Os 40 anos do álbum da “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista…”

Sociedade da Grã-Ordem Kavernista...: de rejeitado pela gravadora a objeto de culto

Este ano de 2011 marca o 40º aniversário do lançamento do disco “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta: Sessão das 10”, de Raul Seixas. Gravado em 1971 nos estúdios da CBS, Rio de Janeiro, o compositor baiano se reuniu com o capixaba Sérgio Sampaio, o cantor, dançarino e ator Edy Star e a cantora paulista Miriam Batucada.

Quando foi lançado, o disco não obteve sucesso nem de público e nem de crítica. Na época, Raul Seixas trabalhava como produtor da CBS. E o álbum é cercado de lendas. A principal delas diz que Raul, Sérgio, Edy e Miriam gravaram as músicas às escondidas, à noite, ou seja, sem o aval da gravadora e que, por este motivo, Raul Seixas teria sido demitido. O próprio compositor baiano conta a história que pode ser ouvida no póstumo álbum “Se o Rádio Não Toca”, de 1994, que trazia a gravação de um show realizado em Brasília em 1974. Neste álbum, Seixas relata sobre a “Grã-Ordem Kavernista” em uma faixa intitulada “Monólogo” que antecede “Sessão das Dez” (esta que foi a única canção ‘kavernista’ que Raul regravou em sua discografia solo).

No entanto, de acordo com Edy Star, o único sobrevivente dos quatro artistas (Raul faleceu em 1989, Sérgio e Míriam em 1994), o trabalho foi feito profissionalmente, com o conhecimento da gravadora e, ainda, Raul não teria sido demitido da CBS.

Inspirado nos álbuns recém-lançados na época, como “Freak Out” (1966), de Frank Zappa, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967), dos Beatles e do coletivo “Tropicália” (1968), Raul teve a ideia de fazer este álbum experimental-manifesto, com críticas a sociedade de consumo, o caos urbanos das grandes cidades e aos hippies (o Black Sabbath, na época, surgiu como uma resposta àquilo de que as pessoas diziam ser “paz e amor”). O Maluco Beleza, na época nem tão maluco assim, tocou praticamente todos os instrumentos das 11 faixas do álbum. As composições são todas de Raul e Sérgio Sampaio, exceto “Soul Tabarôa”, da dupla Antônio Carlos e Jocafi.

O disco conta com 12 faixas, incluindo uma vinheta final. E, cada artista cantam duas músicas sozinho e outras três são interpretadas pela dupla Raul Seixas e Sérgio Sampaio. Vários estilos musicais são executados no álbum: chorinho, seresta, samba, entre outros.

Depois de muito tempo condenado ao ostracismo por ter ficado fora de catálogo, o disco voltou às lojas no formato CD primeiro numa edição limitada da Rock Company (1995) e, depois, pela Sony (2000 e 2010). A edição de 2000 foi bastante criticada à época por não trazer as letras nem a contracapa com ficha técnica e fotos dos integrantes do grupo. A edição de 2010 tem capa e contracapa restaurados, encarte com ficha técnica e letras das músicas, e som remasterizado. As edições de 1995 e 2000 são difíceis de encontrar atualmente, bem como os LPs originais, considerados itens de colecionador que valem pequenas fortunas e também objeto de culto.

Bom, os fãs de Raul Seixas, principalmente os mais novos, que não puderam acompanhar o lançamento desta obra, aproveitaram a ocasião do relançamento em CD do disco. Porém, questiono por que a gravadora detentora da produção de “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista…” só relançou o álbum após a morte de Raul Seixas? Acredito que isso foi de maneira oportunista, porque como é sabido, Raul (ou os responsáveis pelos seus direitos autorais) é o “artista-póstumo” que mais arrecada dinheiro na venda de CD’s aqui no Brasil. E, claro, que a gravadora aproveitou este público para “soltar” este trabalho que ficou muito tempo “engavetado”.

Vale registrar que em 2009, a Prefeitura de São Paulo homenageou Raul Seixas através da Virada Cultural, instalando o palco “Toca Raul” em que durante as 24 horas do evento diversos artistas apresentaram, na íntegra, toda a discografia de Raulzito. Dentre esses artistas, estava Edy Star que cantou, integralmente, o álbum do qual fez parte. O sucesso e a aceitação do público foram tão satisfatórios, que Edy resolveu se apresentar pelo país apresentando o repertório do lendário disco de 1971 na íntegra.

