Os 15 anos da estreia fonográfica de “Mamonas Assassinas”

Capa do "debut" dos Mamonas Assassinas.

Em setembro passado completou-se 15 anos do lançamento do “debut” da banda Mamonas Assassinas. O disco (e o grupo), na época, era um fenômeno de vendas e sucesso meteórico, que só durou apenas sete meses, em função de um acidente de avião em 3 de março de 1996, culminando com a morte de seus integrantes, às vésperas de uma viagem a Portugal.

O grupo, formado em Guarulhos (SP), começou em meados de 1989 com o nome Utopia e era formado pelo trio Bento Hinoto e os irmãos Samuel e Sergio Reoli. Eles tocavam covers de bandas como Legião Urbana, Titãs e Rush. Em uma de suas apresentações, uma pessoa da plateia pediu para tocarem “Sweet Child O’Mine”, dos Guns And Roses. Como não sabiam a letra, eles disseram que tocariam a música, desde que aparecesse alguém para cantá-la. Eis que aparece um baiano chamado Dinho e se candidatou para interpretá-la. Sua performance escrachada provocou risos gerais do público. E, graças a isso, Dinho foi recrutado para o posto de vocalista do Utopia. O tecladista Julio Rasec veio depois. Agora como um quinteto, o Utopia chegou a lançar um álbum homônimo que vendeu míseras cem cópias. Nos shows, o Utopia percebia que as músicas mais “avacalhadas” eram mais bem recebidas do que as consideradas “sérias” e os covers. Então, por sugestão de Samuel Reoli, o grupo resolveu mudar de nome: saiu Utopia e entrava os Mamonas Assassinas (em paródia ao Kid Abelha e os Abóboras Selvagens). Assim, mudaram também o direcionamento musical, voltando para o “comedy rock”.

Já como Mamonas Assassinas, o grupo batalhou em ir atrás de uma gravadora, distribuiu demos com as canções “Pelados Em Santos”, “Jumento Celestino” e “Robocop Gay”. Até que uma dessas fitas foi parar nas mãos de Rafael Ramos, filho do diretor artístico da EMI, João Augusto Soares, que insistiu para o pai dar uma oportunidade para a banda. Assim que saiu “Mamonas Assassinas”, o disco, nascia aí, o fenômeno musical da música brasileira. Os rapazes de Guarulhos se apresentaram em tudo quando é lugar do país, apresentações em programas de televisão como Jô Soares, Faustão, Gugu, Xuxa tornaram-se rotina. As músicas do disco misturavam vários ritmos, mas com letras debochadas, ninguém escapou deles: o vira, a música brega, sertaneja, forró, pagode e até o Heavy Metal foram “homenageados” pelos Mamonas Assassinas. O sucesso da banda era tanto que o cachê era um dos mais caros do país, entre R$ 50 e R$ 70 mil, ainda lucraram R$ 80 milhões para a EMI e teve época em que eram vendidos cerca de 100 mil cópias a cada dois dias do álbum de estreia dos Mamonas Assassinas. No final, foram vendidas mais de dois milhões de cópias.

A seguir um breve comentário das 14 faixas que formam o “debut” Mamonas Assassinas:

1406: a sua letra faz uma crítica ao consumismo desenfreado. O número se refere ao extinto telefone de telecompras, que era exibido na década de 1990 do Grupo Imagem.

Vira-Vira: o nome desta já diz por si só. Trata-se de um deboche do “vira” português, aqui no Brasil popularizado pelo cantor lusitano Roberto Leal. No enredo, aborda que Manuel foi convidado para ir em uma suruba e depois agradece por Maria ter ido em seu lugar.

Pelados Em Santos: a música brega é a “homenageada” nesta canção. Sem dúvidas, foi o “carro-chefe” do álbum. Foi regravada pelos Titãs no álbum As Dez Mais, em 1999. A música foi premiada (postumamente) no Troféu Imprensa em 1996 na categoria “Melhor Música”.

Chopis Centis: os punks do The Clash são parodiados na faixa em questão. Os riffs iniciais lembram “Should I Stay Or Should I Go”.

