Iron Maiden faz show nostálgico no Anhembi (20.09.2013)

Bruce Dickinson "screaming" para o público presente no Anhembi, SP. Foto: Raul Zito/G1
Bruce Dickinson “screaming” para o público presente no Anhembi, SP. Foto: Raul Zito/G1

Os paulistanos (e turistas) que compareceram na Arena Anhembi na noite da última sexta-feira, 20 de setembro, pareciam que viajaram no túnel do tempo e voltaram para o ano de 1988 por conta da cenografia e repertório nostálgicos que os britânicos do Iron Maiden proporcionaram ao público. Naquela ocasião, há 25 anos, Steve Harris e sua trupe viviam a sua fase áurea e promoviam a turnê de “Seventh Son Of A Seventh Son”, que teve um de seus shows gravados em Birmingham (terra natal de outros ícones do Metal como Black Sabbath e Judas Priest) lançado em VHS e, anos mais tarde, em CD e DVD, e relançado em 2013. O material levou o nome de “Maiden England”. Então, para celebrar as “bodas de prata” daquela memorável época, os “golden years” da Donzela, que o Iron Maiden entrou em turnê com a “Maiden England Tour” com o setlist praticamente idêntico à turnê de 1988, apenas uma pequena variação, como a saída das ótimas “Die Your Boots On”, “Hallowed Be Thy Name”, “Still Life” e “Infinite Dreams” para as inserções de “Fear Of The Dark”, “Afraid To Shoot Strangers”, “Phantom Of The Opera”, “Aces High”, por exemplo.

Mas, além da Donzela de Ferro, o concerto em São Paulo teve as presenças dos suecos do Ghost e dos norte-americanos do Slayer. A primeira atração da noite foi o Ghost, que subiu ao palco às 18h30, meia-hora acima do horário previsto e, com a sua aparência fantasmagórica e letras relacionadas ao satanismo/ocultismo, fez um show com cerca de 35 minutos, que não chegou a empolgar parte dos presentes no Anhembi.

Depois de alguns minutos, foi a vez do Slayer desfilar a sua avalanche de clássicos do Trash Metal. Conhecido pela grande maioria do público, o grupo foi bem recebido pelos fãs e retribuíram a gentileza com uma sequência de músicas rápidas e pesadas. O grande destaque da performance do Slayer foi a homenagem feita ao guitarrista Jeff Hanneman, morto em maio deste ano. Enquanto Tom Araya e cia. enlouqueciam a plateia com seus clássicos, um imenso pano de fundo de palco com o logomarca semelhante à da cerveja Heineken trazia o nome de Hanneman, que também tinha a sua imagem exibida nos telões que ficavam ao lado do palco enquanto o grupo fazia a sua apresentação ao vivo.

Eis que às 21h10, a principal atração da noite entrou em ação. Com Bruce Dickinson (voz), Steve Harris (baixo), Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers nas guitarras e Nicko McBrain na bateria, o Iron Maiden fez o público delirar em um show que durou 100 minutos distribuídos em 17 clássicos. Se compararmos a apresentação de sexta com a tour de 1988, muitas coisas se repetem, mas ao mesmo tempo se diferenciam por conta da tecnologia, dos efeitos de luz e fogos de artifício. Além disso, a cada tema, os panos de fundo de palco, que geralmente exibia a capa de algum single do Maiden com a presença da mascote Eddie, eram trocados e também os imensos bonecos deram uma pitada especial na noite.