A seguir a ficha técnica e o tracklist de “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta: Sessão das Dez”:

Álbum: Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez
Intérprete: Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada
Lançamento: 1971
Gravadora: CBS (atual Sony Music)
Produtor: Raul Seixas

Intérpretes:
Raul Seixas: voz em “Eta Vida”, “Eu Vou Botar Pra Ferver”, “Quero Ir”, “Aos Trancos e Barrancos” e “Dr. Paxeco” e arranjos
Sérgio Sampaio: voz em “Eta Vida”, “Eu Vou Botar Pra Ferver”, “Quero Ir”, “Eu Acho Graça” e “Todo Mundo Está Feliz”
Edy Star: voz em “Sessão das Dez” e “Eu Não Quero Dizer Nada”
Miriam Batucada: voz em “Chorinho Inconsequente” e “Soul Tabarôa”

1. Êta Vida (Raul Seixas / Sérgio Sampaio)
2. Sessão das Dez” (Raul Seixas)
3. Eu Vou Botar Pra Ferver (Sérgio Sampaio / Raul Seixas)
4. Eu Acho Graça (Sérgio Sampaio)
5. Chorinho Inconsequente (Sérgio Sampaio / Erivaldo Santos)
6. Quero Ir (Raul Seixas / Sérgio Sampaio)
7. Soul Tabarôa (Antônio Carlos / Jocáfi)
8. Todo Mundo Está Feliz (Sérgio Sampaio)
9. Aos Trancos E Barrancos (Raul Seixas)
10. Eu Não Quero Dizer Nada (Sérgio Sampaio)
11. Dr. Paxeco (Raul Seixas)
12. Finale (vinheta) (Raul Seixas)

Por Jorge Almeida

Os 40 anos de “L. A. Woman”, dos The Doors

Capa do último disco dos Doors antes da morte de Jim Morrison

Neste mês de abril completam-se exatos 40 anos do lançamento do clássico “L. A. Woman”, da banda The Doors. É o sexto registro da banda e, infelizmente, caracterizado como o último registro feito pelo vocalista Jim Morrison e foi gravado entre dezembro de 1970 e janeiro em 1971 em Los Angeles, Califórnia (EUA).

O disco regressa a banda às suas origens, com R&B. Porém, o produtor Rotchild recusou a trabalhar o álbum por considerá-lo como “música cocktail”, caso de “Riders On The Storm”, deixando entregue o trabalho ao engenheiro Bruce Botnick. E a maioria das músicas foram gravadas ao vivo, exceto algumas partes do teclado de Manzarek que foram sobrepostas. Apesar da mudança na produção, a banda lançou aquele que é considerado um de seus trabalhos mais lendários. Exemplo disso são os dois singles que foram lançados na época, “Love Her Madly” e “Riders On The Storm”, que obtiveram bastante sucesso nas rádios norte-americanas.

Apesar do sucesso do álbum, após sua gravação, Morrison optou em passar um tempo para repousar e foi rumo à Paris com a sua namorada da época, Pamela Courson. O vocalista escolheu a capital francesa porque visitou a cidade no verão anterior e sentiu-se confiante em escrever e conhecer mais aquele local.

Contudo, três meses após o lançamento de “L. A. Woman”, em três de julho, o corpo de Jim Morrison foi encontrado na banheira do seu apartamento. Foi concluído que morreu de ataque cardíaco, embora tenha sido revelado mais tarde que não foi realizada qualquer autópsia antes do corpo de Morrison ter sido enterrado no Cemitério de Père Lachaise a 7 de Julho.

Vale registrar que em 2003, o álbum foi classificado número 362 da lista da revista Rolling Stone dos 500 maiores álbuns de todos os tempos.

Particularmente, considero este como a melhor obra dos Doors. Recomendo.

