Kiss: os 35 anos dos lançamentos dos álbuns solos de seus integrantes

Em sentido horário, as capas dos álbuns solos de Ace Frehley, Paul Stanley, Peter Criss e Gene Simmons
Em sentido horário, as capas dos álbuns solos de Ace Frehley, Paul Stanley, Peter Criss e Gene Simmons

A última quarta-feira, 18 de setembro, marcou o 35º aniversário dos lançamentos dos álbuns solos dos integrantes do Kiss. Os discos, intitulados de forma homônima aos nomes dos músicos – Ace Frehley, Gene Simmons, Paul Stanley e Peter Criss -, foram lançados simultaneamente, mas vinculados ao Kiss.

Depois atravessar o ano de 1977 no auge de sua criatividade, o Kiss atingiu o patamar de “maior banda de rock do mundo”. No ano seguinte, foi a consolidação do grupo. A turnê de Love Gun seguia a todo vapor, com a banda lotando arenas no eixo América do Norte-Europa-Japão, e também investindo pesado (e vendendo também) em inúmeros produtos que levavam a marca da banda, que ia desde máquinas de fliperama a lancheiras. Só em 1977, o Kiss lucrou mais de US$ 10 milhões.

Apesar de tudo isso, a relação entre os integrantes do Kiss estava rachada: de um lado, Gene Simmons e Paul Stanley, e do outro Peter Criss e Ace Frehley que, inclusive, estavam em direção ao universo das drogas e bebidas, vícios que Gene abomina. Então, na tentativa de apaziguar os egos, a banda resolve dar um tempo. Enquanto isso, a gravadora não perdia o seu tempo e tratou de lançar logo a coletânea “Double Platinum” e o box “The Originals II”, este apenas para o mercado japonês.

Então, para evitar que a separação da formação original ocorresse, já que Space Ace e The Catman já estavam a instigar em trabalhos solos, os majoritários Gene Simmons e Paul Stanley sugeriram que cada um lançasse um disco solo, desde que não houvesse nenhuma desvinculação em relação ao Kiss.

Inclusive, o projeto de lançar os trabalhos solos já fazia parte dos planos ambiciosos do Kiss e do empresário Bill Aucoin que, além dos álbuns para cada integrante, também planejou a produção de um filme em que os membros do Kiss seriam os protagonistas, obviamente. Os dois planos foram colocados em prática.

O filme, intitulado “Kiss Meet The Phantom Of The Park”, foi transmitido pela NBC em 28 de outubro de 1978. No entanto, o resultado ficou abaixo das expectativas. Com o roteiro sofrendo diversas regravações, além disso, a própria banda, principalmente Peter e Ace, ficou frustrada com o resultado. O longa sofreu muitas críticas, apesar de ter atingido um dos maiores pico de audiência naquele ano. O fracasso do filme culminou com o racha entre o Kiss e Aucoin. O material foi lançado em Home Vídeo e também disponível no DVD “Kissology Volume 2: 1978-1991” (2007).

Mas, voltando para os álbuns, a estratégia em lançá-los deu parcialmente certo: funcionou porque cada integrante extrapolou, fez o que quis em seus respectivos trabalhos e exprimiu todas as suas influências (ou referências) musicais nos álbuns. Em contrapartida, o plano não conseguiu segurar Peter Criss e Ace Frehley por muito tempo, além das vendagens dos discos que não foram lá essas coisas.

E, assim, em 18 de setembro de 1978, pela primeira vez na história do rock, que todos os integrantes atuais de uma banda lançavam álbuns solo no mesmo dia. Vale destacar que nenhum integrante apareceu no álbum do outro, contudo, cada membro dedicou o seu trabalho aos outros três.

Ace Frehley:

O álbum de Space Ace foi considerado o melhor dentre os quatro lançados. O guitarrista fez um disco genuinamente rocker e ele praticamente tocou todos os instrumentos de cordas: guitarras, baixo e violão e deixou a bateria ficar a cargo de Anton Fig, que pouco tempo depois quebrara um galho nas baquetas durante as gravações de “Dynasty” e “Unmasked”. Seu desempenho nas cordas é aquilo que todo mundo conhece: bons riffs, solos não muito longos, enfim, sem toda aquela virtuose. Além disso, Ace co-produziu o disco junto com Eddie Kramer, o mesmo produtor de clássicos do Kiss (“Alive!”, “Rock And Roll Over”, “Love Gun” e “Alive II”). Das músicas, destaques para “Rip It Out”, “Speedin’ Back To My Baby” e o single “New York Groove”, cover do Hello, banda de Russ Ballard (ex-Argent).