A apresentação do sexteto inglês começou com “Moonchild”, seguido de “Can I Play With Madness”, ambas hits do álbum “Seventh Son Of A Seventh Son”. Na sequência mais clássicos: “The Prisoner”, “2 Minutes To Midnight”, “Afraid To Shoot Strangers”, do disco “Fear Of The Dark” e que, obviamente, não fazia parte do setlist da turnê de 1988. E, entre uma música e outra, Bruce Dickinson mostrou porque é um dos maiores ‘frontman’ do rock: sua disposição, seu carisma e a forma com que conduz o espetáculo faz do palco um quintal para o Mr. Air Raid Siren. E com os seus peculiares berros de “Scream For Me São Paulo! Scream For Me São Paulo!”, Bruce teve o público nas mãos durante toda a apresentação. Mas voltando ao rol dos clássicos maidenmaníacos, outra avalanche: “The Trooper”, “The Number Of The Beast”, “Phantom Of The Opera”, “Run To The Hills”, que teve a presença do gigante Eddie com seus três metros de altura, a empolgante “Wasted Years”, a épica performance da banda em “Seventh Son Of A Seventh Son”, a excelente “The Clairvoyant”, a obrigatória “Fear Of The Dark” e, antes do encore, a música que dá o nome à banda: “Iron Maiden”. Após uma breve pausa, os britânicos voltaram para o bis que teve sequência da mesma forma que abre o álbum “Live After Death”, ou seja, o famoso discurso “Churchill’s Speech” que serviu de brecha para a rápida e certeira “Aces High”, “The Evil That Men Do” e, assim como o primeiro registro ao vivo da Donzela de Ferro, o show do Iron Maiden termina com “Running Free”.

Ao longo da apresentação do Iron Maiden, seus músicos que hoje já passaram da casa dos 50 pareciam garotos: corriam, pulavam, faziam dancinhas, brincavam entre si durante todo o show. Enquanto Bruce, gesticulava, flexionava os joelhos e agitava nos mesmos moldes de 1988, porém, apenas os cabelos que mudaram drasticamente. Além disso, o vocalista atiçava o público ao dizer que o Rock In Rio era irrelevante e que o “Rock In São Paulo soava melhor”, lógico que isso foi interpretado como uma brincadeira. Outro momento engraçado foi quando a câmera focava o baterista Nicko McBrain, que fazia suas caretas para as lentes.

Apesar das apresentações impecáveis das bandas, algumas coisas foram dignas de críticas, tais como:

– Som: boa parte da plateia, especialmente os que estavam na pista “comum”, chiaram com a potência do som, que estava muito baixo, em especial durante à apresentação do Slayer.

– Preço dos “produtos oficiais”: ao passar pelas catracas, o público viu que havia a instalação de um quiosque que vendia itens relacionados às bandas participantes do evento, principalmente camisetas. Porém, em alguns deles, o valor estava estratosférico, como uma camiseta do Iron Maiden que estava sendo comercializada por R$ 100,00. Ou seja, já não bastavam “extorquir” o consumidor com o preço do ingresso, resolveram também “enfiar a facada” em algo que deveria valer, no máximo, R$ 50,00.

E isso sem contar as costumeiras filas desorganizadas do lado de fora, ações de cambistas e extorsões dos flanelinhas que, praticamente, virou tradição em se tratando de grandes eventos, seja lá shows ou atrações esportivas.

Mas, apesar desses empecilhos, no final, o resultado valeu a pena, mesmo que não tenham tocado “Hallowed Be Thy Name”, para minha frustração. E, quem não pode ver a apresentação do Iron Maiden em São Paulo, ainda tem a oportunidade de vê-los, pela TV mesmo, o show da banda no Rock In Rio neste domingo.

Abaixo, o setlist do show do Iron Maiden em São Paulo e que, possivelmente, será o mesmo no festival realizado no Rio de Janeiro.

1. Moonchild (Smith / Dickinson)
2. Can I Play With Madness (Smith / Dickinson / Harris)
3. The Prisoner (Harris / Smith)
4. 2 Minutes To Midnight (Smith / Dickinson)
5. Afraid To Shoot Strangers (Harris)
6. The Trooper (Harris)
7. The Number Of The Beast (Harris)
8. Phantom Of The Opera (Harris)
9. Run To The Hills (Harris)
10. Wasted Years (Smith)
11. Seventh Son Of A Seventh Son (Harris)
12. The Clairvoyant (Harris)
13. Fear Of The Dark (Harris)
14. Iron Maiden (Harris)
Bis:
15. Churchill’s Speech / Aces High (Harris)
16. The Evil That Men Do (Smith / Dickinson / Harris)
17. Running Free (Di’Anno / Harris)

Por Jorge Almeida

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