O Metal em seu estado bruto: show do Black Sabbath no Campo de Marte (11.10.13)

Ozzy Osbourne em ação no Campo de Marte: o Madman levou o público nas mãos em duas horas de apresentação. Foto: Jorge Almeida
Ozzy Osbourne em ação no Campo de Marte: o Madman levou o público nas mãos em duas horas de apresentação. Foto: Jorge Almeida

Os 70 mil presentes no Aeroporto Campo de Marte, na capital paulista, foram ao delírio na noite desta sexta-feira (11) com a apresentação da formação (quase) clássica do Black Sabbath. Em duas horas de espetáculo, o público curtiu cada segundo do evento protagonizado pela banda de Birmingham, que trouxe uma avalanche de clássicos do Metal, além de músicas do seu mais recente trabalho “13”, que coincidentemente tem o mesmo nome de um álbum da banda de abertura, o Megadeth. A diferença nos títulos é que o do Sabbath é que o “número” é intitulado de forma decimal, enquanto o da banda de Dave Mustaine mescla numeral e extenso – “TH1RT3EN” – e foi lançado em 2011.

Ao longo da tarde, a plateia foi adentrando ao local do show enquanto rolava um AC/DC nas PA’s. E, com o Campo de Marte amontoado, às 19h45, conforme o horário previsto, o Megadeth entrou em ação e foi bem recebido pelo público. No repertório, o grupo liderado por Dave Mustaine focou-se nos álbuns da primeira fase. Em uma hora de apresentação, a banda de abertura tocou os seguintes clássicos: “Hangar 18”, “Wake Up Dead”, “In My Darkest Hour”, “She-Holf”, “Sweating Bullets”, “Kingmaker” (a única do trabalho mais recente da banda, o álbum “Super Collider”), “Tornado Of Souls” e “Symphony Of Destruction” (com direito ao tradicional coro: “Megadeth! Megadeth! Megadeth!”). Após uma breve pauta, o grupo volta ainda para executar “Holy Wars… The Punishment Due”. E, entre um clássico e outro, um telão alternava imagens da banda e temas relacionados às músicas. No final, Mustaine mostrou sua simpatia e disse ao público “dirigir com cuidado, pois queria vê-los novamente”, enquanto isso rolava uma versão de Sid Vicious de “My Way” nas PA’s. Enfim, o Megadeth fez uma boa performance.

O show do Black Sabbath estava previsto para começar às 21h15, porém, dez minutos antes, a galera foi ao êxtase ao ouvir Ozzy Osbourne incitar o coro “ôô-ôô…” (em Porto Alegre, a banda começou 15 minutos antes do horário marcado) por trás de uma cortina preta. Até que soa a sirene que indicava o primeiro clássico da noite: “War Pigs”, que seria a faixa-título do álbum “Paranoid” (1970), mas que a gravadora vetou para “não incomodar os norte-americanos com a Guerra do Vietnã”. O público foi ao delírio logo de cara ao ver Ozzy Osbourne (voz), Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo) e Tommy Clufetos (bateria). Na sequência veio “Into The Void”, clássico de “Master Of Reality” (1971), com o seu avassalador riff (particularmente acho que é o maior riff do Metal) do mestre Tony Iommi. Só o fato de terem tocado essas duas já valeu o ingresso (!). O terceiro tema da noite foi a faixa que encerra o disco “Vol. 4” (1972): “Under The Sun/Every Day Comes And Goes”, que não teve o seu trecho final tocado. Outra canção do mesmo álbum veio na sequência, a peculiar “Snowblind”, que permitiu a plateia gritar a pleno pulmões “cocaine”.

O concerto dos pais do Heavy Metal apresentou a primeira música do novo álbum: “Age Of Reason”, que, obviamente, foi bem recebida pelos expectadores. Posteriormente surgiu uma trinca de clássicos do ‘debut’ do grupo. A primeira delas foi a faixa-título, que dá o nome à banda e o que é o “marco zero” da história do Heavy Metal (pelo menos em minha concepção), a inigualável “Black Sabbath”, seguida de “Behind The Wall Of Sleep” e “N.I.B.”, uma das mais aclamadas da noite. Em seguida, outro tema de “13”, a cadenciada “End Of Beginning”. Depois surgiram “Fairies Wear Boots”, a instrumental “Rat Salad” que foi emendada por um impressionante solo de bateria de Tommy Clufetos (substituto de Bill Ward), enquanto Ozzy, Tony Iommi e Geezer Butler descansavam no backstage. Na volta dos fundadores do Black Sabbath ao palco, um dos maiores sucessos do grupo foi tocado, a absoluta “Iron Man”, que antecedeu ao “carro-chefe” do trabalho de divulgação do quarteto, o hit (e futuro clássico) “God Is Dead?”. Em seguida, o único tema de “Technical Ecstasy” (1978) presente no set, “Dirty Women” que, ao contrário de shows do Sabbath em outros territórios, e para a tristeza dos marmanjos, não teve as “dirty women” levantando as camisetas durante a sua apresentação. E, antes da pausa, Ozzy e sua trupe ainda tocaram “Children Of The Grave” com o seu poderoso riff.

