priest; “No More Tears” (1991), de Ozzy Osbourne; “Dehumanizer” (1992), do Black Sabbath; “1916” (1991), do Motörhead; o divisor de águas “Metallica” (conhecido como “Black Album”), do próprio, em 1991; e é claro que o Iron Maiden não poderia ficar de fora. Na época, Steve Harris e sua trupe lançaram “No Prayer For The Dying” (1990) e o clássico “Fear Of The Dark”. E mesmo com a “turma de Seattle” em alta, os shows do Iron Maiden continuavam lotando estádios e arenas pelo mundo afora, inclusive com concertos memoráveis no Brasil. E isso pode ser comprovado no “Live At Donington” (1992), registro ao vivo da Donzela lançado em 8 de novembro de 1993.

Contudo, apesar de estar em meio a um “oásis” em relação a situação do rock na época, Bruce Dickinson demonstrava sua insatisfação em continuar como vocalista do Iron Maiden e, disposto a explorar outras vertentes do rock, decidiu sair da banda em 1993, mas concordou em permanecer para uma turnê de despedida e para o lançamento de dois registros ao vivo, o que virou “A Real Live One”, lançado em março de 1993, e “A Real Dead One”, editado em 18 de outubro de 1993, quando o vocalista já estava oficialmente fora da banda. O último concerto de Bruce (antes de sua volta em 1999) foi registrado em 28 de agosto de 1993, filmado pela BBC e lançado em Home Vídeo intitulado “Raising Hell”.

A diferença entre os dois “lives” é que enquanto “A Real Live One” trazia no tracklist faixas que apresentava músicas do período de 1986 a 1992, ou seja, que iam desde “Somewhere In Time” (1986) a “Fear Of The Dark” (1992), “A Real Dead One” tinha os clássicos dos cinco primeiros registros da banda – de 1980 a 1984. Porém, quando toda a discografia do Iron Maiden foi remasterizada, em 1998, os dois registros foram relançados em um CD duplo e com a capa de “Live One”.

E, por falar em capa, a de “Dead One” foi assinada por Derek Riggs que, inclusive, foi uma das últimas de um disco do Maiden feita pelo artista. A arte retrata Eddie como um DJ no inferno. O álbum teve como single uma versão ao vivo de “Hallowed Be Thy Name”, gravada na Arena Olímpica de Moscou em 4 de junho de 1993.

Apesar de a qualidade da produção não ser “lá essas coisas”, o repertório foi bem escolhido para o disco. Inclusive, Janick Gers merece atenção especial aqui, pois, apesar de não ter nenhuma faixa de sua época no Iron Maiden (ele entrou quando o grupo lançou “No Prayer For The Dying”, em 1990), o guitarrista reproduziu as linhas de Adrian Smith com maestria – exceto nos solos, como já é de praxe por parte dele. Além disso, a banda mostrou a mesma competência costumeira dos atuais trinta e tantos anos de estrada.

Desde a primeira faixa, a emblemática “The Number Of The Beast”, passando por hinos como “The Trooper”, “2 Minutes To Midnight”, “Run To The Hills”, até o encerramento com a apoteótica “Hallowed Be Thy Name”, o apreciador do Metal não tem do que reclamar. Inclusive, há temas da fase de Paul Di’Anno, como “Prowler”, “Remember Tomorrow”, “Running Free”, “Sanctuary”, o clássico que dá o nome à banda e até a instrumental “Transylvania” foi inserida.

Enfim, é um grande registro feito pelo Iron Maiden. Contudo, dificilmente você encontrará esse álbum sem ser com a versão dupla, mas isso não pode ser considerado um obstáculo para adquiri-lo.

A seguir, a ficha técnica do play.

Álbum: A Real Dead One
Intérprete: Iron Maiden
Lançamento: 18 de outubro de 1993
Gravadora: EM
Produtor: Steve Harris

Bruce Dickinson: voz
Steve Harris: baixo
Dave Murray: guitarra
Janick Gers: guitarra
Nicko McBrain: bateria

Michael Kenney: teclados

1. The Number Of The Beast (Harris)
2. The Trooper (Harris)
3. Prowler (Harris)
4. Transylvania (Harris)
5. Remember Tomorrow (Di’Anno / Harris)
6. Where Eagles Dare (Harris)
7. Sanctuary (Di’Anno / Harris / Murray)
8. Running Free (Di’Anno / Harris)
9. Run To The Hills (Harris)
10. 2 Minutes To Midnight (Dickinson / Smith)
11. Iron Maiden (Harris)
12. Hallowed Be Thy Name (Harris)

Por Jorge Almeida

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