Titãs: 15 anos de “Volume Dois”

Depois do estrondoso sucesso de “Acústico Mtv”, com direito a participação especial no especial de fim de ano do Roberto Carlos, os Titãs resolveram dar continuidade ao projeto de reler alguns de seus sucessos, dessa vez com canções que não entraram no álbum de 1997, acrescido de seis temas inéditos (inclusive com músicas escritas da época em que Arnaldo Antunes fazia parte da banda) e dois covers. Então, lançaram em 1998 o disco “Volume Dois”, que não era tão acústico assim, já que trazia a participação de instrumentos elétricos em algumas faixas.

Recheado de convidados especiais, inclusive com músicos que participaram da gravação do trabalho anterior (vide a ficha técnica abaixo), “Volume Dois” foi gravado no Estúdio Nas Nuvens ao longo de 1998 e a produção e arranjos feitos por Liminha junto com os Titãs.

O disco abre com o primeiro hit da carreira da banda “Sonífera Ilha”, que já era executada durante a turnê do “Acústico Mtv” (não sei porque essa não entrou no álbum de 97). Em seguida, surge “Lugar Nenhum”, clássica faixa cantada originalmente por Arnaldo Antunes, mas aqui por Branco Mello em uma versão totalmente diferente da original, perdendo toda aquela pegada punk que a música trazia. A terceira faixa é a primeira (e a melhor, pelo menos para mim) dentre as seis inéditas: a “balada-rock” “Sua Impossível Chance”, de Nando Reis. Na sequência, outro tema de 1987, mas com novos arranjos e uma pequena alteração na letra: “Desordem”. A quinta canção é “Não Vou Me Adaptar” e, assim como “Lugar Nenhum”, foi gravada originalmente por Arnaldo Antunes, mas dessa vez Nando Reis a interpretou, e de forma magistral. Pois, apesar de ter tido sua releitura totalmente diferente da edição original, considero uma das melhores músicas do álbum. Paulo Miklos cantarola de forma mais cadenciada a faixa seguinte, “Domingo”, sucesso de 1995, com destaque para a gaita tocada por Flávio Guimarâes, um dos convidados especiais do disco.

Em seguida, o disco traz uma sequência de quatro músicas inéditas: “Amanhã Não Se Sabe”, com Sérgio Britto nos vocais, que fez um relativo sucesso na época e que foi regravada pela banda pop LS Jack; “Caras Como Eu”, que longinquamente lembra os arranjos de “Penny Lane”, dos Beatles, com Branco Mello cantando de forma magistral a canção de autoria de Tony Bellotto; depois aparecem as medianas “Senhora e Senhor” (cantada por Paulo Miklos) e “Era Uma Vez”, com Branco Mello nos vocais.

A parte final de “Volume Dois” traz “Miséria”, sucesso gravado no álbum “Õ Blésq Blom”, que teve o arranjo de cordas e metais feitos por Elmir Deodato. E, assim como a versão original, os vocais foram divididos pela dupla Miklos e Britto, que ainda arriscaram uns versos de “Rock Americano”, faixa do álbum “Domingo” na parte final da música. E outro sucesso titânico foi lembrado aqui, “Insensível”, que também teve sofreu pequenas modificações em relação à letra original. Mas a música foi um dos principais destaques do álbum. E a última inédita de “Volume Dois” é “Eu e Ela”, composta por Nando Reis, mas que é cantada por Paulo Miklos. Aliás, o baixista regravou a música em seu álbum solo “Infernal” (2001). E o último hit dos Titãs que teve uma nova roupagem foi “Toda Cor”, que não empolgou.

E, posteriormente, “Volume Dois” vem com os seus dois covers: “É Preciso Saber Viver”, antigo sucesso de Roberto Carlos, que contribuiu com a alta vendagem do álbum (cerca de 800 mil cópias) e também foi executada à exaustão nas rádios pelo País, assim como as constantes aparições da banda nos programas de TV. O grupo Fat Family faz os backing vocals. Para finalizar, um medley que mistura o samba de breque de Germano Mathias (“Senhor Delegado”) com a “punk de periferia” “Eu Não Aguento”, do grupo Tiroteio e que os Titãs já haviam gravado no álbum “Domingo”. Particularmente, acho que não era necessário regravar essa faixa.

Apesar do prestígio na mídia, com shows lotados, o ótimo desempenho de vendagens do disco e ter ganhado o Troféu Imprensa de 1998 na categoria “Melhor Conjunto Musical”, as críticas não foram tão receptivas aos Titãs para com o disco, inclusive, com parte delas alegando que a banda teria se vendido ao mercado.

Apesar disso, “Volume Dois” tem seus méritos e suas virtudes.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist do álbum.