O trabalho solo do Spaceman tem seus fãs ilustres que fizeram questão de gravar alguns covers dele, tais como: Chemical People e Skin Yard, que gravaram, respectivamente, “Rip It Out” e “Snow Blind” para o álbum-tributo ao Kiss lançado em 1992 intitulado “Hard To Believe: Kiss Covers Compilation” (é neste disco que consta o cover que o Nirvana fez de “Do You Love Me?”). E por falar em Nirvana, a atual banda de Dave Grohl, o Foo Fighters, também regravou uma faixa do disco de Ace. Trata-se de “Ozone”, que está disponível na edição especial do ‘debut’ do FF conhecido como “Special Oz Tour Edition Bonus”, lançado no Japão, além de constar no lado B do single “Winnebago” e nos CDs maxi-single de “I’ll Stick Around” e “Big Me”. E, só para acrescentar: o disco de Frehley foi o segundo mais vendido dos quatro solos.

Gene Simmons:

O álbum solo de Gene Simmons foi o mais vendido dentre os quatro. Mas isso se deve à popularidade que o baixista tinha em meio aos fãs. Contudo, foi uma decepção porque esperava-se um disco melhor do que os dos demais, ainda mais por sua forte influência no Kiss. O linguarudo fez um trabalho mais eclético, que variava desde o hard típico do Kiss, como “Radioactive”, passando pela influência pop dos Beatles e chegando até ao cover inusitado e desnecessário de Pinóquio (!?).

Para as gravações, o baixista convidou “meio mundo de gente”: Bob Seger, Joe Perry (do Aerosmith), Rick Nielsen (do Cheap Trick), Donna Summer (sim, aquela cantora disco), Cher (cantora conhecida como a Deusa do Pop e que teve um affair com Gene na época), entre outros.

Mas a principal marca do disco é a forte influência do quarteto de Liverpool. E isso pode ser notado em temas como “See You Tonite” (que foi regravado pelo Kiss em seu “Unplugged Mtv”, em 1996), “Mr. Make Believe” e “Always Near You/Nowhere to Hide”. Aliás, segundo o co-produtor do álbum, Sean Delaney, eles (inclui-se aí Gene Simmons) quase reuniram os Beatles novamente na gravação de um disco. Gene convidou e recebeu as respostas afirmativas de John, Paul e George, porém, Ringo recusou. Outro destaque é a regravação de “See You In Your Dreams”, do álbum “Rock And Roll Over”, do Kiss. E a inclusão de “When You Wish Upon A Star”, tema do filme Pinóquio, foi uma espécie de “agradecimento” de Gene Simmons ao Grilo Falante, o personagem que canta a música no longa da Disney, porque a música sintetiza bem o “sonho americano” de Simmons (como sabemos, ele é israelense).

Curiosamente, Gene Simmons tocou guitarra em seu projeto solo, e não o baixo.

Mas, cá entre nós, o álbum só foi uma decepção porque Gene não conseguiu concretizar o sonho em ter a presença dos integrantes dos Beatles em seu trabalho, porque se o quarteto de Liverpool tivesse participado, a situação seria outra.

Paul Stanley:

O trabalho solo de Starchild não tem muito a acrescentar. Pois praticamente trata-se de uma espécie de álbum típico do Kiss mas apenas com os vocais de Paul Stanley. Mas isso não faz do projeto de Paul ruim, muito pelo contrário, é tão bom quanto o de Ace. O guitarrista optou mais em utilizar músicos de estúdios e, dentre os nomes renomados, apenas a lenda Carmine Appice, que tocou bateria na faixa “Take Me Away (Together As One)”, além da participação de Bob Kulick, irmão de Bruce Kulick, guitarrista do Kiss entre 1985 e 1996.

O disco traz uma peculiaridade em relação aos dos outros integrantes do Kiss. Foi o único a ter material 100% autoral, ou seja, sem apresentar covers ou músicas escritas totalmente por outro autor que não fosse o próprio membro do Kiss, no caso aqui, Paul Stanley, que assinou todas as faixas, sendo três delas tendo Mikel Japp como co-autor.

Musicalmente, o disco solo de Paul Stanley é recheado de belos temas, guitarras e violões bem tocados, além do vocal do próprio Paul, que é estupendo. Destaques para a balada “Hold Me, Touch Me”, as rockers “Love In Chains”, “Wouldn’t You Like To Know Me” e a incrível faixa de abertura “Tonight You Belong To Me” que, facilmente, se não tivesse sido gravada aqui estaria em um álbum do Kiss, certamente.

Particularmente, o disco solo de Paul Stanley é o meu favorito.

Peter Criss:

Assim como os demais colegas de banda, Peter também fez um tributo às suas influências musicais, como o R&B e Jazz, e nos ídolos Frank Sinatra e Gene Krupa. Seu álbum, apesar de ser o “mais dançante”, é considerado o mais fraco dos quatro lançados.