Após uma breve parada, o Madman – que puxou o coro “ôô-ôô” – e seus “parças” voltaram ao palco e instigaram o público ao tocarem os acordes iniciais de “Sabbath Bloody Sabbath” (que infelizmente não foi apresentada na íntegra) e emendaram com a tradicional “Paranoid”. Aliás, esse hino mesclou alegria e tristeza, pelo menos para mim. A alegria de ver ao vivo esse clássico tocado pelos mestres, mas a tristeza de lembrar que o show estava perto do fim. E Ozzy – assim como Mustaine – abençoou os seus súditos com um “God bless you!”.

O Black Sabbath, em duas horas de apresentação, tocou 16 músicas e mostrou porque são dignos de todas as reverências. Além de terem músicas compostas há pelo menos 40 anos, que são consideradas eternos clássicos, hinos, seja lá qual for a sua definição, o desempenho de seus integrantes no Campo de Marte fez valer cada centavo investido na compra do ingresso de quem foi vê-los.

Ozzy Osbourne, mesmo com a sua dislexia (sim, o Madman costuma “colar” as letras em um TP – teleprompter – para não esquecê-las), é um dos maiores frontman da história. Mesmo não sendo considerado um “exímio cantor”, seu carisma mesclado com a sua aparência insana é um dos segredos que o faz uma lenda. No palco, sua postura é totalmente oposta ao de seu antigo reality show. E de lá, seja puxando o coro, fazendo o seu “teatrinho”, pedindo para a plateia fazer mais barulho, “regendo” os seus súditos ou reverenciando o público, Ozzy faz de sua profissão um hobby, pois, ele parece “brincar” no palco.

Enquanto Tony Iommi e Geezer Butler, mesmo se movimentando pouco pela arena, mostraram a velha competência de sempre (quem teve a oportunidade de vê-los em outras encarnações do Black Sabbath ou pelo Heaven And Hell sabem do que estou me referindo). Enquanto o guitarrista com a sua Gibson SG executava os seus riffs certeiros e mostrava toda sua técnica, o baixista não ficava atrás. Afinal, Butler é o grande responsável pelas principais letras ocultas e sombrias da banda.

Já Tommy Clufetos provou aos “chefes” porque mereceu ocupar o posto de Bill Ward. Embora, boa parte do público lamentasse a falta do baterista original no concerto, o cara das baquetas da banda solo de Ozzy Osbourne teve uma performance impressionante, a ponto de que, em algumas ocasiões – como em “Into The Void”, por exemplo -, acredito que nem o próprio Ward executar com tamanha maestria em virtude de suas condições de saúde atuais. E sem falar no solo, mas aí nessa parte não poderia fazer qualquer tipo de julgamento, já que o solo varia de cada baterista. Infelizmente, em um show deste porte, a presença de Ward só seria relevante pela sua história no Black Sabbath.

Enfim, a apresentação do Black Sabbath foi inesquecível para quem esperou pelo momento há anos. Mesmo de idade avançada, esses senhores, no caso Ozzy, Iommi e Butler, mostraram como se faz um show de Heavy Metal de qualidade. Facilmente, entrou no top 5 no rol de melhores concertos que presenciei.

Abaixo, os setlists dos concertos do Megadeth e do Black Sabbath.

Megadeth:
1. Hangar 18 (Mustaine)
2. Wake Up Dead (Mustaine)
3. In My Darkest Hour (Mustaine / Ellefson)
4. She-Wolf (Mustaine)
5. Sweating Blues (Mustaine)
6. Kingmaker (Ellefson / Mustaine)
7. Tornado Of Souls (Mustaine / Ellefson)
8. Symphony Of Destruction (Mustaine)
9. Peace Sells (Mustaine)
10. Holy Wars… The Punishment Due (Mustaine)

Black Sabbath:
1. War Pigs (Iommi / Butler / Ward / Osbourne)
2. Into The Void (Iommi / Butler / Ward / Osbourne)
3. Under The Sun/Every Day Comes And Goes (Iommi / Butler / Ward / Osbourne)
4. Snowblind (Iommi / Butler / Ward / Osbourne)
5. Age Of Reason (Iommi / Butler / Osbourne)
6. Black Sabbath (Iommi / Butler / Ward / Osbourne)
7. Behind The Wall Of Sleep (Iommi / Butler / Ward / Osbourne)
8. N.I.B. (Iommi / Butler / Ward / Osbourne)
9. End Of The Beginning (Iommi / Butler / Osbourne)
10. Fairies Wear Boots (Iommi / Butler / Ward / Osbourne)
11. Rat Salad (Iommi / Butler / Ward / Osbourne) / Tommy Clufetos’ Drum Solo
12. Iron Man (Iommi / Butler / Ward / Osbourne)
13. God Is Dead? (Iommi / Butler / Osbourne)
14. Dirty Women (Iommi / Butler / Ward / Osbourne)
15. Chidren Of The Grave (Iommi / Butler / Ward / Osbourne)
Bis:
16. Sabbath Bloody Sabbath (intro) / Paranoid (Iommi / Butler / Ward / Osbourne)

Por Jorge Almeida

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