A seguir, a ficha técnica e o tracklist de “L. A. Woman”:

Álbum: L. A. Woman
Intérprete: The Doors
Lançamento: abril de 1971
Gravadora: Elektra
Produtores: The Doors e Bruce Botnick

Jim Morrison: voz
Ray Manzarek: órgão e piano elétrico
Robby Krieger: guitarra
John Densmore: bateria

Marc Benno: guitarra base nas faixas 3, 4, 5, 8
Jerry Scheff: baixo

1. The Changeling (Morrison / The Doors)
2. Love Her Madly (Krieger / The Doors)
3. Been Down So Long (Morrison / The Doors)
4. Cars Hiss By My Window (Morrison / The Doors)
5. L.A. Woman (Morrison / The Doors)
6. L’America (Morrison / The Doors)
7. Hyacinth House (Morrison / The Doors)
8. Crawling King Snake (Hollins / Besman / Hooker)
9. The WASP (Texas Radio and the Big Beat) (Jim Morrison / The Doors)
10. Riders on the Storm (Jim Morrison / The Doors)
Faixas bônus na edição de 40 anos do álbum:
11. Orange County Suite (Morrison)
12. (You Need Meat) Don’t Go No Further (Dixon)

Por Jorge Almeida

Analisando “Seu Madruga: Vila e Obra”, de Pablo Kaschner

Capa de "Seu Madruga: Vila e Obra". Foto: divulgação

Depois de muito tempo, quase um ano depois, resolvi postar aqui a minha análise de um dos livros que li ao longo de 2010. A obra em questão aborda um personagem de um dos seriados de maior sucesso na história da televisão brasileira. Sim, é o Chaves, mas o personagem-tema do livro não se trata majoritariamente do menino órfão criado por Roberto Gómez Bolaños e, sim de um dos mais queridos do seriado, principalmente, pelos brasileiros: Seu Madruga e, consequentemente, seu intérprete, o ator Ramón Valdés.

Em “Seu Madruga: Vila e Obra”, o autor Pablo Kaschner, que também assina “Chaves de um Sucesso”, ao longo de 14 capítulos (além de “Prefácio” e “Curiosidades de um ‘madrugamaníaco’”) aborda os principais personagens interpretados pelo ator Ramón Valdés (além de Seu Madruga) nos seriados de Bolaños, assim, como um panorama da vida e da carreira do saudoso ator em outras produções (dizem que Valdés já atuou em mais de 100 filmes).

Vale destacar que quem assina o prefácio do livro é o casseta Marcelo Madureira e dentre os depoimentos dos fãs de Seu Madruga está o de Rodrigo Scarpa, o Repórter Vesgo, do humorístico programa Pânico na TV!.

Mas o foco principal do livro está concentrado no personagem que, apesar de suas características típicas de um anti-herói, é muito querido e popular no Brasil (uma prova da popularidade de Seu Madruga pode ser constatada em um dos principais sites de relacionamentos da Internet, o Orkut).

Ao longo do livro, há os famosos bordões, diálogos, curiosidades, entrevistas com o intérprete do Sr. Barriga – Edgar Vivar – e do dublador do morador da casa 72 da vila mais famosa da TV – Carlos Seidl.

Assim, como é destacada a presença de Seu Madruga na cultura popular, sobretudo na música. E também trechos e recortes de entrevistas com críticos e especialistas que tratam da influência do personagem de Valdéz – assim como o seriado de Bolaños – têm na sociedade.

Ah, é claro, que as célebres frases do “chimpanzé reumático” não poderiam ficar de fora: afinal, quem nunca disse pérolas do tipo: “A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena” ou “Não existe trabalho ruim. O ruim é ter que trabalhar”.

Se você é um “chavesmaníaco”, o livro de Kaschner é obrigatório. Agora, se você não assiste com muita freqüência ao seriado ou gostaria de começar a conhecer melhor o universo de “Chavo Del Ocho”, pode comprar a obra sem medo. Afinal o livro trata, conforme disse o professor Jirafales, “de um indivíduo sem nenhum preparo. De um pobre-diabo que nem sequer concluiu o primário! De um pobre infeliz que mal aprendeu a ler e a escrever…”, e que apesar de todos estes “elogios”, é muito querido no Brasil e na América Latina.