Jumento Celestino: é um forró-core que aborda sobre um migrante nordestino que tenta a sorte em São Paulo vindo à bordo de um jumento e como resultado da experiência frustrada, volta pra “casa com um monte de apelido. O mais bonito é cabeção”.

Sabão Crá-Crá: é uma versão em português (adaptada) e debochada de uma antiga canção chamada “The Mad Ku-Ku”, composta pelo cineasta e diretor musical norte-americano Marvin Hatley.

Uma Arlinda Mulher: o título da música é uma referência ao filme “Uma Linda Mulher”, com Julia Roberts. Nesta, o tecladista Julio Rasec “homenageia” o estilo vocal do cantor Belchior (presente na parte final da música).

Cabeça de Bagre II: a experiência em repetir a quinta série, foi a inspiração de Dinho em compor a música. Seu título parodia o clássico álbum dos Titãs, “Cabeça Dinossauro”. Nela, o guitarrista Bento Hinoto faz em um de seus solos de guitarra uma referência à risada do Pica-Pau e “O Passo do Elefantinho (Baby Elephant Walk)”.

Mundo Animal: a canção lembra o cantor brega Falcão ao falar coisas do tipo “Os animal”, ou seja, artigo no plural e substantivo no singular, presentes nas músicas do intérprete cearense.

Robocop Gay: essa, os Mamonas mesclam o personagem de Jô Soares, o Capitão Gay, e Robocop, personagem do ator Peter Weller. Nos shows, era constante a inclusão do “Melo do Piripiri” da rainha do rebolado dos anos 80 Gretchen.

Bois Don’t Cry: seu título é de mais uma paródia, desta vez trata-se de “Boys Don’t Cry”, do The Cure. A letra aborda tema constante na música sertaneja, a traição. Há um trecho da música, que lembra “Tom Sawyer”, clássico do “power trio” canadense do Rush.

Débil Metal: a única música em inglês da banda. Aqui, eles fazem trocadilho com Heavy Metal com a expressão “débil mental”. É também de uma forma, sacanear aqueles que ouvem música pesada e não entendem nada de seu conteúdo. Tanto que Dinho diz: “Shake your head, sucker!”, ou seja, “Agite sua cabeça, otário!”

Sábado de Sol: música composta originalmente pelo Baba Cósmica, grupo formado por Pedro, Felipe e Rafael Ramos (sim, o filho do diretor artístico da EMI).

Lá Vem O Alemão: o título é mais uma (!) sátira. Desta vez, se dá em virtude a um grande sucesso da época do grupo Cravo e Canela: “Lá Vem O Negão”. Além disso, Dinho debocha das linhas vocais de Netinho (do Negritude Jr.) e Luiz Carlos, líder do Raça Negra.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist de “Mamonas Assassinas”:

Álbum: Mamonas Assassinas
Intérprete: Mamonas Assassinas
Lançamento: setembro de 1995
Gravadora: EMI
Produtor: Rick Bonadio (o “Creuzebek”)

Dinho: voz
Bento Hinoto: guitarras, violão e backing vocal
Júlio Rasec: teclados, backing vocal e “Maria” em “Vira-Vira”
Samuel Reoli: baixo e backing vocal
Sérgio Reoli: bateria e backing vocal

1. 1406 (Dinho / Júlio Rasec)
2. Vira-Vira (Dinho / Júlio Rasec)
3. Pelados Em Santos (Dinho)
4. Chopis Centis (Dinho / Júlio Rasec)
5. Jumento Celestino (Bento Hinoto / Dinho)
6. Sabão Crá-Crá (The Mad Ku-Ku) (Folclore Popular / Marvin Hatley)
7. Uma Arlinda Mulher (Bento Hinoto / Dinho)
8. Cabeça de Bagre II (Bento Hinoto / Dinho / Júlio Rasec / Samuel Reoli / Sérgio Reoli)
9. Mundo Animal (Dinho)
10. Robocop Gay (Dinho / Júlio Rasec)
11. Bois Don’t Cry (Dinho)
12. Débil Mental (Dinho / Bento Hinoto / Júlio Rasec / Samuel Reoli / Sérgio Reoli)
13. Sábado de Sol (Felipe / Pedro / Rafael)
14. Lá Vem O Alemão (Dinho / Júlio Rasec)

Por Jorge Almeida

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