Álbum: Volume Dois
Intérprete: Titãs
Lançamento: 1998
Gravadora: WEA
Produtores: Liminha e Titãs

Branco Mello: voz solo em “Lugar Nenhum”, “Caras Como Eu”, “Era Uma Vez” e “Toda Cor” e backing vocals
Charles Gavin: bateria e percussão
Marcelo Fromer: guitarra e violão
Nando Reis: baixo, violão, voz solo em “Sua Impossível Chance” e “Não Vou Me Adaptar” e backing vocal
Paulo Miklos: voz solo em “Sonífera Ilha”, “Domingo”, “Senhora e Senhor”, “Miséria”, “Eu e Ela” e “É Preciso Saber Viver”, banjo em “Insensível”, bandolim e backing vocal
Sérgio Britto: teclados, voz solo em “Desordem”, “Amanhã Não Se Sabe”, “Miséria”, “Insensível” e “Senhor Delegado/Eu Não Aguento” e backing vocal
Tony Bellotto: guitarra, violão, slide e violão de 12 cordas

Liminha: violão, guitarra, baixo, violão, banjo, tamboura e programação eletrônica
Fat Family: vocais em “É Preciso Saber Viver
Flávio Guimarães: gaita em “Domingo” e “Lugar Nenhum
Jaques Morelenbaum: cello em “Toda Cor” e arranjo de cordas e metais, exceto em “Eu e Ela“, “Miséria” e “Sonífera Ilha
Ramiro Mussoto: percussão em “Sonífera Ilha“, “Domingo“, “Miséria“, “Toda Cor“, “Senhor Delegado“, “Senhora e Senhor” e “Amanhã Não Se Sabe
William Magalhães: teclados em “Amanhã Não Se Sabe
Eumir Deodato: arranjo de cordas e metais em “Eu e Ela” e “Miséria
Marcelo Martins: arranjo de cordas e metais em “Sonífera Ilha
Antonella “Fievel” Pereschi, Mariana “Rapunzel” Salles, Paschoal Perrota, Giancarlo Pereschi, José Alves, Bernardo Bessler, Alfredo Vidal, Walter Hack, Vera Barreto, Paula Barreto e Ricardo Amado: violinos
Marie Cristine Bessler, Frederick Stephany, Jesuína Passarotto e Jairo Diniz: violas
Cassia Menezes, Alceu Reis, Marcus de Oliveira, Yura Ranevsky e Marcio Malard: cellos
Altair Martins: flugel e trompete
Daniel Garcia: flauta e sax tenor
Vitor Santos: trombone
Antônio Cândido, Zdfenek Svab, Ismael de Oliveira e Phillip Doyle: trompas
Henrique Band: sax barítono
Marcelo Martins: sax tenor e flauta
Zé Carlos: sax tenor
José Canuto: sax alto, sax tenor e flauta
Eduardo Morelenbaum: clarone e clarinete
Flavio Melo: flugel, trompete e trompete piccolo
Vitor Santos: trombone tenor
Jessé Sadoc: trompete e flugel
Flavio Santos e Paulo Roberto Mendonça: trompetes
Gilberto de Oliveira: trombone baixo
José Machado Ramad: sax tenor
Paschoal Perrota: arregimentação
Jaques Morelenbaum: regência, exceto “Sonífera Ilha
Marcelo Martins: regência de “Sonífera Ilha

1. Sonífera Ilha (Branco Mello/Carlos Barmack/Ciro Pessoa/Marcelo Fromer/Tony Bellotto)
2. Lugar Nenhum (Arnaldo Antunes/Charles Gavin/Marcelo Fromer/Sérgio Britto/Tony Bellotto)
3. Sua Impossível Chance (Nando Reis)
4. Desordem (Charles Gavin / Marcelo Fromer / Sérgio Britto)
5. Não Vou Me Adaptar (Arnaldo Antunes)
6. Domingo (Sérgio Britto / Tony Bellotto)
7. Amanhã Não Se Sabe (Sérgio Britto)
8. Caras Como Eu (Tony Bellotto)
9. Senhora e Senhor (Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Paulo Miklos)
10. Era Uma Vez (Arnaldo Antunes/Branco Mello/Marcelo Fromer/Sérgio Britto/Tony Bellotto)
11. Miséria (Arnaldo Antunes / Paulo Miklos / Sérgio Britto)
12. Insensível (Sérgio Britto)
13. Eu e Ela (Nando Reis)
14. Toda Cor (Carlos Barmack / Ciro Pessoa / Marcelo Fromer)
15. É Preciso Saber Viver (Erasmo Carlos / Roberto Carlos)
16. Senhor Delegado / Eu Não Aguento (Antoninho Lopes, Jaú / Sérgio Boneka, Clover Over, Trambolhinho)

Por Jorge Almeida

 

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