A seguir a ficha técnica do livro “Seu Madruga: Vila e Obra”:

Livro: Seu Madruga: Vila e Obra
Autor: Pablo Kaschner
Ilustrações: Maurício Melo
Editora: Mirabolante
Número de Páginas: 125
Preço médio: R$ 30,00

Por Jorge Almeida

Exposição “Presenças” inaugura novo espaço na Zipper Galeria

A Zipper Galeria inaugurou no último dia 19 de março um novo espaço expositivo no andar superior, intitulado “Zip’Up”. E para a estreia do local, a mostra “Presenças” ficará em cartaz até o dia 23 de abril de 2011 e conta com sete obras de cinco artistas convidados: Ângela Varela, Tatiana Dalla Bona, Bettina Vaz Guimarães, Pedro Cappeletti e Ilana Lichtenstein.

As produções dos artistas convidados são de técnicas variadas, como por exemplo, o vídeo “Considerações no Meio da Noite”, de Ângela Varela; os desenhos em papel de Pedro Cappeletti e os retratos das cidades japonesas de Tóqui e o Kyoto, de Ilana Lichtenstein.

SERVIÇO:
Exposição: Presenças
Onde: Zipper Galeria – Rua Estados Unidos, 1494 – Jardins
Quando: até 23/04/2011; de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; aos sábados, das 11h às 17h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição de obras de Dionísio Del Santo na Caixa Cultural

A Caixa Cultural (Vitrine Paulista) apresenta até o próximo dia 24 de abril a exposição “Dionísio Del Santo e o Concretismo” que reúne 51 obras produzidas pelo artista capixaba Dionísio Del Santo.

As onze xilogravuras expostas são da década de 1950 e tratam da crueldade da natureza com os seus seres: aves se confrontando em busca da sobrevivência, um contraste violento.

Enquanto isso, a mostra exibe também 30 serigrafias feitas durante as décadas de 1970 e 1980, e, em função do foco do artista estar voltado à experimentação, algumas obras foram criadas uma única vez, o que permitiu a sua disputa por colecionadores.

E os dez óleos sobre tela, de acordo com o texto de Maria Alice Milliet, Dionísio privilegiou as cores azul e verde, dificilmente utilizados na arte brasileira.

SERVIÇO:
Exposição: Dionísio Del Santo e o Concretismo
Onde: Caixa Cultural (vitrine Paulista) – Avenida Paulista, 2083
Quando: até 24/04/2011; de terça a sábado, das 9h às 21; domingos, das 10h às 21h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição individual de Carolina Ponte na Zipper Galeria

A Zipper Galeria está com a exposição individual da artista Carolina Ponte em cartaz até o próximo dia 23 de abril. A mostra faz parte da inauguração do calendário 2011 de exposições individuais da instituição.

A artista exibe sete obras que foram feitas exclusivamente para esta mostra: cinco desenhos em grandes formatos e duas produções feitas com crochê e tapeçaria.

Na produção de Ponte são características fundamentais: a perfeição e o tempo gasto ao longo de seu processo de criação. De acordo com a crítica Daniela Name, “os desenhos e trabalhos com crochê que Carolina Ponte apresenta nesta exposição mostram um momento da carreira da artista em que ela faz com a própria obra o mesmo movimento que executa com linhas e agulha”.

SERVIÇO:
Exposição: Carolina Ponte
Onde: Zipper Galeria – Rua Estados Unidos, 1494 – Jardins
Quando: até 23/04/2011; de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; aos sábados, das 11h às 17h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Exposição fotográfica no Museu Afro Brasil

O Museu Afro Brasil exibe até o dia 17 de abril de 2011 a exposição “Antífona”, que conta com 27 registros de Gal Oppido, um dos mais renomados profissionais em captar imagens de artes cênicas e expressão corporal. Além de fotos, a mostra apresenta um vídeo-performancers com Paula du Gelly e Vito Ousseynou Diop, além de uma instalação.

A exposição trata como assunto principal o desempenho da mulher da atualidade. Cada fotografia exibe mulheres com personalidades e características distintas, de acordo com a visão do artista.

O nome da exposição é homônimo a um trabalho do poeta Souza e Cruz.

SERVIÇO:
Exposição: Antífona
Onde: Museu Afro Brasil – Parque do Ibirapuera – Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – portão 10 – Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega
Quando: até 17/04/2011; de terça a domingo, das 10h às 17h
Quanto: entrada gratuita

Por Jorge Almeida

Resenhas e sinopses de exposições, livros, álbuns, rock, museus e, claro, futebol escrito por dois apaixonados pelo assunto.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 167 outros seguidores