Como Criss não é um exímio compositor, seu trabalho teve de contar com a ajuda de outros autores, como Stan Penridge, que tocou com Peter em uma de suas bandas “pré-Kiss”, e Sean Delaney para auxiliar no “preenchimento” das faixas do álbum.

Apesar de não ter a mesma notoriedade em relação aos demais, o disco solo de Criss tem suas virtudes: o vocal rouco e potente, a bateria básica que agrada e canções “martelantes”, tipo aquelas que, quando você ouve uma vez, passa o resto do dia com ela na cabeça. Contudo, o lado negativo do álbum é o excesso de baladas (acho que The Catman se empolgou muito com o sucesso de “Beth”). E outro fator que não pegou bem para Peter Criss foi não ter emplacado nenhum hit, ainda mais que o seu álbum solo foi o único a ter dois singles – “Don’t You Let Me Down” e “You Matter To Me” – lançados. Destaques para o cover de Bobby Lewis, “Tossin’ And Turnin’”, e também para “Rock Me Baby”, “Don’t You Let Me Down” e “I Can’t Stop The Rain”.

Para quem é fã de Kiss, certamente, os quatro discos solos fazem parte da coleção. Para quem quiser adquirir os álbuns a partir de agora, aconselho a seguir a seguinte ordem: primeiro compre os de Paul Stanley ou de Ace Frehley (ou vice-versa já que são bastante parecidos), depois os de Gene Simmons e, finalmente, o de Peter Criss. Ou, ainda, se você optar em ter apenas as melhores de cada álbum, sugiro a coletânea “Best Of Solo Albums” (1979), isso se conseguir encontrar, pois ela é rara e “sofre” com a democratização de suas faixas: são 12 músicas ao todo que reúne exatas três faixas de cada trabalho solo.

A seguir, uma breve ficha técnica e o tracklist de cada álbum solo dos integrantes do Kiss.

Álbum: Kiss – Ace Frehley
Intérprete: Ace Frehley
Lançamento: 18 de setembro de 1978
Gravadora: Casablanca Records
Produtores: Eddie Kramer e Ace Frehley

1. Rip It Out (Frehley / Kelly / Kelly)
2. Speedin’ Back To My Baby (Frehley / Frehley)
3. Snow Blind (Frehley)
4. Ozone (Frehley)
5. What’s On Your Mind? (Frehley)
6. New York Groove (Ballard)
7. I’m In Need Of Love (Frehley)
8. Wiped-Out (Frehley / Fig)
9. Fractured Mirror (Frehley)

Álbum: Kiss – Gene Simmons
Intérprete: Gene Simmons
Lançamento: 18 de setembro de 1978
Gravadora: Casablanca Records
Produtores: Gene Simmons e Sean Delaney

1. Radioactive (Simmons)
2. Burning Up With Fever (Simmons)
3. See You Tonite (Simmons)
4. Tunnel Of Love (Simmons)
5. True Confessions (Simmons)
6. Living In Sin (Simmons / Delaney / Marks)
7. Always Near You/Nowhere To Hide (Simmons)
8. Man Of 1,000 Faces (Simmons)
9. Mr. Make Believe (Simmons)
10. See You In Your Dreams (Simmons)
11. When You Wish Upon A Star (Washington / Harline)

Álbum: Kiss – Paul Stanley
Intérprete: Paul Stanley
Lançamento: 18 de setembro de 1978
Gravadora: Casablanca Records
Produtores: Paul Stanley e Jeff Glixman

1. Tonight You Belong To Me (Stanley)
2. Move On (Stanley / Japp)
3. Ain’t Quite Right (Stanley / Japp)
4. Wouldn’t You Like To Know Me (Stanley)
5. Take Me Away (Together As One) (Stanley / Japp)
6. It’s Alright (Stanley)
7. Hold Me, Touch Me (Think Of Me When We’re Apart) (Stanley)
8. Love In Chain (Stanley)
9. Goodbye (Stanley)

Álbum: Kiss – Peter Criss
Intérprete: Peter Criss
Lançamento: 18 de setembro de 1978
Produtor: Vini Poncia

1. I’m Gonna Love You (Criss / Penridge)
2. You Matter To Me (Poncia / Morgan / Vastano)
3. Tossin’ And Turnin’ (Adams / Rene)
4. Don’t You Let Me Down (Criss / Penridge)
5. That’s The Kind Of Sugar Papa Likes (Criss / Penridge)
6. Easy Thing (Criss / Penridge)
7. Rock Me, Baby (Delaney)
8. Kiss The Girl Goodbye (Criss / Penridge)
9. Hooked On Rock ‘N’ Roll (Criss / Penridge / Poncia)
10. I Can’t Stop The Rain (Delaney)

Por Jorge Almeida

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