Os 20 anos de “Innuendo”, do Queen

Innuendo: o último álbum de estúdio do Queen com Freddie Mercury

No último dia 5 de fevereiro, comemorou-se os 20 anos do lançamento do último álbum de estúdio do Queen enquanto Freddie Mercury ainda estava vivo, trata-se de “Innuendo“. O disco foi gravado entre março de 1989 e novembro de 1990 nos Estúdio Metropolis (em Londres) e no Moutain Studios, em Montreux (Suíça).

A ideia inicial era para que “Innuendo” fosse lançado no fim de 1990 para, assim, aproveitar a época de Natal para alavancar suas vendas. Porém, em função da fragilizada da saúde do vocalista Freddie Mercury as gravações ocorreram mais lentamente, propiciando para que o disco fosse lançado em fevereiro de 1991.

Assim como no álbum anterior, o excelente “The Miracle”, a autoria das faixas estão creditadas como “Queen”, exceto em “All God’s People” que é de autoria da banda e Mike Moran. Isso se deve ao fato de que a faixa foi gravada inicialmente no álbum solo de Mercury, “Barcelona”, em que Moran ajudou o vocalista nas composições.

O disco é considerado o mais triste produzido pelo grupo, uma vez que durante os clipes, especialmente em “These Are The Days Of Our Lives”, percebe-se um Mercury claramente fraco e abatido (por isso que o clipe foi lançado em preto e branco para “disfarçar”), em função da AIDS que ele contraiu há alguns anos e que foi mantida em sigilo pelo vocalista, que só pronunciou-se para dizer que era soropositivo no dia anterior à sua morte, ocorrida em 24 de novembro de 1991.

A faixa-título começou como uma começou jam session na Suíça, entre maio de Taylor e Deacon, na Primavera de 1989. Mercury estava lá em cima e ouvi-los tocar o ritmo, ea transformou em uma música, criar a melodia e começando a letra. Foi lançada como single e ficou em primeiro lugar nas paradas do Reino Unido. Já a faixa seguinte, “I’m Going Slightly Mad“, foi iniciada na casa de Mercury em Londres, depois que ele teve a ideia de escrever uma canção sobre a loucura. Enquanto isso, a terceira canção, “Headlong”, seria para um álbum solo que Brian May estava fazendo paralelamente. Mas ao ouvir Mercury cantando-a, ele achou que seria melhor como “uma música do Queen”. Logo, a banda, como um todo, fizeram modificações na música.

Assim como “Headlong”, “I Can’t Live With You”, a quarta canção, era inicialmente para ser incluída no álbum solo de Brian May, mas entrou no tracklist de Innuendo pelo fato dos outros integrantes terem gostado dela. Sua sucessora, “Don’t Try To Hard” foi escrita com características semelhantes de músicas que fizeram parte do “The Game” (álbum do Queen lançado em 1980). A metade de Innuendo chega com “Ride the Wild Wind” que foi composta por Roger Taylor, que gravou uma demo com sua própria voz. A versão definitiva é cantada por Mercury com Taylor nos vocais de apoio. É como se fosse uma continuação de “I’m Love With My Car”, hit composto pelo baterista no clássico “A Night At The Opera”, de 1975. Como já foi dito acima, a sétima canção, “All God’s People” foi composta inicialmente para ser incluída no álbum solo de Mercury, que teve Mike Moran como co-autor. Logo em seguida, “These Are The Days Of Our Lives” (de Taylor), além da parte do clipe citado acima, é harmonicamente uma das canções mais simples do Queen. A percussão foi gravada por David Richards.

E Freddie Mercury resolveu homenagear a sua gata de estimação em “Innuendo”, de nome “Delilah”. A música só foi incluída no tracklist após a insistência do vocalista para com o baterista Roger Taylor que não gostava da canção. A antepenúltima faixa do disco é “The Hitman” e nesta todos os backing vocais foram feitos por May. A versão demo é cantada pelo guitarrista, com Freddie fazendo os comentários falados (como “Bite the bullet baby!”). A penúltima faixa, “Bijou”, composta pela dupla Mercury e May, foi executada em 2008 pelo “Queen + Paul Rodgers” na turnê de Cosmos Rock em que a reprodução do verso era ao vivo e os vocais de Mercury em estúdio enquanto o telão mostrava imagens do show do grupo em Wembley em 1986. E, para finalizar, “The Show Must Go On”, uma grande letra que, apesar das condições de saúde de Freddie Mercury, serviu para comprovar todo o talento único e peculiar do saudoso vocalista. Vale a pena.

E só por curiosidade: “Innuendo” foi eleito o 94º melhor álbum de todos os tempos em uma pesquisa realizada em 2006 pela BBC.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist de “Innuendo”:

Álbum: Innuendo
Intérprete: Queen
Gravadoras: Parlophone (Reino Unido) e Hollywood Records (EUA)
Produtores: Queen e David Richards
Lançamento: 5 de fevereiro de 1991

Freddie Mercury: voz, piano, backing vocal, sintetizadores e programação
Brian May: guitarra, backing vocal, sintetizadores e programação
Roger Taylor: bateria, percussão, backing vocal, sintetizadores e programação
John Deacon: baixo, backing vocal, sintetizadores e programação

Músicos convidados:
Steve Howe: guitarra clássica em duo com May (“Innuendo“) (creditado como “Wandering Minstrel”, em português, algo como: “O Menestrel Errante”)
Mike Moran: piano, sintetizadores, programação (em “All God’s People”)
David Richards: programação e sintetizadores
Zellis Brian: programação

1. Innuendo (Queen)
2. I’m Going Slightly Mad (Queen)
3. Headlong (Queen)
4. I Can’t Live With You (Queen)
5. Ride the Wild Wind (Queen)
6. All God’s People (Queen / Moran)
7. These Are the Days of Our Lives (Queen)
8. Delilah (Queen)
9. Don’t Try So Hard (Queen)
10. The Hitman (Queen)
11. Bijou (Queen)
12. The Show Must Go On (Queen)

Por Jorge Almeida

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